<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590</id><updated>2012-02-16T15:23:43.942Z</updated><title type='text'>Capítulos duma História Inacabada</title><subtitle type='html'>Dois amigos desconhecidos lançam-se na perigosa aventura de escrever a quatro mãos... Às Terças e às Quintas...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3449376794753662785</id><published>2007-11-01T09:35:00.001Z</published><updated>2008-03-23T22:55:59.999Z</updated><title type='text'>48</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Do outro lado da porta, Ricardo caminhou a passos lentos para o elevador e carregou no botão. Olhou à sua volta e respirou fundo, receando que aquela fosse a última vez que via aquele vestíbulo. Procurou guardar na retina as paredes forradas a madeira, as luzes de halogénio do tecto falso, o botão quadrado e a porta cor de vinho do elevador, o vaso branco esquecido ao canto onde crescia uma planta de folhas paralelinérveas verde escuro que não conseguiu identificar, como se isso pudesse restituir-lhe Carla, ou, pelo menos, mitigar o sentimento de perda que o invadiu mal saiu do apartamento onde Carla vivia. Sobressaltou-se com o aviso sonoro da chegada do elevador e foi a passo lento que entrou nesse cubículo metálico que o levaria até ao rés-do-chão. Saiu do prédio cabisbaixo e dirigiu-se para o carro, entrou e pô-lo em movimento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Àquela hora não havia muito trânsito e Ricardo pisou com força o acelerador ao longo avenida onde Carla morava. A sua cabeça estava longe dali; conduzia mais por instinto do que prestando verdadeiramente atenção às manobras que efectuava, bem como às dos restantes condutores. Nestas circunstâncias, Ricardo só se apercebeu do carro que entrava na avenida vindo da rua que se abria à sua direita demasiado tarde para lhe ceder a passagem, como estava obrigado pelas leis da estrada. Para evitar a outra viatura, travou a fundo e guinou para a esquerda, atravessando toda a largura do lado direito da avenida, até ao separador central, e foi com alguma sorte que conseguiu evitar o impacto desse lado. Depois de ganhar de novo o controlo sobre o percurso do carro, agarrou o volante com as duas mãos e apercebeu-se de que estava a tremer da cabeça aos pés. O condutor do outro veículo, que tinha entretanto parado, abriu o vidro e gritou-lhe qualquer coisa que Ricardo não ouviu. Acenou-lhe um pedido de desculpas e, verificando que não havia danos materiais nem ninguém ferido, arrancou sem mais delongas, pois depois do acabara de ouvir da boca de Carla não sentia em condições de ouvir mais nada e muito menos ter uma discussão no meio da rua.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A tarde passou-se até às quatro e meia ocupada entre papéis e reuniões a que não prestou a mínima atenção. A essa hora, Ricardo decidiu que naquele dia não estava em condições de fazer mais nada e decidiu ir para casa. Nem sequer tinha mais compromissos agendados com clientes para o resto do dia, pelo que nem sequer perdeu tempo a dizer a Cristina que ia embora. Esta viu-o sair do escritório e passar em direcção à saída e também não o questionou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando chegou a casa, deixou-se cair no sofá, pegou no controlo remoto da televisão e ligou-a. No ecrã apareceu um rancho folclórico que ia dançando ao som de acordeões, violas e adufes. Ricardo deixou-se ficar a olhar para as mulheres que rodopiavam à volta dos homens de chapéu e colete pretos, mas o seu olhar era totalmente vazio, como de resto se encontrava a sua alma. A sua grande dúvida era, nesse momento, o que fazer com a informação que Carla lhe dera. O seu melhor amigo tinha um filho de seis anos e não sabia e isso não lhe parecia correcto. Menos correcto ainda lhe parecia o seu melhor amigo estar de posse dessa informação e sonegar-lha. Menos correcto!? Era traição, isso sim! No entanto, ao mesmo tempo, a mãe da criança mexia consigo mais do que poderia ter imaginado que viria a acontecer quando a vira pela primeira vez e essa mãe, por quem estava sem dúvida apaixonado, pedira-lhe, quase lhe implorara, que mantivesse o seu segredo. E ele não podia sequer imaginar causar sofrimento a Carla... Por momentos, lamentou-se por ter esgaravatado aquele assunto:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Se eu não tivesse perguntado, se não tivesse insistido, não saberia de nada e não estaria agora neste dilema... Quem me mandou a mim?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas logo se convenceu de que era melhor assim do que viver eternamente na dúvida e deixar-se enganar apenas para poder continuar a viver a sua vida pactuando com a mentira, uma mentira que era preciso terminar dalguma forma, apesar de ser uma mentira fruto do medo, da insegurança e da inexperiência e por isso desculpável.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Negar um pai a um filho e um filho a um pai não é uma mentira desculpável!", indignou-se logo de seguida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Continuou com estes pensamentos antagónicos até pouco depois das oito, em que foi arrancado ao seu mundo pelo som do telefone de casa. Atendeu e ouviu a voz de Miguel, que nem precisou de dizer por que ligava; Ricardo lembrou-se imediatamente de que tinha combinado jantar com o amigo. Tentou desmarcar, mas Miguel insistiu, afirmando que precisava mesmo de falar consigo e que não podia ficar para outro dia, pois nem andava a dormir bem. Ricardo lembrou-o de que ainda estava em convalescença depois do prolongado internamento e das operações a que fora sujeito por causa do acidente, mas nem assim conseguiu demovê-lo, pelo que acabaram por combinar encontrar-se daí a meia hora no restaurante onde costumavam jantar quando queriam conversar só os dois.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O dito restaurante ficava situado em frente ao mar e era relativamente pequeno. Tinha as paredes, pintadas dum tom laranja esbatido, enfeitadas com recordações das múltiplas viagens que o dono fizera pelo mundo fora.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3449376794753662785?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3449376794753662785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3449376794753662785' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3449376794753662785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3449376794753662785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/11/48.html' title='48'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3642279574954556059</id><published>2007-10-30T21:24:00.000Z</published><updated>2008-03-22T21:12:49.919Z</updated><title type='text'>47</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A mão de Ricardo ainda segurava a sua, quando Carla a apertou suavemente. Então, antes que ele pudesse dizer alguma coisa, ela começou a falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Fui da turma do Miguel do nono até meio do décimo primeiro ano. Eu era o patinho feio do Colégio: era magrinha, desengonçada, e não tinha cuidado com o que vestia. Para tu veres, nesse tempo todo só fiz uma amiga, a Francisca, e foi já no início do décimo primeiro. Mas antes disso, ainda antes do fim do nono ano, se não estou em erro, o teu amigo achou por graça colocar-me uma alcunha, a “Freira”, e a coisa pegou. A princípio, ainda disfarçavam, chamavam-me pelo nome à minha frente e referiam-se a mim pela alcunha quando eu não estava, mas a certa altura passou mesmo a ser declarado, e das poucas vezes que ele se dirigia a mim chamava-me aquilo. Éramos os melhores alunos da turma, e havia uma certa rivalidade, embora que disfarçada, mas ele ganhava na maioria das vezes. Ainda assim, e sem saber muito bem como, apaixonei-me por ele. O Miguel era o sonho de todas a raparigas do Colégio, e eu não era excepção. –, Dizendo isto, Carla fez uma pausa e, ao olhar Ricardo nos olhos, apercebeu-se de como tudo aquilo o estava a magoar, mas sabia que já não havia volta a dar e teria de ir até ao fim, pelo que continuou: – Foi na Festa de Carnaval do décimo primeiro ano que tudo aconteceu. Estavam todos eufóricos, era a primeira festa fora do Colégio que nos era permitido fazer. Eu não queria ir, mas a Francisca insistiu tanto que lá acabei por ceder. Quando lá cheguei fiquei maravilhada. Tinha dezasseis anos e nunca havia entrado numa discoteca. Bebi um pouco, e, como não estava habituada, fiquei logo demasiado alegre. Dancei muito, e já quase no fim da festa ouvi-o chamar o meu nome. Até àquele momento ele nunca tinha dito o meu nome; eu tinha sido sempre “a Freira”. Estendeu-me a mão e eu, sem saber muito bem porquê, estendi-lhe a minha. Levou-me para fora dali e beijou-me e eu nem queria acreditar que aquele com quem todas as raparigas do Colégio sonhavam estava ali comigo, a beijar-me! Senti-me a rapariga mais sortuda e feliz do mundo. Fui uma tonta e deixei-me ir. Tenho consciência de que a culpa não foi só da bebida e não penses que me furto às minhas responsabilidades. No dia seguinte fui falar com ele, mas ele disse-me que não se lembrava de nada. Fiquei desfeita, mas o pior ainda estava para vir um mês e meio depois: estava grávida e o Miguel nem se lembrava do que tinha acontecido entre nós. Os meus Pais foram fantásticos e eu fui viver para Lisboa e em Novembro o Tomás nasceu. O resto já tu sabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio caiu sobre eles como um manto negro e pesado que os sufocava. Foi Ricardo quem o quebrou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ele tinha o direito de saber… Ainda tem. E o Tomás tem o direito de conhecer o Pai, não achas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Acho, mas tenta colocar-te no meu lugar. Eu tinha de proteger o meu Filho. O Miguel ia rejeitá-lo; ele não se lembrava de nada. Tu conhece-lo melhor do que eu; sabes bem como a opinião dos amigos era importante para ele. Achas mesmo que ele iria assumir que tinha ido para a cama com a “Freira” e que ia ser Pai do Filho dela??? Ora, Ricardo, nem tu acreditas nisso… – e dizendo isto, deixou-se cair novamente nas almofadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Talvez tenhas razão, mas eu não sei o que pensar. O Miguel é o meu melhor amigo e o Tomás é a cara dele e tu és a mulher que eu amo… O que é que eu faço, Carla? Dizes-me o que é que eu vou fazer, para além de enlouquecer? – o desespero na voz de Ricardo era assustadoramente doloroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carla voltou a pegar na mão de Ricardo e este, num impulso, abraçou-a com força, como se tivesse receio de a perder no momento em que a soltasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não te quero perder… – sussurrou-lhe ele ao ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu também não te quero perder, Ricardo. Mas também não quero perder o meu Filho… – respondeu-lhe Carla, perguntando de seguida – Vais contar-lhe, não vais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo tapou o rosto com as mãos e sentou-se na cama, baixando de seguida a cabeça. Carla aproximou-se e percebeu que ele já não era, naquele momento, capaz de conter a dor e que dos seus olhos brotavam lágrimas de desespero. Com cuidado e carinho abraçou-o e choraram juntos. Quando se afastaram, Ricardo limpou o rosto, olhou-a com uma expressão indecifrável, como se estivesse a despedir-se dela e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não sei ainda o que vou fazer. Tenho de pensar muito bem. Depois ligo-te, mas agora tenho de ir arejar a cabeça e colocar as ideias no lugar. Desculpa. – levantou-se e dirigiu-se à porta da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carla seguiu Ricardo e quando estava à porta de sua casa ele olhou-a e abraçou-a mais uma vez, beijando-a de uma forma intensa e apaixonada, e saindo de seguida. Quando a porta se fechou, Carla sentou-se no chão e chorou até que as lágrimas secassem. Acabava de perder o homem que amava e tinha plena consciência disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3642279574954556059?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3642279574954556059/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3642279574954556059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3642279574954556059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3642279574954556059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2008/01/47.html' title='47'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-2551516264864173512</id><published>2007-10-25T19:41:00.000+01:00</published><updated>2008-03-22T21:12:23.832Z</updated><title type='text'>46</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eram quase 13 horas e Ricardo devia estar mesmo a chegar. Carla sentia-se ansiosa. Qualquer coisa na mensagem de Ricardo a havia deixado inquieta. O que teria acontecido para que a palavras dele fossem tão distantes e frias? Não conseguia cogitar o que quer que fosse que pudesse justificar tal atitude. Estava confusa. Se, por um lado, queria afastar-se de Ricardo e parecia estar perante a oportunidade de que estava à espera, por outro sentia que poderia estar a perdê-lo naquele entretanto e isso deixava-a assustada. Aquele homem parecia significar mais para ela do que havia imaginado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu o telemóvel vibrar e viu o nome dele a piscar no visor. Já estava pronta e não se demorou a descer. Entrou no carro e ficou expectante. Ricardo deu-lhe um beijo suave nos lábios, e arrancou. Ficaram em silêncio todo o caminho. Andaram imenso tempo e Carla teve a sensação de andar em círculos. Parecia que Ricardo não sabia muito bem para onde ir. De qualquer forma, não se admirou quando pararam à porta de sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já deves ter percebido que precisamos de conversar sobre um assunto muito sério. Depois de andarmos às voltas percebi que o único local onde poderíamos conversar seria em tua casa. E já vais perceber porquê. - disse Ricardo, quebrando, finalmente, o silêncio, para continuar de seguida, - Só queria pedir-te que mantivesses o Tomás longe de casa. Vamos ter uma conversa de adultos e não gostava que ele ouvisse. Gosto muito dele, sabias? -, e dizendo isto acariciou-lhe o rosto e beijou-a mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem perceber o porquê daquele pedido estranho, Carla telefonou ao Pai pedindo-lhe que fosse buscar Tomás ao colégio, dizendo que passaria em sua casa para o ir buscar, mais tarde. Saíram do carro e subiram. Quando Carla fechou a porta atrás de si, viu que Ricardo a olhava de uma forma estranha e intensa. Aquele não era o homem por quem se havia apaixonado. O seu olhar estava triste e, quase se arriscava a pensar que, magoado, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ricardo começou a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho pensado muito nos últimos tempos. Podia estar aqui com rodeios, explicar-te os porquês das minhas dúvidas, dizer todas as coisas que me dei a trabalho de ensaiar na última noite, mas só há uma forma de saber o que quero, de esclarecer de uma vez as dúvidas que me assolam, e de perceber se sou, ou não, um homem livre para te amar. -, dizendo isto Ricardo respirou fundo e formulou a pergunta, - O Tomás é filho do Miguel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carla sentiu que o chão se abria sobre os seus pés. Parecia que um buraco negro a sugava para a escuridão imensa do infinito. Sentiu a sua mente ser invadida por uma quantidade indescritível de perguntas e depois o nada. Deixou de ver, deixou de ouvir, perdeu as forças nas pernas, e desmaiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou estava deitada na sua cama, com Ricardo a seu lado, a segurar-lhe na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás bem? -, perguntou-lhe ele num tom preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou um pouco tonta, mas estou bem. Ricardo… -, preparava-se para dizer algo mais, mas Ricardo colocou-lhe o dedo sobre os lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Descansa. Conversamos depois. -, disse-lhe ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Temos de conversar agora. Fizeste-me uma pergunta directa, e eu tenho de te responder. Mas peço-te que me ouças até ao fim, e que não me julgues antes de eu ter terminado. -, quando Carla disse estas palavras, Ricardo percebeu o que se lhes seguia e foi com uma dor imensa no peito que escutou as que de seguida saíram da boca da mulher que amava, - Sim, o Tomás é filho do Miguel… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-2551516264864173512?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/2551516264864173512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=2551516264864173512' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2551516264864173512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2551516264864173512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2008/01/46.html' title='46'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1441625339592971711</id><published>2007-10-23T17:05:00.000+01:00</published><updated>2008-01-01T18:43:35.095Z</updated><title type='text'>45</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Inquieto demais para conseguir voltar a adormecer, Miguel levantou-se da cama e dirigiu-se à cozinha. Precisava de um copo de leite quente para aclamar a inquietude que havia surgido dentro de si ao pensar em Margarida. Aqueles pesadelos que o atormentavam e o faziam colocar em causa que tipo de pessoa seria por os ter já há muito haviam desaparecido. E, por isso mesmo, há algum tempo que não se demorava a pensar nela. Mas aquela inquietude inesperada incomodava-o.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Chama-se consciência, meu caro”, acusou-se a si mesmo, continuando: “Foste rude e bruto na forma que falaste com ela e agora pesa-te a consciência. Essa é que é essa.”. “Isso é um disparate!”, respondeu a si próprio, “Ela merecia ouvir aquilo tudo e muito mais. A Margarida deixou-me quase desfeito e tudo o que lhe disse foi pouco, porque no fundo sei que não a magoei nem um terço do que ela me magoou a mim. Se voltasse atrás fá-lo-ia novamente.”. No mesmo instante que pensou aquelas palavras, Miguel sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. “Estou a ficar doido...”, pensou para consigo mesmo antes de beber o seu copo de leite e regressar ao quarto para mergulhar, de novo, nos lençóis. &lt;p align="justify"&gt;As horas passaram e quando Miguel se deu conta já era de manhã. Pegou no telemóvel e telefonou a Ricardo. &lt;p align="justify"&gt;- Bom dia! Oh Ricardo, almoça comigo! Acho que estou a ficar doido... – disse Miguel assim que Ricardo atendeu o telemóvel. &lt;p align="justify"&gt;- Não sei se posso… Tenho uma questão muito importante para resolver, mas podemos jantar. – respondeu Ricardo, sem sequer lhe dar hipótese de replicar. &lt;p align="justify"&gt;- Está bem. Já que o que tens para resolver é assim tão importante, eu espero até ao jantar. Mas não te cortes, Ricardo, preciso mesmo de conversar contigo. À tarde telefono-te para combinarmos as horas e o sítio. Até logo. – dizendo isto, desligou o telemóvel, pensando para consigo: “Este gajo está sempre com a cabeça metida no trabalho. Então nos últimos tempos tem sido abusivo.” &lt;p align="justify"&gt;Em sua casa, Ricardo olhava para o telemóvel e tentava decidir se telefonava naquele momento a Carla ou se deixava para mais tarde. Resolveu enviar-lhe uma mensagem escrita, não fosse dar-se o caso de ela ainda estar a dormir. &lt;p align="justify"&gt;Quando o telemóvel deu sinal de nova mensagem, Carla olhou-o meio a medo: só podia ser Ricardo. Tinha prometido a si mesma na noite anterior que não iria permitir mais nenhum tipo de contacto com ele, só que não foi capaz de resistir ao impulso de ler a mensagem. No entanto, ao fazê-lo tremeu, não pelas palavras doces e apaixonadas de Ricardo, mas sim pela frieza e secura das mesmas. &lt;p align="justify"&gt;“Precisamos de conversar. Vou buscar-te a casa às 13hs para almoçarmos. R.” &lt;p align="justify"&gt;De modo automático, sem pensar no que estava a escrever, Carla respondeu-lhe da mesma forma seca e fria: “Combinado. Até logo.”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1441625339592971711?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1441625339592971711/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1441625339592971711' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1441625339592971711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1441625339592971711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/11/45.html' title='45'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-4231455050432015060</id><published>2007-10-18T21:56:00.000+01:00</published><updated>2008-01-06T20:48:43.188Z</updated><title type='text'>44</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Mas o que é que me deu? Só posso estar a perder completamente a noção da realidade. Isto não pode ser… Não posso voltar a vê-lo. Ceder a impulsos nunca foi o meu forte, e sempre que o fiz as coisas não correram bem. Não pode ser”, pensava Carla de si para consigo mesma enquanto abria a porta do prédio, depois da despedida de Ricardo, que a trouxera de volta depois do encontro sobre o Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia que havia cedido a uma fraqueza, termo que, em boa verdade, usava para se convencer a si mesma de que o que sentia por Ricardo nada mais era do que uma simples atracção física. Era impensável, sequer, considerar a hipótese de que se havia apaixonado por ele. Não podia ser. Os últimos dois dias tinham sido uma loucura, momentos que sabia não poderem repetir-se. Só não sabia até quando teria força para resistir à vontade de voltar a perder-se nos braços de Ricardo e esquecer o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia-se tão perdida e tão sozinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em casa, e depois de espreitar Tomás, que dormia descansado e tranquilo, dirigiu-se à sua casa de banho, despiu-se, abriu a porta da cabine de duche e entrou. Já lá dentro, abriu a água quente e deixou que ela escorresse sobre o seu corpo, como se quisesse apagar da sua alma tudo o que sentia. Com a água a escaldar a escorrer-lhe pelo corpo, Carla fechou os olhos e deixou-se levar pelas recordações. Retrocedeu no tempo e reviveu, por breves instantes, a festa de Carnaval e tudo o que se lhe seguiu. Depois pensou em Ricardo e chorou. À medida que o conhecia mais, ele ia derrubando as suas muralhas e fazendo com que o sonho de ser feliz e construir uma família maior ganhasse contornos de realidade. Ricardo e Tomás pareciam entender-se às mil maravilhas, como se fossem pai e filho, mas não eram. O pai de Tomás era Miguel e essa verdade jamais a deixaria ser feliz com Ricardo. Nesse instante percebeu que o que sentia por ele não poderia, simplesmente, ser vivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do duche mais calma e com a certeza de que a decisão correcta para todos só poderia ser aquela. Quando chegou ao quarto olhou para o telemóvel e viu que tinha uma mensagem escrita. Pensou em não abrir. Sabia ser de Ricardo. “Qual é o mal?”, questionou-se a si mesma, “Afinal não vou voltar a vê-lo. É uma espécie de despedida…”, tentou convencer-se a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gosto muito de ti!!! E não te quero perder… Beijo enorme e dorme bem ***”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler a mensagem de Ricardo, sentiu-se ficar sem forças e deixou-se cair em cima da cama. Era imperativo afastar-se. Não podia voltar a vê-lo. Só não sabia como lidar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua casa, Ricardo debatia-se com um dilema semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Só posso estar a ficar doido. Só posso. Depois da conversa com o Filipe, como é que eu me fui deixar ir numa destas. Já não sou nenhum puto. Tenho é de ter juízo, deixar-me de paixões e pensar no que é realmente importante. O Miguel é o meu melhor amigo. O Tomás é, quase de certeza, filho dele. E se essa ténue dúvida se consolidar em certeza, ele tem o direito de saber que tem um filho fantástico como o Tomás. Amanhã vou falar com a Carla. Tem de ser. Ela vai ter de me contar a verdade. E depois, consoante o que resultar da nossa conversa, vou falar com o Miguel.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poucos quilómetros dali, Miguel acordava inquieto. No dia seguinte voltaria ao trabalho, e sentia-se ansioso para regressar ao “seu pequeno mundo”, como Margarida costumava chamar ao seu gabinete na empresa. Pensou em Margarida e sentiu um aperto no peito. Há algum tempo que não sabia nada dela. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-4231455050432015060?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/4231455050432015060/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=4231455050432015060' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4231455050432015060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4231455050432015060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/11/44.html' title='44'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-388603378506640459</id><published>2007-10-16T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:27:40.135Z</updated><title type='text'>43</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ricardo esqueceu a conversa com Filipe, as dúvidas que pairavam sobre aquela relação, esqueceu tudo e apenas correspondeu ao beijo de Carla, envolveu-a nos seus braços e os dois assim permaneceram durante alguns minutos, apenas se beijando e esquecendo o mundo à sua volta. &lt;p align="justify"&gt;Quando os seus lábios finalmente se apartaram, Ricardo encaminhou Carla para o seu carro enquanto esta lhe falava das saudades que tivera desde a última vez que o vira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Mas foi ontem ao jantar! – exclamou Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E então? Já se passaram mais de vinte e quatro horas! – retorquiu Carla, metendo-lhe o braço no seu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sabes que mais? Também morri de saudades tuas... – disse Ricardo com sinceridade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla abraçou-se a si e voltaram a beijar-se. Ricardo abriu-lhe a porta do carro e, depois de Carla entrar, ele contornou o carro e entrou para o lado do condutor. Girou a chave na ignição e arrancou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– A cidade não é bonita, à noite? – perguntou Carla, enquanto espreitava pela janela.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– De noite ou de dia, o Porto é sempre magnífico. E então quando estamos na companhia certa... – respondeu Ricardo e a escuridão dentro do carro não deixou ver Carla a corar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Desceram até à Ribeira e Ricardo estacionou no Parque do Infante. Saíram do Parque e Carla perguntou onde iam. Ricardo não respondeu. À insistência de Carla, murmurou apenas ao seu ouvido, enquanto o seu braço esquerdo a prendia pela cintura:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– É uma surpresa...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Virando as costas à estátua do Infante D. Henrique, desceram até junto do Rio Douro e junto a ele caminharam, atravessando a Praça do Cubo, como é conhecida, até quase junto à Ponte Luís I. Debaixo das duas colunas que marcam o local onde uma vez existiu a Ponte Pênsil, desceram umas escadas de madeira e estavam num terraço em pedra mesmo sobre o Rio, onde existia uma esplanada. Disse então Ricardo:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Achei que ias gostar de tomar café suspensa sobre a água. Acertei?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Oh, Ricardo! Isto é maravilhoso! Estamos mesmo no meio do Rio! E a Ponte mesmo aqui ao lado!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Beijaram-se novamente e seguidamente caminharam até à extremidade da esplanada, ocupando a mesa mais afastada da margem e mais junto à Ponte.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A empregada era bastante gorda, mas simpática e bastante eficiente. Trouxe-lhes as bebidas em menos de nada e retirou-se, deixando a esplanada vazia para além de Ricardo e de Carla. Esta levantou-se e desculpou-se, dizendo que precisava de ir ao quarto de banho.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Enquanto Carla se encontrava no quarto de banho, a conversa da tarde com Filipe veio de novo à memória de Ricardo, mas este afastou-a. Não ia deixar essas preocupações estragar aquele momento, que queria só para si e partilhado apenas com Carla. “Estarei a fazer a coisa certa?”, questionou-se. Não teve tempo de encontrar a resposta, porque entretanto Carla reapareceu e Ricardo, observando-a enquanto ela atravessava a esplanada por entre as mesas vazias, sentiu-se levitar acima do chão enquanto se esvaziava das preocupações que o tinham assolado ainda há uns segundos. Era esse o efeito inebriante de Carla. Não havia dúvidas: estava apaixonado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-388603378506640459?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/388603378506640459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=388603378506640459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/388603378506640459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/388603378506640459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/10/43.html' title='43'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-6338495884208453011</id><published>2007-10-11T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:27:25.067Z</updated><title type='text'>42</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Caiu um silêncio algo incómodo entre os dois. Filipe não sabia o que dizer e Ricardo estava mergulhado nos seus pensamentos. Lembrou-se do bilhete que escrevera a Carla no bar assinando com o nome de Miguel e viu que também isso encaixava: “Ela não lhe ligou porque não quer voltar a envolver-se com ele depois da história do Tomás.”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Faz sentido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Que disseste? – indagou Filipe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Nada, nada! Estava aqui a pensar alto...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Pois então, já que já fiz os meus estragos, acho que é a minha deixa para ir embora; a não ser que queiras que fique.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não, não é preciso, Filipe. Eu agora preciso mesmo dum tempo para pensar no que vou fazer à minha vida. Obrigado por tudo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Levantaram-se e Ricardo acompanhou Filipe à porta do apartamento. Depois de Filipe sair, Ricardo correu ao telefone e marcou o número de Carla:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Estou? Olá, Ricardo! – atendeu ela do outro lado, com voz jovial.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Olá, Carla. Tens um tempo para mim hoje? – Ricardo esforçou-se por não deixar transparecer na voz o que lhe ia na alma.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Hum... Depende de para que for... – notou-se uma certa marotice na sua voz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Para jantar é capaz de já estar um bocado em cima da hora... Tomamos um café depois? Onde tu quiseres – disse Ricardo rapidamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Pode ser, mas escolhe tu o sítio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Então vou fazer-te uma surpresa...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo desligou então o telefone e foi para a cozinha preparar o jantar, mas a sua cabeça continuou na sala a ouvir as palavras de Filipe. “Eles saíram juntos da festa e só Deus sabe o que fizeram a seguir.“ Cortou-se enquanto preparava a salada. “Meu... estás metido numa embrulhada descomunal!” Queimou-se com a tampa da panela. “O que é que vais fazer, Ricardo?”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não sei! Não faço ideia do que fazer à minha vida!!!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Deu-se conta de que estava a gritar para os azulejos brancos rectangulares que cobriam as paredes da cozinha e deu-se também conta de que lhe cheirava a queimado:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– O bife! – exclamou, saltando para a frente do fogão. Apagou-o imediatamente e tirou a sertã de cima do disco, mas a perda era já total. Aborrecido e sem vontade de grelhar outro bife, saiu para jantar no restaurante da esquina.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo chamava-lhe o restaurante da esquina por nunca se lembrar do nome do estabelecimento e por este, de facto, ficar na esquina do prédio ao lado do seu. No mesmo ambiente em tons de vermelho serviam-se pratos da cozinha italiana e da argentina. O balcão, ao fundo, era de madeira castanha escura e tinha um empregado barbudo e não muito simpático, mas comia-se bem, rápido e barato, pelo que era uma boa alternativa para quando Ricardo não se sentia com vontade de cozinhar e não queria gastar muito tempo a jantar. As mesas eram quadradas e estavam cobertas com toalhas brancas. Apenas uma, para além daquela, junto à porta, onde Ricardo se sentou, estava ocupada, por um casal que ele reconheceu de se cruzarem no elevador do prédio onde todos moravam.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Hoje em dia, é possível conhecer pessoas do outro lado do mundo, mas não conhecemos os nossos próprios vizinhos, que moram em frente a nós ou, no máximo, a um andar de distância. E, se os conhecemos, é sinal de que nos pegámos com eles por questões do condomínio. Assim vai a vida moderna...” Para afastar os pensamentos depressivos, Ricardo concentrou-se na ementa e acabou por pedir um bife igual ao que tentara cozinhar em casa. Depois de efectuar o pedido, continuou a olhar distraidamente para a ementa, mas a sua ideia estava de novo com Carla, donde saltitava periodicamente para Tomás e Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de jantar, regressou a casa, trocou de roupa e eram horas de sair para ir ter com Carla. Ainda não tinha decidido o que ia dizer-lhe quando chegou à porta do seu prédio e tocou à campainha. Ela demorou pouco a descer e, mal abriu a porta, abraçou Ricardo e beijou-o intensamente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-6338495884208453011?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/6338495884208453011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=6338495884208453011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6338495884208453011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6338495884208453011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/10/42.html' title='42'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1035751954444532724</id><published>2007-10-09T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:39:54.163Z</updated><title type='text'>41</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Hesitante, Ricardo dirigiu a Filipe um olhar carregado de nervosismo e dúvida. Eram amigos há anos e sabia que podia confiar nele como em si mesmo, mas algo o travava. Como lhe contaria que havia conhecido Carla daquela forma imprevisível e que, de modo ainda mais inesperado, se havia apaixonado por ela em menos de nada? Como explicaria ainda que Carla tinha um filho que era assustadoramente parecido com Miguel e que desconfiava que pudesse ser de facto filho do seu melhor amigo? Foi trazido à realidade pela voz firme de Filipe:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não desconverses, meu! Por que te lembraste disto agora e, pior, por que falaste comigo ao telefone como se disso dependesse a tua vida?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Eia, que exagero! Não é assim nada de especial. – Optou por meia verdade: – É que encontrei a Freira por acaso (daí saber que ela se chama Carla e achar que já não temos idade para continuar a usar essas alcunhas idiotas dos tempos da escola) e depois pus-me a recordar os tempos em que ela andou no Colégio e fiquei com a pulga atrás da orelha a respeito dessa festa. Como o Miguel é o meu melhor amigo, quis tirar isso a limpo e, como sabia que tu estavas lá também e também conheces o Miguel, achei que talvez te lembrasses, visto que da memória dele se pode esperar tanto como da minha...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Filipe não disse nada, mas o seu rosto deixou transparecer um certo cepticismo. Para evitar mais perguntas, Ricardo atirou:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Agora conta-me tu a tua viagem lá pela Escandinávia! E fala-me das suecas, pá! Fala-me das suecas!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Olha, deixa-me que te diga que estes suecos são doidos...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Então? – admirou-se Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Aluguei um carro para ir para a sede da empresa. Em conversa, disse ao homem que tinha de ir até Oskarshamn.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Aonde!? – estranhou Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– É a terra onde fica a sede lá da empresa com que estive a negociar. Mas pronto, eu digo-lhe que tenho de lá ir e responde-me ele: “vai gostar muito; o percurso tem uma natureza muito bonita”. E durante as cinco horas de viagem para cada lado tudo o que vejo são árvores e mais árvores à direita e à esquerda!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Linda paisagem, sem dúvida! – riu-se Ricardo. – Olha, queres comer qualquer coisa? Nem te ofereci nada...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não, não, obrigado! Quero é que me contes a verdade, porque não gostei do teu tom de voz na mensagem que me deixaste no atendedor de chamadas, não gostei da tua expressão quando nos encontramos há pouco e estou a gostar muito pouco do facto de estares a tentar enrolar-me. Fala de uma vez, Ricardo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aí, Ricardo percebeu que não tinha mais por onde fugir. Fixou o olhar na janela e começou a falar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Aqui há uns tempos, pouco mais de dois meses, tive um acidente de carro; uma coisa estúpida. Eram dez da manhã e estava furioso porque tinha tido mais uma daquelas discussões absurdas com a Beatriz. De tão distraído que estava, nem me dei conta de que o semáforo tinha ficado vermelho e não parei. Quer dizer, parei contra o carro dela; foi então que a conheci. Era bonita, de uma beleza simples, mas confesso-te que, na altura, só vi nela uma oportunidade de engate, nada muito sério; até comentei isso com o Miguel, para ver se o fazia esquecer a Margarida. A Carla... – percebendo que Filipe se preparava para dizer algo, Ricardo pediu-lhe que o deixasse terminar de falar, e continuou: – Como a culpa do acidente tinha sido inegavelmente minha, assumi toda a responsabilidade naquele momento e trocamos os nossos contactos para resolvermos as questões referentes ao acidente. No próprio dia convidei-a para jantar, mas acabámos por combinar para o dia em que o Miguel teve aquele acidente no qual se partiu todo, e acabei por deixá-la pendurada por causa disso. Quando consegui jantar com ela descobri que afinal sentia algo mais por ela. Nos dias seguintes, não me saía da cabeça o tempo todo! Tinhas de conhecê-la para perceber... Fiquei completamente encantado. Só que entretanto descobri também que ela tem um filho de seis anos, o Tomás, um miúdo incrível, muito esperto e vivo... E muito parecido com o Miguel... Entendes agora o porquê de toda a minha preocupação e curiosidade? Pelas minhas contas o Tomás foi concebido por altura daquela malfadada festa de Carnaval – dizendo isto, Ricardo calou-se e desviou o olhar da janela, para fixar o rosto de Filipe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao olhar o amigo, Ricardo percebeu que Filipe estava confuso e estupefacto com o que acabar de escutar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Então estás a dizer-me que achas que o Miguel pode ser o pai do filho da Freira? Desculpa... da Carla? E estás a dizer-me que estás apaixonado por ela? Meu... estás metido numa embrulhada descomunal! O que é que vais fazer, Ricardo? – perguntou Filipe em jeito de conclusão.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo sentia-se perdido. Não tinha certezas, nem poderia tê-las. Mas tudo indicava que Tomás era mesmo filho de Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não sei, Filipe. Juro-te que não sei. Se o Miguel for mesmo o pai do Tomás, tem direito de saber. Se eu lhe conto, perco a Carla para sempre. Estou, literalmente, entre a espada e a parede... – dizendo isto, deixou-se cair novamente no sofá.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Nem sei que te diga, meu amigo. Não queria estar na tua posição. Mas olha, se queres um conselho, fala com ela primeiro. Se se confirmar, então falas com ele. É muito arriscado dizer qualquer coisa ao Miguel sem certezas. Nunca se sabe como ele pode reagir e, se não for verdade, crias uma confusão tremenda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Tenho de pensar muito bem no que vou fazer. Se bem que, juntando as peças todas do puzzle, não me parece restarem muitas dúvidas. As minhas suspeitas confirmam-se um bocadinho mais a cada dia que passa. O Tomás é mesmo filho do Miguel. Porra...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1035751954444532724?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1035751954444532724/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1035751954444532724' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1035751954444532724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1035751954444532724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/10/xli.html' title='41'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-700622758886398382</id><published>2007-10-04T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:38:27.441Z</updated><title type='text'>40</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;– Oh Ricardo, não sejas anjinho. Então não te lembras do escândalo que foi o simples facto da Freira, que era sempre casa-escola-escola-casa, ter aparecido na festa!?A miúda foi o centro das atenções o tempo todo! Agora soma dois mais dois...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não foi preciso Filipe dizer mais nada, pois Ricardo completou imediatamente o esquema que o amigo acabava de lhe traçar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Mas então, se toda a gente sabia, como é que o Miguel dizia que não se lembrava e ninguém lhe disse que era verdade, lembrando-se ele ou não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Agora, sim, fizeste a pergunta certa – respondeu-lhe Filipe. – Como te disse, o Miguel veio falar comigo contando-me o que a Freira...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Carla – corrigiu Ricardo instintivamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Para mim há-de sempre ser a Freira; nem sei como te lembraste agora de lhe chamar Carla. Mas adiante! O importante para a história é que, por sorte, quando o Miguel ia a sair com a Freira, ou Carla, ou o que quiseres chamar-lhe, houve dois tipos que se pegaram à pancada no meio da pista de dança; não me perguntes porquê, porque acho que nem na altura cheguei a saber (eu estava cá em cima, no varandim). No alvoroço de separá-los e acalmá-los (ou simplesmente observar, que já se sabe que nestas situações há sempre um bando de mirones prontos a espicaçar), o Miguel acabou por sair com a dita cuja relativamente despercebido. Acho que só nós – eu e a malta que estava comigo lá no andar de cima – é que demos conta e, logo a seguir, jurámos não contar nada a ninguém, para não prejudicar a fama do Miguel no Colégio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Fama!? – exclamou Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, fama! Já viste o que aconteceria à reputação do Miguel no Colégio se se soubesse que ele tinha saído da discoteca com o camafeu da Freira, a quem, de resto, tinha sido ele o primeiro a dar esse nome!? Claro que hoje isto parece um disparate, mas pensa: para miúdos do Secundário, isto era um assunto gravíssimo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, entendo o que queres dizer. Quer dizer que vocês fizeram tudo por abafar a coisa...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Isso mesmo...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E conseguiram! Nem eu, o melhor amigo dele, soube de nada...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Nem ele, o principal implicado, soube de nada, queres tu dizer!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Hã!? – exclamou Ricardo, intrigado. Filipe explicou:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– O Miguel estava bêbado e, pelo visto, não se lembrava de nada do que se tinha passado naquela noite; pelo menos, não do essencial. De modo que, quando a Freira foi ter com ele num intervalo no primeiro dia depois do feriado, ele não percebeu o que estava a passar-se e não entendeu a atitude dela. Quando ele me contou, eu associei logo tudo, mas também não lhe disse nada. Limitei-me a insinuar que era um pedido de namoro da Freira saído do nada e ele engoliu o isco que nem um peixinho...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Porquê!? – interrompeu Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Já que ele não se lembrava, não valia a pena estar a remexer na lama, não achas? De modo que o assunto ficou por ali. Eu e a malta que estava comigo na festa e os viu nunca mais falámos nisso e o Miguel até hoje deve continuar sem se lembrar de nada e a achar que a Freira se atirou a ele descaradamente do nada. – Filipe calou-se por uns instantes, mas logo acrescentou: – Mas vamos lá a saber: para que querias saber isto tudo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo embatucou. “Conto-lhe a verdade?”, questionou-se. Optou por desviar o assunto:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– De certeza que mais ninguém viu?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Houve uns rumores no Colégio, mas nós também nos encarregamos de abafá-los. Na altura dissemos que ela lhe tinha pedido boleia e ele tinha dito que sim, ou vice-versa, eu sei lá. Sei que foi uma história mal amanhada, mas o certo é que pegou e a coisa morreu por ali. Mas ainda não respondeste à minha pergunta...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Qual pergunta? – Ricardo fez-se de desentendido, embora soubesse que não podia continuar o jogo do gato e do rato com Filipe. Mas precisava de ganhar tempo. “Conto-lhe a verdade ou não?”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-700622758886398382?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/700622758886398382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=700622758886398382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/700622758886398382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/700622758886398382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/10/xl.html' title='40'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3055801439542280771</id><published>2007-10-02T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:37:59.960Z</updated><title type='text'>39</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Chegados à porta do apartamento, esperaram uns momentos que Ricardo a abrisse e entraram. Filipe soltou uma exclamação de surpresa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Ainda não tinhas cá vindo depois da reforma, pois não? Sabes como é, com a saída da Beatriz, não me apeteceu continuar a olhar para a mesma decoração todos os dias. Esta mudança foi providencial no que toca de esquecê-la. Acredita que não teria sido tão rápido se tivesse continuado a olhar para todos os objectos que faziam parte da nossa vida a dois – explicou Ricardo, continuando depois, sorridente: – Mas diz lá a verdade, ficou giro, não ficou?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, senhor, ficou muito bem! Contrataste um decorador?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Qual quê!? – exclamou Ricardo, indignado. – Desenhei eu mesmo e escolhi eu os móveis! A única coisa que não foi feita por mim foi o trabalho propriamente dito, porque não tinha como carregar os móveis cá para cima. E, pronto, também não fui eu quem pintou as paredes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, já sei da tua teoria de “cada macaco no seu galho”: tu não pintas paredes e os pintores não administram empresas. Acertei?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo sorriu:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Nunca sei se estás a gozar-me ou se concordas comigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Estou a gozar-te, claro! – respondeu Filipe e riram-se os dois. – Mas diz lá o que querias falar comigo, porque eu estou curiosíssimo e também preocupado. Nunca te vi tão apoquentado!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Primeiro, deixa-me mostrar-te o resto do apartamento; também não tem assim tanto que se lhe diga, e depois sentamo-nos aqui e falamos, pode ser?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Filipe anuiu, pelo que viram rapidamente a nova decoração das quatro divisões que faltavam, incluindo o quarto-de-banho. Em cada uma, Filipe ia comentando o que via. Apreciou as paredes salmão do quarto de Ricardo (“mantiveste uma cama de casal, seu malandro”), o estilo moderno do escritório (“sabes que os ratos ópticos não funcionam sobre mesas de vidro? vais precisar dum tapete para o teu”), a mobília funcional da cozinha (“isto é mesmo mármore ou é a fingir?”; “é mesmo”), terminando, já de volta à sala, por dizer:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Mas do que eu gosto mesmo é da vista. Ai, o que eu dava para morar em frente ao mar... E então que me querias?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Senta-te, que eu explico.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sentaram-se os dois nos sofás novos e Ricardo começou a falar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sabes o Miguel?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sei, sim. Já não o vejo há uns tempos; que é feito dele?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Por acaso, não anda muio bem. Vê lá tu que teve um acidente de carro e partiu-se todo, coitado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo contou então por alto o acidente de Miguel e as suas consequências, fazendo o ponto da situação ao estado actual do amigo, mas tendo o cuidado de omitir as causas do mesmo. De qualquer forma, Filipe deu-se por satisfeito com a informação fornecida e não fez mais perguntas. Ricardo prosseguiu então:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Agora vou puxar pela tua memória, já que a minha não dá para mais... Lembras-te daquela festa de Carnaval no Colégio, quando nós estávamos no décimo segundo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, lembro-me, e, para começar, lembro-me de que não foi no Colégio... E também me lembro de por que é que tu não te lembras de mais nada... – os seus lábios contorceram-se num sorriso quase imperceptível à medida que dizia estas palavras.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, não foi no Colégio, isso ainda sei. O que eu já não sei é o que lá se passou e preciso de que me contes o que saibas a respeito do Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Como assim? – estranhou Filipe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Oh pá! Indo directo ao ponto: o Miguel curtiu com alguém nessa noite?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Que raio de pergunta, oh Ricardo! Que é que isso interessa agora, passados tantos anos?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Interessa muito... Lembras-te da Freira?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Filipe mexeu-se no sofá ao ouvir falar da Freira:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Oh, se lembro! Alguém esquece essa peça? – dito isto, riu-se, mas o seu risso soou algo desconfortável.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E então?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Então o quê?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– O Miguel e ela?...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Para que queres saber isso agora?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Porque é importante. Eles curtiram? – esta última pergunta saiu em voz mais alta do que Ricardo desejara.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Filipe estremeceu de novo no sofá, em parte devido à elevação da voz de Ricardo, em parte pelo desconforto que a pergunta lhe causava. Ainda que Ricardo fosse o melhor amigo de Miguel, contar-lhe o que sabia podia mudar muita coisa. “E daí, já passaram tantos anos, a reputação do Miguel já não vai ser prejudicada, como achávamos nós que seria nessa altura... Ai, estas loucuras de adolescente, e eu para aqui ainda todo preocupado em quebrar uma jura, que nem jura foi, a bem dizer, feita com dezassete anos!” Decidiu contar tudo:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Mais do que isso: saíram juntos da festa e só Deus sabe o que fizeram a seguir. Quer dizer, além de Deus, a Freira também deve saber, porque estava mais ou menos sóbria, e na Quarta-feira seguinte, que foi quando as aulas recomeçaram depois do Carnaval, procurou o Miguel, achando que namoravam, ou coisa que o valha, mas ele, pelo visto, estava demasiado bêbado para se lembrar... – vendo a cara de Ricardo, reformulou: – Quer dizer, isto é o que eu suponho da junção dos factos. Mas cinjamo-nos a eles: o que é inegável é que o Miguel e a Freira saíram juntos da festa do Colégio, porque eu os vi, e mais não sei. O que sei depois foi o que o Miguel me contou a respeito dumas conversas que ele apelidou de estranhas da Freira na Quarta-feira seguinte a respeito de namorarem.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nesse momento, Ricardo lembrou-se também de que Miguel lhe contara na altura qualquer coisa sobre esse assunto e que ambos se tinham rido do facto, pensando que Carla tinha pedido namoro a Miguel. O seu pensamento começou a divagar e já não estava a prestar atenção ao que Filipe dizia. Este apercebeu-se disso:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Então? Estás com uma cara... O que se passa?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Desculpa, estava aqui a pensar numas coisas... Mas dizes tu que viste o Miguel ir da festa com a Carla?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Carla!? – estranhou Filipe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, a Freira chama-se Carla. Não sabias?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não. Para mim sempre foi a Freira. Mas sim, vi.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E depois o Miguel disse-te que ela foi falar com ele?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Foi isso, estiveste atento ao que eu disse, parabéns – ironizou Filipe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E tu que lhe disseste?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Hum... Isso faz-me voltar à festa. É que eu não fui o único a ver o Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Ai não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Obviamente que não!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Explica-me – pediu Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3055801439542280771?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3055801439542280771/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3055801439542280771' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3055801439542280771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3055801439542280771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/10/xxxix.html' title='39'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-4436497516817708984</id><published>2007-09-27T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:37:34.699Z</updated><title type='text'>38</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Atrapalhado com as suas próprias palavras, Ricardo encontrou a sua escapatória na entrada do Pai de Miguel na sala.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá Tio! Como está? – disse Ricardo, levantando-se, assim que o Pai de Miguel entrou na sala.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá Ricardo! Vai-se andando! Então, já meteste algum juízo na cabeça desse malandro? Imagina tu que diz que assim que começar a trabalhar vai voltar para casa dele.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Papá, já tivemos esta conversa. Não vamos voltar ao mesmo assunto, por favor. Não me quero aborrecer. – disse Miguel, interrompendo o Pai, visivelmente desagradado com o eventual rumo que a conversa pudesse levar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;-Vá, vamos lá acalmar os ânimos e vamos almoçar. Não quero discussões, muito menos com o Ricardo cá em casa.- Disse a Mãe de Miguel para o Marido e para o Filho, dirigindo-se de seguida a Ricardo – Ai Filho, nem imaginas as saudades que eu tenho de quando vocês eram mais miúdos e faziam as vossas algazarras cá em casa. Tinha sempre a casa cheia de vida...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vá lá, Tia, não pense nisso. Nós crescemos, é normal que queiramos ter a nossa casa, o nosso espaço e conduzir a nossa vida. Qualquer dia, quando menos esperar, vai ser a algazarra dos netos que vai ter cá em casa. Vai ver. – e dizendo isto, Ricardo sentiu um aperto inesperado no peito. “Netos”, pensou para consigo mesmo, “Vamos lá ver se já não tem um e nem sabe”. Pensou em Carla e em Tomás, e sentiu vontade de fugir dali, ir ter com ela e esclarecer, de uma vez por todas, as dúvidas que o atormentavam. Mas sabia que não podia. E se aquilo fosse tudo uma grande e curiosa coincidência? E se Tomás não fosse filho de Miguel?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo passou todo o almoço perdido nos seus pensamentos. A certa altura, deu-se conta do olhar interrogativo de Miguel pousado em si. Desviou os olhos e percebeu que não poderia falar com ele. Não ainda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando o almoço terminou, dirigiram-se todos, novamente, à sala de estar, para tomar café. Já num ambiente mais calmo, Miguel falou da vontade que tinha de voltar ao trabalho e da evolução do SOM, no qual havia aplicado grande parte do seu tempo de convalescença.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Embrenhado na conversa, que se havia tornado bastante agradável, Ricardo nem se deu conta quando o seu telemóvel começou a tocar. Ao pegar nele e ao ver o nome de Filipe a piscar no visor, Ricardo sentiu-se petrificar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá! Tudo bem contigo? Pensava que não ias cá estar até ao final da semana... – disse Ricardo a Filipe assim que atendeu a chamada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá! Comigo está tudo bem. Contigo é que parece que não... Era para ficar fora até sexta, mas consegui chegar a acordo com os tipos da empresa sueca mais rapidamente do que estava à espera, e consegui voltar mais cedo. Mas quando cheguei fiquei e ouvi a tua mensagem fiquei preocupado. O que é que se passa, meu?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Falamos pessoalmente. Não é um assunto para falar por telefone. Como estás de tempo, hoje?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tenho o resto do dia e da noite livre. Ainda ninguém sabe que já voltei. Só te liguei porque me deixaste mesmo preocupado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então podes encontrar-te comigo, daqui a meia hora, em minha casa?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Poder posso, mas não se trabalha hoje? – perguntou-lhe Filipe, verdadeiramente preocupado pelo facto de Ricardo deixar o trabalho a meio da semana só para ter uma conversa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Isto é mais importante do que o trabalho. Então ficamos combinados assim. Daqui a meia hora encontramo-nos à porta de minha casa. Até já, um abraço. – depois de se despedir de Filipe, Ricardo despediu-se, também, de Miguel e dos seus Pais.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ficas a dever-me uma conversa... – relembrou-lhe Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Descansa, que essa conversa vai chegar. – respondeu Ricardo, num tom enigmático, antes de sair e fechar a porta atrás de si.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já a caminho de casa, Ricardo começou a pensar na melhor forma de perguntar ao amigo o que precisava de saber. Se tudo aquilo não passassem de meras coincidências, Filipe iria pensar que ele era doido. Teria de ter muito cuidado com as palavras.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Apanhou um trânsito inesperado, e quando chegou a casa já Filipe lá estava, à sua espera. Respirou fundo e saiu do carro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Bem, estás com uma cara... Parece que o mundo vai acabar. Afinal o que é que se passa, Ricardo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vamos subir. Já te explico tudo. Mas, Filipe... esta conversa não pode, em hipótese alguma, sair das paredes da minha casa. Estamos entendidos?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao reparar no semblante carregado de Ricardo, Filipe anuiu e seguiu-o. Ou muito se enganava, ou aquela conversa era de extrema importância para Ricardo. Eram amigos há anos e nunca o havia visto daquela forma. Ficou verdadeiramente preocupado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-4436497516817708984?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/4436497516817708984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=4436497516817708984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4436497516817708984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4436497516817708984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/10/xxxviii.html' title='38'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-8302647401040978347</id><published>2007-09-25T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:36:07.038Z</updated><title type='text'>37</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Beatriz trazia um vestido branco com pintas pretas que lhe assentava primorosamente e parecia delicada como sempre, com o seu passo soberano e a sua pose de princesa de reinos perdidos no fim do mundo. De repente, enquanto atravessava a Avenida da Boavista, tendo à sua frente a Casa da Música, cujas paredes nuas de cimento reflectiam ferozmente a luz branca do Sol, o seu olhar cruzou-se com o de Ricardo, que olhava distraidamente os peões que atravessavam à sua frente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao ver o fundo dos olhos verdes de Beatriz, donde parecia que emanava uma luz misteriosa, Ricardo sentiu-se invadir por um sentimento estranho. Ao mesmo tempo, duas imagens tomaram forma dentro de si – dum lado, Beatriz e a bela história de amor abruptamente interrompida naquele Sábado de Março em que ela saíra de sua casa e da sua vida sem dar qualquer explicação nem sequer olhar para trás; do outro, Carla e tudo o que a sua proximidade o fazia sentir. Ficou tonto por uns momentos, mas logo se recompôs e desviou o olhar. Optou por ignorá-la e nem sequer fez menção de cumprimentá-la – as palavras que ela lhe dissera ao telefone da última vez que tinham falado ainda lhe doíam:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Com o capacete, ela não vai saber se a vi ou não,” tranquilizou-se.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O semáforo tornou-se verde e Ricardo avançou sem olhar para o passeio do outro lado, onde Beatriz parara uns momentos e se voltara para trás, ficando a seguir a sua mota com o olhar. Quando esta se perdeu no trânsito da Rotunda, Beatriz retomou o seu caminho em direcção à entrada do parque de estacionamento subterrâneo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo, por sua vez, continuou o seu caminho e só voltou a parar em frente à casa de Miguel. Apeou-se, deixou a mota junto ao passeio e dirigiu-se para a entrada do prédio, tocando à campainha. Quem atendeu foi a mãe de Miguel, que logo o mandou subir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao entrar no apartamento, Ricardo foi recebido pela mãe de Miguel, que tomou o seu blusão e o pendurou no bengaleiro. Ricardo viu a mesa já posta na sala, mas não viu o amigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Onde está o Miguel? Não deixou aquele malandro sair, pois não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não, claro que não, ora essa! – exclamou a mãe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nisto, Miguel entrou no vestíbulo, sorrindo enquanto metia a sua colherada na conversa:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Eu bem tentei, mas parece que a minha lábia já não é o que era. Ou então a minha mãezinha tornou-se imune aos choradinhos do filhinho... – disse enquanto abraçava a mãe. Depois, virando-se para ela com ar muito sério, acrescentou: – Dona Luísa, isto são modos de receber uma visita? Manter assim uma pessoa de pé na entrada sem a convidar a sentar-se um pouco enquanto o almoço não é servido? Ai, ai, ai, estou a ver que está a esquecer as mais elementares regras de boa educação... – depois, encaminhou Ricardo para a sala de estar enquanto lhe dizia: – Entra, pá, a casa é tua; já lhe conheces os cantos e não há cá cerimónias contigo! O meu pai ainda não chegou, por isso ainda vamos ter de esperar pelo almoço. Não vieste com pressa nem fome, pois não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não, não! Tenho todo o tempo do mundo! – apressou-se a dizer Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Então óptimo, senta-te e podemos conversar um bocado enquanto esperamos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E eu volto já, vocês os dois conspirem à vontade – brincou Luísa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Podes crer que temos muito para conspirar! – exclamou Miguel sorrindo. Porém, ao voltar-se para Ricardo, já não estava tão sorridente:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Então, meu caro, é agora que vais explicar-me tintim por tintim a nossa conversa do outro dia?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo sentiu-se desfalecer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Bem, meu caro, não é nada de importante. Como te disse, é um assunto de mulheres. Depois da Beatriz, ainda não tinha conhecido assim nenhuma extremamente interessante...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Estou a ver que te caçaram – interrompeu-o Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não é nada disso, pá! – exasperou-se Ricardo. – O problema é que esta mulher tem o seu quê. Mas fala-me antes de ti; como te sentes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Lindamente! Para a semana já posso ir trabalhar. E não tarda nada volto a morar na minha casinha, que a minha mãe é muito querida, mas sufoca-me um bocado; tu lembras-te de por que saí de casa, não lembras?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, claro que lembro, e compreendo-te. Provavelmente, na tua situação faria o mesmo. Mas conta-me: a respeito da Margarida há novidades? Voltaste a vê-la ou a falar com ela?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não, nem me interessa muito, sinceramente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Folgo em ouvir isso, meu caro; nem imaginas quanto! Bem sabes que eu nunca fui muito com a cara dela e muito menos achei bem que andasses por aí a chorar pelos cantos depois que acabou; ainda para mais porque foste tu quem acabou e um homem tem de saber o que quer da vida, não é andar para a frente e para trás e nunca mais tomar uma decisão.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Pois, mas tu sabes como eu sou: decisões não são comigo. Eh, pá! Mas não desconverses, que não foi para falar da Margarida que cá vieste! Explica-me lá essa tua história de saias.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo ficou calado por uns longos segundos, pensando no que haveria de dizer. Sabia que era agora ou nunca, mas não sabia como começar. Levantou-se e deu dois passos; voltou para trás e tornou a sentar-se. Engoliu em seco, inspirou fundo e disse:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Na verdade, a minha história de saias não tem muito que se lhe diga, mas gostava de te fazer uma pergunta – mal acabou de pronunciar estas palavras, arrependeu-se imediatamente: “Não podias ter-te comprometido mais explicitamente.”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-8302647401040978347?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/8302647401040978347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=8302647401040978347' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8302647401040978347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8302647401040978347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/10/xxxvii.html' title='37'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-2897460673543256517</id><published>2007-09-20T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:35:34.190Z</updated><title type='text'>36</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Aquele dia solarengo de Verão, em que nem uma só nuvem ofuscava o azul do céu, convidava a ir até à praia, mas Ricardo não podia fazê-lo, nem se sentia com disposição para tanto. Tinha optado pela mota, uma das suas paixões, para percorrer o caminho até ao seu escritório e ia serpenteando por entre os carros mal estacionados que abundam nas ruas e atrapalham o trânsito nas já de si estreitas ruas de Gaia. Chegou ao escritório à hora do costume, pouco passava das nove e meia, e dirigiu-se ao seu gabinete no sétimo andar. Dirigiu-se à janela, abriu-a e inspirou fundo. Espreitou lá para baixo e sentiu-se mais calmo, como se encontrar-se sete pisos acima do chão lhe desse mais segurança. Caminhou então para a secretária e sentou-se.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A secretária de Ricardo encontrava-se muito bem arrumada, sem um papel sequer fora do sítio; o pai sempre lhe dissera que ter a secretária cheia de papéis dispersos desordenadamente não é sinal de que se é muito importante ou se tem muito trabalho, mas sim de que não se é organizado, e isso nunca pode causar boa impressão nos clientes. Às vezes acrescentava que, numa empresa como a sua, a primeira impressão era importantíssima e que dar uma imagem de organização era meio caminho andado para conquistar a confiança do cliente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Naquele dia, porém, não foi boa a impressão que Ricardo causou nos clientes. Por duas vezes se viu obrigado a pedir a um que repetisse o que estava a dizer, pois os seus pensamentos estavam longe dali. Pareceu-lhe que a manhã passou a voar, pois, quando olhou para o relógio, eram já horas de sair para ir ter com Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A manhã de Carla também passou a voar, mas a causa era outra. Sentia-se nas nuvens, depois do jantar do dia anterior com Ricardo. Apenas um pequeno senão ensombrava o seu estado de espírito: Ricardo era o melhor amigo de Miguel e Carla não queria imaginar qual seria a sua reacção ao saber da verdade sobre a paternidade de Tomás. Apesar de o sentir próximo, temia que tal facto pudesse afastá-lo de si e, o que era pior, que Ricardo contasse tudo a Miguel e isso pudesse levá-la a perder o seu filho. Decidiu, todavia, preocupar-se com essa questão mais tarde e deixar-se levar pelo momento, pois sentia-se feliz como já há muito não se sentia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de levar Tomás ao Colégio, telefonou a Francisca e convidou-a para se encontrar consigo:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Já que não posso ir à festa e não te vejo há muito tempo, estava a pensar em ir fazer umas compras; nada de especial, só para sair, ver gente e pôr a conversa em dia. Que dizes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Acho uma óptima ideia, só que estou a trabalhar e não posso sair. Que tal à hora de almoço? Vens cá ter à Baixa e mostro-te um restaurantezinho que conheço por aqui que é de se lhe tirar o chapéu...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Está combinado, então. A que horas?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Eu saio à uma, por isso pode ser a essa hora. Sabes onde fica o meu emprego, não sabes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não; dizes-me, por favor?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– É fácil!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Francisca explicou então a Carla como chegar ao seu local de trabalho, após o que se despediram e desligaram.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mesmo sem a companhia da amiga, Carla foi para o centro comercial e aí passou o resto da manhã a passear. De cada vez que recordava o dia anterior, bailava-lhe nos lábios um sorriso e tinha vontade de cantar. Sentia que irradiava felicidade e que as outras pessoas com quem se cruzava, de certa forma, partilhavam consigo a sua felicidade. Passava mais ou menos meia hora do meio-dia quando Carla saiu do centro comercial para ir almoçar com Francisca.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pouco antes de Carla sair do centro comercial, porém, já Ricardo tinha partido para casa de Miguel, não sem antes ir buscar o seu regador para dar de beber à planta que tinha no escritório. Depois disso, chamou o elevador, desceu até à cave e saiu do edifício montado na sua mota, seguindo em direcção ao Porto. A curiosidade era cada vez maior, mas o receio crescia ao mesmo ritmo. Não sabia como abordar o assunto sem ser forçado a revelar o seu envolvimento com Carla, o que não desejava, por um lado, por nem há dois meses e meio ter encorajado o amigo a aproximar-se dela, mas, sobretudo, por causa das respostas que poderia obter às suas perguntas. Tinha medo do que o seu melhor amigo pudesse dizer-lhe...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao chegar à Praça Mouzinho de Albuquerque, ou Rotunda da Boavista, como é carinhosamente conhecida pelos habitantes tripeiros, Ricardo parou num semáforo e viu alguém que já não via há muito tempo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-2897460673543256517?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/2897460673543256517/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=2897460673543256517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2897460673543256517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2897460673543256517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/09/xxxvi.html' title='36'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-8009623296123853445</id><published>2007-09-18T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:35:16.030Z</updated><title type='text'>35</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;No dia seguinte, Ricardo acordou pensando no que havia de dizer a Miguel, dando-se conta, pela primeira vez, do quão delicada era a sua situação. Por um lado, não tinha certezas e não via outra forma de conseguir clarificar tudo que não esperar por Filipe, mas, por outro, tudo era demasiada coincidência. Tentou lembrar-se melhor da festa do Colégio, mas tudo o que lhe veio à memória foram fragmentos distorcidos, pedaços de sons, cheiros e imagens daquilo que vivera e jurara nunca mais viver.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Recordou o último momento de lucidez, o Toni a chegar-se a si e a perguntar-lhe se já alguma vez tinha fumado ganza, ele a dizer que não e o Toni a perguntar se queria experimentar. A princípio, Ricardo recusara, mas o Toni insistira, dizendo que não se iria arrepender, e Ricardo acabara por aceitar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Como és maçarico, enrolo-to eu, mas depois lembra-me de te ensinar, que não sou o teu papá para te andar a fazer os charrinhos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A princípio, fora como o Toni dissera que ia ser: a música tornara-se mais interessante e estava mesmo a convidar à dança, a sua cerveja parecia mais saborosa e a festa estava melhor e mais colorida do que nunca. As luzes da discoteca inebriavam-no e invadiam-no, dando-lhe uma sensação de invulnerabilidade. Sentia se bem e com uma imensa vontade de sorrir a toda a gente à sua volta, sorriso que rapidamente se tornou uma gargalhada incontrolável. Quanto mais ria, melhor se sentia consigo mesmo; naquele momento era o rei da festa e o dono do mundo. Apetecia-lhe comer e dançar, dançar e rir, rir e saltar, até ao primeiro arranco. Pouco depois, as luzes da discoteca cegavam-no enquanto procurava cambaleando o quarto de banho, as pessoas atravessavam-se no seu caminho olhando-o com ar ameaçador e Ricardo sentia-se vergar sob o seu peso. Gatinhou pelo meio da pista de dança durante uma eternidade até sentir uma mão a agarrar as costas da sua camisola. Não se lembrava do que se passara depois; a imagem seguinte era passada num cubículo azul debruçado sobre uma sanita pestilenta onde verteu pela boca as profundezas da sua alma, apagando-se a sua memória completamente até ao final da manhã do dia seguinte.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Acordara em casa da irmã mais velha do Toni, que já tinha os seus quase trinta e morava sozinha num apartamento em S. Mamede.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Olá! Sentes-te bem, maçarico? – perguntara-lhe o Toni.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Dói-me um bocado a cabeça, mas de resto estou bem. Onde estou?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Descansa, estás em casa da minha mana mais velha; achei que o teus velhos não iam curtir ver te entrar em casa ganzado e todo podre a meio da noite.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E não te preocupes que eu telefonei-lhes a avisar que ias dormir fora – acrescentara a irmã do Toni da ombreira da porta do quarto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo desistiu de tentar lembrar o que quer que fosse sobre Miguel e Carla na festa do Colégio: “definitivamente, a única coisa de que me lembro daquela maldita noite é da porcaria do charro do Toni. Maldita a hora em que lhe disse que sim!”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com este pensamento se levantou e foi para o quarto de banho. Arranjou-se, comeu uns cereais de chocolate como pequeno-almoço e saiu para o escritório. Ainda tinha uma manhã pela frente antes de almoçar com Miguel e já se sentia a perder a coragem.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-8009623296123853445?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/8009623296123853445/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=8009623296123853445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8009623296123853445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8009623296123853445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/09/xxxv.html' title='35'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3263191236332437321</id><published>2007-09-13T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:34:58.380Z</updated><title type='text'>34</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Quando, finalmente, aquele beijo começou a acalmar e o abraço que os envolvia ficou menos apertado, Carla tentou recuar e libertar-se dos braços de Ricardo que, sem grande esforço, não permitiu que isso acontecesse. Com suavidade, Ricardo reaproximou-a de si e voltou a beijá-la. Por instantes pensou que Carla iria tentar afastá-lo, mas ela não o fez. Quando sentiu, novamente, o calor do abraço apertado de Ricardo e o toque apaixonado do seu beijo, Carla perdeu qualquer réstia de força para lhe resistir que pudesse, ainda, existir no seu corpo. Naquele momento estavam ambos completamente envolvidos um no outro, como se de magia se tratasse.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas o momento rapidamente se quebrou com o toque do telemóvel de Ricardo. Quando viu o nome de Miguel piscar no visor do seu telemóvel, Ricardo sentiu um arrepio de frio percorrer-lhe o corpo inteiro. Parecia um aviso de que não devia envolver-se com aquela mulher. A contragosto, e devido à insistência de Miguel, acabou por atender o telemóvel.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá! Está tudo bem?&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estava aqui a pensar na nossa curta e nada esclarecedora conversa de hoje à tarde, e resolvi ligar-te para saber o que te atormenta assim tanto. – disse-lhe Miguel em tom de brincadeira.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao escutar estas palavras, Ricardo olhou para Carla com um semblante enigmático e triste, ao mesmo tempo. Os beijos que acabava de partilhar significavam muito mais do que um simples desejo. Havia neles algo mais profundo e intenso do que um mero e saciável desejo. Um sentimento que há muito Ricardo não se atrevia a sentir. Só não sabia se aquela seria, ou não, a mulher certa para voltar a fazê-lo sentir aquele tipo de sentimentos.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Falamos depois, com calma. Não são conversas para se ter ao telemóvel, não achas Miguel?&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando Ricardo pronunciou o nome de Miguel o olhar de Carla escureceu, como se uma nuvem o tivesse ensombrado de um momento para o outro. E, naquele instante, Ricardo teve certeza daquilo de que desconfiava. Só precisava de confirmar com as fontes certas. Pensou em Filipe, e nos tempo que ainda faltava para ele regressar a Portugal. Apenas ele poderia, com toda a certeza, contar-lhe o que havia acontecido na noite da Festa de Carnaval.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Se achas melhor assim, também não vou insistir. Mas deves-me uma conversa, não te esqueças. – e dizendo isto, Miguel fez uma pausa prolongada, como se procurasse as palavras certas para o que queria dizer a seguir – Eu também preciso de falar contigo. Também há algo a atormentar-me. Tenho tido uns pesadelos terríveis com a Margarida e com o filho dela... Mas tens razão, não são conversas para se ter ao telemóvel. Almoça cá em casa amanhã e conversamos melhor. Que dizes? A minha Mãe ia adorar.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Combinado. Amanhã estou aí às 13hs para almoçarmos e conversarmos. Temos mesmo muito que conversar. Agora vê lá se vais descansar. Não te esqueças do que o médico disse: nada de avarias durante, pelo menos, uma semana.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;E dizendo isto desligou o telemóvel e voltou a fitar Carla. Aquele telefonema de Miguel tinha arruinado, por completo, o momento tão bonito que haviam acabado de partilhar. Nem um nem outro se sentiam à vontade para se perderem nos braços um do outro naquele instante.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vamos jantar? – propôs Ricardo.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla anuiu, e sentaram-se à mesa. O jantar decorreu com calma. O tratamento formal entre ambos caiu definitivamente. Depois daqueles momentos, interrompidos pelo telefonema de Miguel, não fazia sentido continuarem a tratar-se com a deferência de dois estranho.&lt;/P&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando deixou Carla em casa, Ricardo sentia-se no centro de um furacão. Com a cabeça cheia de questões para as quais não tinha resposta, e dúvidas que, naquele momento, lhe pareciam insanáveis, Ricardo dirigiu-se a casa e, assim que lá chegou, entrou num duche a escaldar, como se procurasse exorciizar tudo o que naquele momento lhe roubava, de forma violenta e vil, a possibilidade de ser feliz. E foi naquele momento que Ricardo percebeu que ao lado de Carla seria feliz. Mas será que a vida lho permitiria? Com esta questão a dominar-lhe os pensamentos, encostou-se na cama e adormeceu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3263191236332437321?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3263191236332437321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3263191236332437321' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3263191236332437321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3263191236332437321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/09/xxxiv_21.html' title='34'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1166285704379086704</id><published>2007-09-11T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:34:39.222Z</updated><title type='text'>33</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Contra a sua vontade, Miguel acabou por ir para casa dos pais. Depois de sete meses a viver na sua própria casa, sentia-se estranho por regressar à dos Pais, ainda por cima naquelas condições. Mas o médico havia sido peremptório ao dizer-lhe que teria de ficar em repouso durante pelo menos mais uma semana, e que não poderia fazer esforços. Perante tais argumentos, e por mais que lhe tivesse custado, havia sido obrigado a ceder. Mesmo assim, mesmo sendo obrigado a estar em casa dos Pais por força das circunstâncias, Miguel não conseguia sentir-se mais confortável.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de estar instalado, ficou a sós com Ricardo. Olhou o amigo e, sem qualquer hesitação, perguntou-lhe o que se passava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vais dizer-me o que se passa, ou não? Pareces uma barata tonta, aí a andar de um lado para o outro. Fala de uma vez!!!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo respirou fundo, como se procurasse coragem para começar a falar. Tinha receio das perguntas, mas conseguia tê-lo mais das respostas. Voltou a respirar fundo, mas acabou por perder a coragem.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não é nada relevante. Falamos depois. Mulheres...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não me digas que é a Beatriz outra vez?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, nada disso. Depois conto-te tudo, com calma. Agora precisas de descansar. Vou-me embora! Vê lá se não te metes em aventuras, se não em vez de uma semana só de cama, ainda tens de ficar mais um mês. Cuida-te, rapaz – e, dizendo isto, Ricardo saiu do quarto do amigo, despediu-se rapidamente dos seus Pais e saiu para a rua.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Precisava de pensar. Todas aquelas dúvidas o atormentavam. Fechou os olhos e pensou em Carla. Precisava de a ver. E sabia que não ia conseguir resistir muito mais tempo. Pegou no telemóvel e ligou-lhe. Do outro lado tocou uma, duas, três vezes, e à quarta Carla atendeu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá Ricardo. Não estava à espera que me ligasse. Não depois da forma como nos despedimos, da última vez...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estou com saudades suas, Carla. Preciso de a ver. Não diga que não, por favor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O Tomás vai jantar com o meu Pai hoje. Podemos jantar. O que me diz?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Às 19h30 passo aí. Jantamos em minha casa. Pode ser?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Apesar de estranhar o convite para jantar na casa de Ricardo, Carla aceitou-o.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando desligou o telefone deu-se conta de que eram 18h30. Já só tinha uma hora para se despachar. Agora que estava em casa, pelo menos até as suas aulas na Faculdade começarem, tinha muito mais tempo livre. O regresso do Pai à empresa tinha sido providencial.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aquela hora passou, e Ricardo deu-lhe um toque para avisar que havia chegado e estava à sua espera. Desceu e entrou no carro dele. Sentiu-se tremer como se fosse uma adolescente. Não sabia o que esperar daquele jantar. Teria de esperar para ver.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao entrar em casa de Ricardo, foi surpreendida com a mesa posta e as velas a arder. Voltou-se para trás e olhou Ricardo nos olhos. E, naquele momento, o mundo à sua volta desapareceu. Quando se deram conta estavam nos braços um do outro, envolvidos num beijo intenso e profundo, que nenhum dos dois tinha vontade que terminasse.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1166285704379086704?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1166285704379086704/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1166285704379086704' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1166285704379086704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1166285704379086704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/09/xxxiv.html' title='33'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1459639880685579089</id><published>2007-09-06T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:34:07.341Z</updated><title type='text'>32</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Miguel estava de novo na sala, sentado no sofá em frente à televisão, rodando a sua aliança no dedo e olhando distraidamente para o ecrã do aparelho. De vez em quando, olhava para um bebé que brincava ali perto, até que se levantou e pegou nele. O bebé, como era seu hábito sempre que Miguel lhe pegava começou a chorar, mas desta vez Miguel estava determinado: levou o bebé para o quarto de banho, deitou‑o na banheira, fechou o ralo e abriu a água fria. A princípio, o bebé chorou mais alto e mais convulsivamente, mas, pouco a pouco, foi perdendo as forças à medida que a água subia e Miguel o mantinha deitado no fundo da banheira. Passados alguns minutos, o bebé estava totalmente coberto por água. Já não chorava; Miguel sentiu-se aliviado por segundos antes de a angústia sobrevir e o fazer acordar sobressaltado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Há três semanas que não tinha aquele sonho; não percebia por que tinham as imagens que julgava para sempre desaparecidas da sua mente decidido voltar a torturar o seu sono e por que se haviam permitido desta vez ir mais longe do que foram todas as outras. Espreitou o seu relógio na mesinha de cabeceira; passava pouco das dez horas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao mesmo tempo, Margarida acordava da anestesia:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Como correu? – perguntou, ainda com a voz entaramelada, à enfermeira que se encontrava mais próximo de si.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– O senhor doutor já vem falar consigo – respondeu esta secamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aquela terça-feira amanhecera cinzenta e chuvosa e assim continuara da parte da tarde e Ricardo sentia-se cinzento e triste como o tempo que fazia do lado de fora da janela do seu escritório.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Nem parece que estamos na Primavera!”, pensou para consigo mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As dúvidas sobre a paternidade de Tomás assombravam-no desde a Sexta-feira anterior. Carla conhecia Miguel; haviam sido colegas de turma, mas isso poderia não querer dizer nada. Estava confuso, sem saber o que pensar ou o que sentir. Tudo aquilo lhe parecia demasiado estranho e seria uma assombrosa coincidência se as suas suspeitas se confirmassem. Tentou limpar a mente daqueles pensamentos, mas qualquer coisa o prendia à imagem de Carla. Ansiava por voltar a vê-la, mas sabia que não devia, pelo menos não naquele momento. Precisava de organizar as ideias e de falar com uma pessoa: Filipe podia ajudá-lo, mas estava fora de Portugal até ao final da semana seguinte, pelo que teria de esperar até ao seu regresso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não se deu conta de quando o seu telemóvel tocou. No visor piscava o número de casa dos pais de Miguel. Quando finalmente atendeu, ouviu do outro lado a voz da Mãe do amigo, que o informou de que Miguel teria alta do Hospital daí a quatro dias. Finalmente chegavam as boas notícias; estava mesmo a precisar delas! Agora tinha de pensar em como abordar o assunto com Miguel, para ele não desconfiar de nada. Precisava de ter certezas absolutas, mas tudo o que tinha naquele momento eram meras suspeitas, fortes e com algum fundamento, era certo, mas, ainda assim, apenas suspeitas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Decidiu sair do escritório e ir a qualquer sítio. Não sabia bem onde, pelo que acabou sentado num banco dos Jardins do Palácio de Cristal. Era o seu refúgio, sempre que não tinha mais para onde ir. Já conhecia cada recanto de cor, mas nunca se cansava desse lugar mágico.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Hei-de cá trazer a Carla”, pensou, e logo continuou: “Mas antes tenho de tirar a história do Tomás a limpo. As parecenças são gritantes.”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como nada mais podia fazer para além de esperar, assim fez durante os dias que se seguiram, até que Segunda-feira chegou e, com ela, a alta de Miguel. Ricardo foi ter ao Hospital, onde já se encontravam os pais do amigo, e vieram até casa destes. Miguel estava radiante por poder finalmente sair do quarto onde estivera fechado durante um mês certinho.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1459639880685579089?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1459639880685579089/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1459639880685579089' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1459639880685579089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1459639880685579089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/09/xxxii.html' title='32'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1713145594086046309</id><published>2007-09-04T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:33:50.567Z</updated><title type='text'>31</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Após a saída de Tomás para ir experimentar a sua nova camisola, sobreveio um silêncio incómodo, que Carla cortou, tentando puxar um novo assunto depois da conversa que acabaram de ter:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Papá, não imaginas como a notícia de que reassumirás o teu cargo me deixa contente! Eu sempre soube que ias dar a volta por cima e regressarias à empresa. Além do mais, eu não tenho jeito para aquilo. Ainda bem que não quis tirar Gestão; iria ser muito infeliz!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Acabando de dizer isto, Carla lembrou-se subitamente de Francisca e do seu convite para a festa do Colégio e lembrou-se também de que ficara de dar uma resposta à sua amiga até ao dia anterior. Aproveitando essa tábua de salvação para abandonar aquela situação constrangedora, pediu desculpa ao pai e dirigiu-se ao telefone, marcando o número de casa da amiga.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quem atendeu foi António, o marido de Francisca. Carla estranhou-lhe a voz, pois era apenas a segunda vez que falavam e Carla nem o conhecia ainda pessoalmente – estavam casados há apenas quatro meses e Francisca e Carla ainda não tinham estado juntas depois disso, nem Carla fora ao casamento, por este ter calhado uns dias depois do trágico acidente que vitimara a sua mãe e os seus avós –, pelo que, a princípio, julgou que enganara no número. Após o primeiro momento de confusão, os dois interlocutores reconheceram-se e Carla pediu para chamar Francisca.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Está?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Olá, Francisca! Como estás?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Bem, e tu?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Também. Estou a ligar-te por causa da festa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, sim! Sempre podes ir?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Infelizmente, não, minha querida. Nessa altura estarei em Lisboa a tratar duns assuntos que lá deixei pendentes – mentiu Carla. – Desculpa não te ter avisado logo ontem, como te tinha prometido, mas foi um dia louco e acabei por esquecer-me. Não ficas zangada?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Claro que não! – respondeu Francisca, mas Carla notou na sua voz um certo desapontamento e sentiu-se mal por isso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Francisca foi a única amiga que Carla fez durante os três anos e meio em que frequentou o Colégio, a única que se aproximou de si quando todos os restantes colegas a punham de parte por causa da sua maneira de ser. A amizade entre as duas raparigas começou no dia em que Carla esteve doente e faltou às aulas. Ao fim da tarde, Francisca parou em sua casa para deixar ficar as fichas que os professores tinham distribuído nesse dia, bem como cópias dos apontamentos nos seus cadernos. Quando, no dia seguinte, já melhor da gripe, Carla regressou ao Colégio, correu a agradecer a Francisca e insistiu no convite para lanchar em sua casa depois das aulas. Francisca acabou por aceitar, sob o olhar atento do resto da turma, que não compreendia como alguém poderia querer lanchar em casa da Freira. A partir desse dia, as duas raparigas foram-se aproximando e descobrindo gostos e interesses comuns e maneiras de ser que, afinal, não eram tão distantes quanto poderia parecer e assim surgiu uma amizade que perdurou mesmo após a ida repentina de Carla para Lisboa. Esse foi um momento difícil na relação entre ambas, visto que Carla não pôde contar a história de Tomás e por que fugira para Lisboa à amiga e Francisca, a princípio, ressentiu-se disso. Porém, acabou por aceitar, embora sem compreender totalmente, a opção de Carla em manter segredo a respeito dos motivos que a levaram para Lisboa tão apressadamente e guardou as suas suspeitas sem nunca tentar confirmá-las, nem confrontando Carla directamente, nem indagando outras fontes; preferiu esperar que a amiga se decidisse ela mesma a contar-lhe a verdade. Quando Carla se mudou de novo para o Porto, Francisca foi a primeira pessoa a saber desse regresso e a amizade que as unia, entretanto arrefecida, como necessariamente acontece a duas pessoas que se encontram a trezentos quilómetros de distância, mas nem por isso enfraquecida, manteve-se com todo o seu vigor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por ser a melhor amiga de Carla no Porto – e uma das poucas do tempo do secundário –, sonegar a verdade a Francisca era imensamente custoso, mas tinha de ser. Quanto menos pessoas soubessem da verdadeira história de Tomás, melhor. Assim, as duas despediram-se e Carla desligou o telefone, acabrunhada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O resto de Sábado e todo o dia de Domingo decorreram sem grande história. Segunda-feira de manhã, com um peso na alma, Margarida telefonou para o consultório do seu ginecologista e pediu para marcar uma consulta urgente. A telefonista informou-a de que só poderia marcar para daí a uma semana, pois antes disso o senhor doutor não tinha vaga, e perguntou-lhe se podia ser no dia vinte e quatro às quatro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida sobressaltou-se: se só fosse à consulta na data proposta, sobrava-lhe muito pouco tempo antes de findar o prazo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E não posso tentar a minha sorte antes? Pode ser que falte um doente...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Sim, pode tentar. Venha depois de amanhã, então, que está marcada uma doente que tem um filho pequeno que volta e meia está doente e já não é a primeira vez que falta à consulta para ir com o filho para a Urgência.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1713145594086046309?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1713145594086046309/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1713145594086046309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1713145594086046309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1713145594086046309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/09/xxxi.html' title='31'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-6792736725173232502</id><published>2007-08-30T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:33:26.344Z</updated><title type='text'>30</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Aquele sábado de Julho havia amanhecido frio e nublado. Com o céu a ameaçar chover a qualquer instante, Carla abraçou-se a si mesma e pensou no que se aproximava, sentindo, de seguida, um arrepio intenso que a assustou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Andava a adiar aquela conversa desde o dia em que descobrira que estava grávida, mas tinha plena consciência de que não o podia fazer mais. Era imperativo contar a verdade ao Pai. E sabia que não seria uma conversa fácil, acima de tudo porque lhe havia mentido ao dizer-lhe que não se lembrava de nada do que havia acontecido naquela noite.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando o Pai chegou, Carla respirou fundo e pediu-lhe que se sentasse.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;_ Papá, precisamos de ter uma conversa muito séria... Mas peço-te que me ouças até ao fim, sem interrupções, por favor. – pediu Carla ao Pai, em jeito de súplica.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fernando anuiu, com a calma e a serenidade que faziam dele o homem de força e coragem que sempre havia sido toda a sua vida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E então, num rasgo de coragem misturado com um desespero latente, Carla abriu a alma ao Pai e contou-lhe toda a verdade. Falou-lhe da festa. Falou-lhe dos olhos verdes e do sorriso malandro de Miguel. Falou-lhe da rivalidade que sempre existira entre ambos. Falou-lhe da alcunha que lhe havia dado. Falou-lhe do misto de emoções quando ele, naquela noite, pronunciou o seu nome. Contou-lhe, meio envergonhada e sem muitos detalhes, como tudo tinha acontecido, e como, no dia seguinte, Miguel não se lembrava de nada do que se havia passado entre ambos. Explicou-lhe, ainda, que, no dia seguinte, ao chegar ao Colégio, Miguel não se lembrava de nada do que havia acontecido. Falou-lhe ainda do desespero que senti ra ao descobrir que estava grávida, e da necessidade de mentir e dizer que não revelar a identidade do Pai de Tomás. Falou ainda do reencontro com Miguel naquele Bar, e no bilhete que ele lhe havia feito chegar pelas mãos do Barman, e que, dias depois, deitara fora. Falou-lhe da assustadora coincidência de ter sofrido aquele acidente com Ricardo e de este ser nem mais nem menos do que o melhor amigo de Miguel. Falou-lhe ainda do que começava a sentir por Ricardo e da assustadora verdade nas suas palavras da noite anterior. Por fim revelou-lhe o seu mais intimo receio – que Miguel soubesse que era Pai de Tomás e quisesse tomá-lo de si.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando acabou de falar, Carla esperou que o Pai dissesse alguma coisa. E aqueles trinta segundos em que o Pai manteve o seu silêncio sepulcral pareceram-lhe uma eternidade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Minha Filha, olho para ti e vejo a mulher forte que tanto admiro e a menina frágil e perdida que com 16 anos engravidou. Achas mesmo que durante todos estes anos nem eu nem a tua Mãe iríamos fazer o que quer que fosse para saber quem era o Pai do nosso neto? Subestimaste-nos, minha querida. Levou algum tempo, cerca de dois meses e meio, a descobrir toda a verdade, mas chegamos lá. Nunca te contamos porque sabíamos que isso ia fazer-te mal. Éramos teus Pais e queríamos-te feliz. É certo que nos entristecia a tua falta de confiança em nós, mas fomos capazes de compreender os teus “porquês”, e de proteger os dois bens mais precioso que tínhamos – tu e o Tomás. – disse-lhe o Pai, contra todas a expectativas. Carla jamais seria capaz de imaginar aquilo que acabar de ouvir da boca do Pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas, se vocês sempre souberam, porque é que permitiram que o Eduardo assumisse a paternidade do Tomás?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Para vos proteger aos dois. Não entendes? Se o Tomás fosse registado com pai desconhecido haveria lugar a uma averiguação oficiosa de paternidade, e a verdade que tu tanto temias acabaria por vir ao de cima. Informei-me junto dos nossos Advogados, e eu e a tua Mãe chegamos à conclusão de que a melhor solução seria aquela, e não outra.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Percebo... Então vocês sempre souberam que eu... que eu... vos menti... – disse Carla com o último fio de voz que lhe restava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sempre soubemos, mas sempre percebemos. Talvez se estivéssemos no teu lugar fizéssemos o mesmo. A tua “mentira” foi para proteger o teu Filho. E essa foi a maior prova de amor por ele que tu alguma vez deste. Aquela e esta, agora. Não te importaste com aquilo que eu pudesse pensar de ti. Não te importaram os meus julgamentos ou as minhas reacções. Como uma boa Mãe que foste desde o momento que descobriste que estavas grávida, o teu primeiro instinto foi proteger o teu Filho. E perante isso, não há julgamento algum que possa ser feito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Rendida perante os argumentos do Pai, Carla deixou pender os braços ao longo do corpo, deixando-se cair, em seguida, num poltrona que estava mesmo ao seu lado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E agora, Papá? O que é que eu faço com o Ricardo? E se ele descobre que o Tomás é filho do melhor amigo dele? E se o Miguel descobre toda a verdade? Eu não quero perder o meu Filho. Não quero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vamos lá ter calma. O primeiro passo é eu reassumir o meu cargo. Já chega de ter pena de mim mesmo. Tenho uma Filha e um Neto que amo muito e que precisam de mim. Volto à empresa na segunda. Quanto ao resto não podemos precipitar-nos. Vamos ver como as coisas acontecem e depois logo decidimos o que fazer. Entretanto quero conhecer esse Ricardo...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nisto, Tomás irrompeu pela sala, e saltou de imediato para o colo do Avô.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vôzinho, estava cheio de saudades suas! – disse o Menino num tom meigo e sincero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao ver o embrulho que o Avô lhe estendia, os olhos de Tomás brilharam. Num ápice rasgou o embrulho, e o seu rosto encheu-se de alegria quando viu o que lá estava dentro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A camisola nova do Benfica!!! Obrigada Vôzinho, vou já vestir. – disse, saltando de seguida para o chão. No corredor ouviu-se a sua voz chamar por Elisa, mas logo se calou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Até nisso era igual ao Pai, na paixão pelo futebol e pelo Benfica – o clube do coração de ambos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-6792736725173232502?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/6792736725173232502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=6792736725173232502' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6792736725173232502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6792736725173232502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxx.html' title='30'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-8713663425954808316</id><published>2007-08-28T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:31:59.514Z</updated><title type='text'>29</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O dia tinha sido passado mergulhado em pensamentos contraditórios que se sucediam uns aos outros a uma velocidade vertiginosa, entrecortados por tentativas tão erráticas como infrutíferas de afastá-los e de se concentrar noutra coisa. Queria estudar e não conseguia; queria sair e não tinha vontade. Assim tinha sido também o dia anterior, desde a conversa com Mário, logo de manhã na esplanada do café. Depois da ida inútil à faculdade, viera para casa e aí se deixara estar. À noite, custara-lhe adormecer; ficara horas a virar-se para um lado e para o outro na cama.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No dia seguinte ao acordar, a cabeça doía-lhe como se fosse explodir, mas, no meio de toda a torrente de ideias que lhe fluíam pela mente, uma se impôs às outras: a sua gravidez.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não tinha contado a Mário que ia ser pai. Quando soubera da gravidez, ao fazer um daqueles testes da farmácia por estranhar o atraso no período, logo ela que sempre fora tão regular, reagira de forma que agora lhe parecia inesperada e contra toda a lógica, mas que na altura lhe parecera a mais acertada: a primeira pessoa com quem falara fora Ricardo, para que este fizesse Miguel afastar-se de si. Olhando para trás, não sabia por que o fizera; com o tempo acabara por acreditar que fora com o objectivo de magoá-lo e fazê-lo sofrer o mais possível, ou talvez apenas para lhe fazer ciúmes, mas na altura fizera-o porque se sentia bem com Mário e queria que Miguel deixasse de procurá-la e lhe desse paz e espaço para viver o seu novo amor. Porém, logo se arrependera, e, talvez por isso, adiara a conversa que iria ter com Mário. Ao ver Miguel no hospital, reforçara o sentimento de que este ainda significava muito para si, e, talvez porque se sentira a perdê-lo (ou talvez o tivesse já perdido definitivamente), quisera instintivamente reconquistá-lo. Na esplanada, sentira-se a mais infeliz do mundo, abandonada por Mário e por Miguel, completamente só.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sobrava-lhe o seu filho, uma dolorosa recordação destes últimos meses, um fardo que não se sentia preparada para carregar sozinha. Quando tinha Mário do seu lado, sentia-se capaz de tudo, mas assim não. Além do mais, ele não sabia e Margarida não sabia como ele iria reagir se lhe contasse agora que tudo tinha acabado. Agora que pensava nisso à distância duma semana e alguns dias, perguntava-se se o motivo que a levara a adiar não fora, já aí, medo da reacção de Mário.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fosse como fosse, era melhor assim, era preferível que ele não tivesse sabido nem nunca viesse a saber; sobretudo depois da sua decisão.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida não consultara os pais nem nenhuma outra pessoa. Esta era uma decisão sua, que só a si competia, e que não queria partilhar com ninguém. Não queria dividir o fardo com ninguém, nem queria que ninguém soubesse a verdade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De repente, deu consigo a reflectir o quão irónica a vida podia ser: fazia naquele dia precisamente três meses que votara no Referendo. Três meses antes, dissera não ao que agora dizia sim, apenas porque a realidade lhe batera à porta a si. Sentiu-se hipócrita e egoísta, mas consolou-se dizendo que nunca é tarde para mudar de opinião e descobrir um novo caminho. Ainda mais irónico era o facto de a sua decisão hoje ser possível graças a todas as pessoas que há três meses discordaram de si. Sentiu-se agradecida por outros terem visto o que fora incapaz de ver.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Era Sexta-feira e já era tarde para telefonar ao seu médico; fá-lo-ia depois do fim-de-semana.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-8713663425954808316?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/8713663425954808316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=8713663425954808316' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8713663425954808316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8713663425954808316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxix.html' title='29'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-7634599457517410700</id><published>2007-08-23T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:31:05.945Z</updated><title type='text'>28</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Fechou os olhos e recostou-se no sofá do escritório. Precisava daquele momento de pausa antes do jantar. Ricardo deveria estar quase a chegar e Tomás estava numa agitação fora do comum.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sentia-se física e psicologicamente cansada. Não sabia o que esperar daquele jantar. Falara com Ricardo duas ou três vezes durante a semana e notara-o diferente. Aquele momento, naquela noite em que o susto da febre de Tomás tinha tomado conta dos dois, havia sido intenso demais. Repentino demais. E sabia, por experiência própria, que nada que fosse repentino daria bom resultado. Existiam obstáculos demais entre os dois. Mas a verdade era que naquela noite, enquanto Ricardo a abraçava, havia desejado, mais do que devia, que aquele beijo tivesse acontecido de verdade. Fechou os olhos com mais força, numa tentativa vã de apagar aqueles pensamentos da sua mente. Ricardo era impossível. E quando ele soubesse da verdade, iria afastar-se de imediato. Afinal, Miguel era, ainda, o seu melhor amigo. E contra isso não poderia lutar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Recordou-se da conversa com Eduardo e Leonor. E percebeu, que antes que fosse tarde demais, teria de revelar toda a verdade ao Pai. Ele saberia, com toda a certeza, ajudá-la da melhor maneira possível.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um leve bater na porta do escritório fez Carla regressar à realidade. Era Elisa a anunciar a chegada de Ricardo. De tão embrenhada nos seus próprios pensamentos que se encontrava, nem escutou a campainha tocar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Obrigada, Elisa. Diga ao Dr. Ricardo que em cinco minutos estarei na sala. O Tomás já está mais calmo? – perguntou, por fim, a Elisa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Já sim, Menina. Mas foi difícil. – respondeu-lhe Elisa, saindo de seguida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de respirar fundo, Carla saiu do escritório ao encontro de Ricardo. Quando chegou à porta da sala não foi capaz de entrar. A cena que presenciou fê-la sentir um aperto imenso no peito. Tomás estava sentado ao colo de Ricardo, e os dois pareciam entender-se muito bem. Ricardo falava e Tomás parecia gravar cada palavra na sua mente, como se não quisesse deixar escapar uma que fosse. De repente, ambos perceberam a sua presença. Enquanto Tomás saltava do colo de Ricardo para abraçar a Mãe, este levantava-se do sofá e presenteava Carla com um sorriso discreto, mas meigo. Por momentos, Carla sentiu-se, mais uma vez em perigo. A cena que acabara de presenciar tinha tido em si o efeito de uma descarga eléctrica. Aquele homem estava a tornar-se importante na sua vida, sem que ela conseguisse entender o porquê , e até Tomás parecia gostar muito dele. Na verdade pareciam gostar bastante um do outro. Mas isso poderia ser só impressão sua.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Durante o jantar, Ricardo puxara o assunto do Colégio. Carla, a contra-gosto, acabara por revelar-lhe em que Colégio tinha andado, e confirmava-se que ambos haviam frequentado o mesmo Colégio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então a Carla deve conhecer o Miguel Lopes Menezes? Ele era do seu ano. – perguntou-lhe Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, conheço. Ele era da mesma turma que eu. – respondeu-lhe Carla incomodada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo, que percebera o incómodo de Carla, ainda referiu o nome de Miguel mais algumas vezes durante o jantar, numa atitude que, claramente, havia aumentado o desconforto da sua interlocutora. As suas suspeitas começavam a ganhar contornos mais definidos. De repente, como se uma luz se acendesse na sua mente, Ricardo recordou-se da “Freira”, e então tudo fez um novo sentido. Carla havia abandonado o Colégio por altura das férias da Páscoa, pouco mais de um mês depois daquela malfadada festa de Carnaval. Não podia ser. Mas parecia tudo tão evidente, naquele momento, na sua mente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os pensamentos de Ricardo haviam sido interrompidos por Tomás.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- És amigo da Mamã, ou és namorado dela? – perguntara Tomás, com a ingenuidade característica das crianças inocentes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tomás! Isso é pergunta que se faça? – repreendeu-o Carla, atrapalhada com a pergunta do Filho. – Não lhe ligue, Ricardo. Ele não sabe o que diz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sei, sei. – respondeu Tomás – Se o Tio Ricardo for teu namorado vai ser meu Papá. E eu gostava. Porque os outros meninos têm e eu não.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla notara a tristeza que, naquele momento, ensombrara os olhos do Filho e sentiu o coração ficar pequenino dentro do peito. Ricardo também percebera, e por isso respondeu-lhe prontamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Por enquanto sou só amigo da tua Mamã, mas nunca se sabe se não serei namorado, um dia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla olhara Ricardo com um misto de surpresa e desagrado. Não era correcto que ele dissesse aquelas coisas a Tomás.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vá Tomás, está na hora de ir dormir. – disse-lhe Carla, num tom mais forte do que o normal.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Perante a forma como a Mãe falara, Tomás nem sequer havia pensado em pedir para ficar mais um pouco. Despediu-se da Mãe e de Ricardo com o habitual beijinho de boa noite, e deixou-se levar para o quarto por Elisa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de ficarem sozinhos, Carla quebrou o silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não devia ter-lhe dito aquilo. Ele agora vai ficar cheio de ilusões a seu respeito, Ricardo. E isso não é justo...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Por que não? Todas as crianças merecem ter um Pai. Por que não eu? Não sei o que se passa comigo, connosco... Mas a verdade é que ambos sabemos que mais tarde ou mais cedo não seremos capazes de controlar isto que há entre nós. Carla, olhe para mim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, Ricardo, não pode ser... – e sem mais explicações virou-lhe as costas e dirigiu-se à varanda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo seguiu-a.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Amanhã falamos, Carla. Mas este assunto não terminou aqui. E ambos sabemos perfeitamente disso. – e dizendo isto, deu-lhe um beijo na testa e saiu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Enquanto Carla se havia dirigido ao quarto do Filho para lhe dar mais um beijo de boa noite, Ricardo, já sentado ao volante do carro pensava para consigo mesmo – “Eles conhecem-se mesmo. Tenho de saber a verdade...”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A alguns quilómetros dali, Margarida acabava de tomar uma decisão. Talvez a mais importante que até então havia tomado, em toda a sua vida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-7634599457517410700?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/7634599457517410700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=7634599457517410700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7634599457517410700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7634599457517410700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxviii.html' title='28'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-7499284604606819477</id><published>2007-08-21T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:29:15.632Z</updated><title type='text'>27</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Margarida, entretanto, continuava sentada na esplanada do café, sozinha e atordoada com o que acabara de ouvir. As palavras de Mário ainda reverberavam como um estranho eco nos seus ouvidos, como se ele tivesse falado numa língua que ela não conseguisse compreender.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Margarida, precisamos de conversar – dissera-lhe ele, ignorando toda a história que ela lhe contara detalhadamente, acto que a colocara logo de sobreaviso, pois não era hábito de Mário cortar assim uma conversa para mudar tão bruscamente de assunto, e muito menos com aquele ar solene com que anunciara que precisavam de conversar. Margarida pressentira-o, não sabia bem como nem porquê, mas pressentira que algo de muito ruim estava para acontecer e não se enganara. A medo, ignorando em absoluto, mas como como que já sabendo de antemão o que iria passar-se, retorquira um simples “sim, diz” com total indiferença, como se nada do que Mário tivesse para lhe dizer pudesse afectá-la minimamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Não podemos continuar juntos – atirara ele de chofre, à queima-roupa, sem quaisquer contemplações e sem sequer pestanejar. No seu olhar, Margarida recordava agora uma frieza que não só não lhe conhecia, como nem sequer sabia explicar, como se a separação fosse algo há muito premeditado e minuciosamente planeado, como se não lhe custasse minimamente expulsá-la assim da sua vida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida não lhe perguntara porquê. Aliás, não dissera nada, nem se lembrava das razões que ele lhe dera, se é que lhe dera alguma. Devia ter dado; afinal, não se acabava uma relação que, ainda que curta, tinha gerado – ou estava a gerar, dependendo do ponto de vista – um filho sem dar uma explicação, um motivo qualquer, alguma coisa que acontecera, que Margarida dissera ou fizera que não lhe agradara, ou que simplesmente deixara de gostar dela, mesmo isso sem outras elaborações seria aceitável. Devia ter dado todos os motivos e mais alguns, provavelmente muito plausíveis e perfeitamente compreensíveis, mas Margarida não conseguia lembrar-se dum só. Naquele momento, os sentimentos dentro de si andavam à deriva.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Diz-se que só se dá valor ao que se tem depois que se o perde; estaria porventura isso a passar-se com Margarida? Há pouco mais de vinte e quatro horas, estivera em casa de Ricardo chorando a perda de Miguel, mas agora só conseguia pensar em todos os bons momentos que passara ao lado de Mário nos três meses e alguns dias em que estiveram juntos e no filho que ele lhe dera. Sentia-se dividida e, o que é pior, sentia-se desorientada, como numa encruzilhada sem saber que caminho seguir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Deixou-se estar mais um pouco na esplanada. Veio-lhe à memória a tal lei da acção-reacção que lera na revista e não pôde deixar de se sentir mais triste ao pensar que as suas acções ultimamente foram premiadas com reacções contrárias às que desejaria. Fechou os olhos por um momento, mas o ruído duma ambulância a aproximar-se fê-la reabri-los rapidamente e lembrar-se de Miguel; quem sabe não teria sido naquela mesma ambulância que ele fora levado ao hospital? Afastou o pensamento: “Do que tu te foste lembrar, rapariga! Sempre tens cada ideia mais peregrina!” Miguel, Mário, Mário, Miguel... Reparou então na coincidência da primeira letra dos três nomes: Miguel, Mário e Margarida. “Mas que raio de ideias que estás a ter! Levanta-te e vai mas é para a faculdade, que daqui a pouco tens aulas.”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Assim fez; apanhou o autocarro e saiu na paragem em frente à faculdade. Pelo caminho, enjoou; sempre lhe acontecia isso quando viajava sentada de costas. “Quando é que aprendes a não te sentares nestes bancos?”, recriminou-se, sabendo todavia da inutilidade de tal acto de contrição, porquanto voltaria a fazer o mesmo na próxima oportunidade, tal era a preguiça de viajar de pé. Bom era o metro; aí nunca enjoava. Ou então ir de carro; não tinha carta, mas sempre andava à boleia. Gostava do carro de Miguel; dizia-lha muitas vezes, meio a brincar, meio a sério, que, quando tirasse a carta, compraria um carro igual ao dele, ou mesmo o seu em segunda mão, se ele resolve trocar por um novo. O carro de Mário não lhe agradava tanto, pois fazia-a sentir-se um pouco esmagada lá dentro. Era um carro pesado. Mário falava dele com satisfação, quase orgulho, cavalos para aqui, cilindrada para ali, dos zero aos cem em não sei quantos segundos, binário isto e aquilo; Margarida não percebia nada, mas gostava de ouvi-lo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entrou na faculdade com a cabeça inundada por Mário e Miguel, que competiam entre si pela maior fatia do seu pensamento, nem se apercebendo de não circulava ninguém pelos corredores. Só quando chegou à porta do anfiteatro e a encontrou fechada é que se lembrou que era a semana da Queima das Fitas e que não havia aulas. “Para o que havia de dar-me: vir para a faculdade sem ter aulas... Estou mesmo desnorteada”, pensou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas logo o mesmo pensamento tomou a sua mente de assalto. Aquilo que lhe parecera tão certo já não o era de novo. Depois de falar com Ricardo, Miguel era o homem da sua vida e Mário uma brincadeira destinada a fazer-lhe ciúmes. No entanto, agora que Mário lhe dissera, sem contemplações, que não podiam continuar juntos, sentia a sua falta, a segurança que lhe dava aninhar-se nos seus braços, a experiência dum homem mais maduro, deixar-se guiar por ele.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Saiu da faculdade pela porta por onde entrara e parou para pensar, ou talvez para tentar esvaziar a mente de pensamentos, já não sabia bem. Quando pensava que tinha conseguido e ia ter um momento de paz, uma outra dúvida assolou-a:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– E o meu filho? – murmurou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-7499284604606819477?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/7499284604606819477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=7499284604606819477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7499284604606819477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7499284604606819477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxvii.html' title='27'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-2013839085717651760</id><published>2007-08-16T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:28:48.485Z</updated><title type='text'>26</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Miguel soergueu-se na cama, mas logo voltou a deitar-se, por causa das dores. Era a terceira vez em três dias que tinha o mesmo sonho. “O que está a passar-se comigo?”, interrogou-se. Não conseguia compreender por que motivo o filho de Margarida se intrometia no seu sono; muito menos porquê daquela forma. “Não sou um assassino!” Não havia dúvidas: estar preso no hospital estava a começar a afectar-lhe o juízo. Infelizmente, tinha ainda pela frente um longo mês deitado na mesma cama, segundo lhe tinha dito o médico que o operara. “Se ao menos tivesse aqui os meus pais…”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como por magia, as suas preces pareceram ter sido ouvidas, porque nesse momento a porta abriu-se para deixar entrar primeiro a mãe e depois o pai de Miguel. Disse-lhe aquela:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Então, meu querido, como estás hoje?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Igual a ontem, deitado aqui esparramado nesta cama prestes a enlouquecer. – queixou-se, deixando escapar todo o seu azedume. ‒ Trouxe-me o jornal?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Claro, meu querido! – exclamou a mãe, e estendeu-lhe um jornal enrolado e atado com uma fita plástica.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Obrigado. Posso pedir outra coisa?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Diz, meu querido!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Dava para me trazerem uma televisão para aqui? Este raio de hospital é uma pasmaceira que só visto…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Acho que podemos fazer isso. E o teu portátil, também o queres? – lembrou o pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Ora aí está uma boa ideia. Como foi que não me lembrei disso antes!? Obrigado, Papá! – Miguel sorriu pela primeira vez nos últimos dias ao pensar no seu adorado computador. – Vou ocupar-me do SOM; vai sair daqui pronto!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel sentiu a excitação crescer dentro de si enquanto pensava no seu sistema operativo e no trabalho que ainda tinha pela frente; era nestas alturas que se sentia certo de que escolhera o curso certo. Porém, uma dúvida surgiu a enevoar-lhe o horizonte: como mexer no computador com um braço partido? Porém, a dúvida logo se dissipou: “Uso só um braço; vai demorar mais, mas serve. Também não tenho pressa.”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Que bom ver-te assim animado! – a mãe acariciou-lhe a cabeça, passando a mão pelos cabelos. – Como estás das dores?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Mais ou menos o mesmo. Não posso sentar-me nem virar-me, e agora dói-me o rabo de estar sempre na mesma posição.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Vais ver que não tarda já estás bom outra vez! – animou-o o pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Quem me dera… – suspirou Miguel. – Estou tão aborrecido de estar aqui…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Já não dirás isso quando te trouxermos o computador, que eu bem te conheço – disse-lhe a mãe em tom de brincadeira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel corou um pouco. Era verdade que o computador conseguia captar a sua atenção por inteiro; várias vezes Margarida se queixara de que o computador lhe merecia mais atenção do que ela, e ele reconhecia‑lhe alguma justiça nessa acusação. Mas não queria agora pensar em Margarida, nem no filho dela. Não foi contudo a tempo de ocultar Margarida do olhar da mãe, que lhe perguntou directamente:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Estás a pensar nela, não estás?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Sim…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel recordou o sonho que vinha tendo, aquele sonho que o atormentava recorrentemente há três dias. Durante um momento ponderou falar sobre isso aos pais, mas optou por mudar de assunto:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ E então, contem-me coisas do mundo lá fora, que o jornal só traz notícias enfadonhas de muito longe. Que é que se tem passado na nossa bela rua?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Olha, está tudo na mesma. Há dias partiram a montra da loja da florista da esquina, mas nem sei se roubaram alguma coisa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ E do carro, há novidades?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Parece que não tem reparação possível – respondeu-lhe o pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ O meu carrinho…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ficaram os três em silêncio e Miguel olhou pela janela. Gostava imenso do seu carro, sobretudo pelas recordações que lhe trazia, muitas delas ligadas a Margarida e aos passeios que costumavam dar juntos…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Estava na hora de mudar de carro – afirmou determinado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os pais estranharam a súbita reacção à perda do carro, mas não disseram nada. Dalguma forma, perceberam que tinha a ver com Margarida e não quiseram forçar o filho a pensar nela de novo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-2013839085717651760?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/2013839085717651760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=2013839085717651760' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2013839085717651760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2013839085717651760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxvi.html' title='26'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-8551448256963114699</id><published>2007-08-14T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:28:19.714Z</updated><title type='text'>25</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Margarida chegou ao café pontualmente, deu uma espreitadela e voltou a sair, sentando-se na esplanada praticamente vazia. Ele ainda não tinha chegado e ao seu lado apenas uma mesa estava ocupada com três clientes com todo o aspecto de serem orientais – japoneses, talvez. Pegou numa revista e começou a ler, mas não estava verdadeiramente concentrada: Miguel não lhe saía da cabeça. Recordou, uma vez mais, a conversa que tiveram dois dias antes, a forma como Miguel a mandara embora do Hospital e da sua vida e sentiu-se só como nunca se sentira. Tentou afastar estes pensamentos e concentrar-se na leitura:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“A física aplicada à vida quotidiana produz resultados espantosos. Por exemplo, uma das leis de Newton, a lei da acção-reacção, diz que toda a força aplicada sobre um corpo desencadeia outra da mesma intensidade mas de sentido oposto. Aplicada às relações humanas, cada acção que exercemos sobre o próximo, aqui entendido como a pessoa que connosco se relaciona, desencadeia nele uma reacção de igual intensidade, mas de sentido oposto. Contudo, no caso do Homem, nem sempre a intensidade da reacção é igual”, dizia a cronista na sua coluna. Margarida pousou novamente a revista e fechou os olhos, meditando sobre o que acabara de ler.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não teve, porém, muito tempo para meditar, porque entretanto a esplanada entrou em rebuliço. Sem que Margarida tivesse dado conta, outro cliente tinha ocupado uma mesa na esplanada e pedido um café em chávena escaldada. Quando o empregado do café, vestido na sua farda branca com botões dourados, lhe trouxe o pedido, trouxe também a conta:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Um euro e vinte, por favor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Como!? – exclamou o cliente, que estava vestido com uma fato cinzento já gasto e usava barba com aspecto pouco lavado (Margarida pensou para si que o cliente ou era artista – um desses preconceitos que levam a ver o mundo da arte como tendente a contrariar as normas sociais, nomeadamente no que ao vestuário diz respeito – ou não era cliente nenhum e estava ali apenas para tentar conseguir um café sem pagar).&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida não conseguiu ouvir a resposta do empregado, mas apenas a explicação, já um pouco exaltada, do homem do fato cinzento:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Não pago nada; eu sou um cliente habitual e você já devia conhecer-me, por isso não tenho nada que pagar!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O empregado do café retorquiu:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ O senhor desculpe, mas esta é a regra da casa: na esplanada, o serviço é pago no acto; eu não posso fazer doutra maneira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Eu ainda estou à espera dum amigo meu, que ficou de encontrar-se comigo aqui, por isso não vou pagar nada até ele chegar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Desculpe, mas tem de pagar – afirmou o empregado peremptoriamente; no seu tom de voz notava-se que já estava a ficar desagradado com a situação.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Tenho de pagar o quê? Tenho de pagar o quê!? – gritou o cliente, levantando-se, e, sem aviso, deu uma bofetada na cara do empregado, que se desequilibrou para trás e deixou cair o tabuleiro, derrubando tudo o que estava em cima da mesa onde se encontravam os japoneses, que se levantaram e debandaram, deixando para trás uma nota de cinco euros sem se preocuparem em receber o troco.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os copos e as garrafas partiram-se em mil bocadinhos ao caírem sobre o chão de pedra cinzenta, fazendo um alarido que alertou os empregados no interior do café, que foram chamar o gerente. Entretanto, um senhor que ia a passar na rua, vendo a situação, agarrou o homem do fato cinzento quando este se preparava para atacar novamente o combalido empregado, que apenas repetia incessantemente:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Ele agrediu-me! Ele agrediu-me! Olhem para isto! – mostrava o casaco branco sem botões, pois tinham sido todos arrancados durante a refrega. – Ele agrediu-me!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Enquanto isso, o homem do fato cinzento ia dizendo imprecações contra o empregado:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Eu venho aqui há mais anos do que esse garoto aqui trabalha e vem ele agora dizer-me que eu tenho de pagar!? – Virou-se então para o gerente, que vinha afogueado: ‒ Este miúdo não me atende mais! Ou o despedem, ou eu não venho cá mais; a opção é vossa!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O gerente tentou acalmar o cliente, mas este, ainda exaltado, apenas repetia a mesma frase – não venho cá mais enquanto ele cá estiver. Aproveitando o facto de ter de novo liberdade total de movimentos, foi atrás do empregado e deu-lhe mais um pontapé. Este ia responder na mesma moeda, mas valeram os clientes que se encontravam no interior do café para os segurarem.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O gerente mandou o empregado para dentro e, depois de ter falado mais um pouco com o cliente, voltou também para o seu posto e o homem do fato cinzento ficou por ali sozinho, de pé, a cirandar, ainda irritado. Porém, passado um pouco, sentou se de novo no mesmo lugar e pediu um novo café em chávena escaldada, tendo o cuidado de acrescentar para a empregada que entretanto substituíra o primeiro (este estava agora atrás do balcão a limpar copos):&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Este já está pago!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida assistiu a toda esta cena pregada ao seu lugar. Poucos minutos depois, Mário chegou:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Desculpa o atraso, querida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Beijaram-se e Margarida disse:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Já foste castigado pelo atraso: perdeste uma cena que não se vê todos os dias.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ O quê?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida contou então abreviadamente o que acabara de presenciar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ E dos chineses, nem sinal… – concluiu no final da história.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mário não reagiu; disse apenas:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Margarida, precisamos de conversar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao mesmo tempo, Miguel acordava estremunhado no hospital:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Não! Outra vez o mesmo sonho!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-8551448256963114699?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/8551448256963114699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=8551448256963114699' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8551448256963114699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8551448256963114699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxv.html' title='25'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1229397273619078026</id><published>2007-08-09T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:21:10.226Z</updated><title type='text'>24</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- A Margarida esteve cá, ontem... – disse Miguel a Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu sei. Cruzei-me com ela, à saída. Ainda tentei que ela não viesse ver-te, mas foi em vão. – respondeu-lhe Ricardo, tentando não deixar transparecer que sabia mais do que dizia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mandei-a embora. Depois fiquei a pensar se deveria tê-lo feito assim, ou não. Mas a raiva foi tanta, que nem sequer falar a deixei.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então não sabes o que ela tinha para te dizer???&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, mas também já não importa. Quero-a fora da minha vida. Acabou o reinado da Margarida em mim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Miguel... Eu tenho de contar-te uma coisa. A Margarida esteve comigo hoje de manhã. Não, não digas nada e deixa-me falar, antes que perca a coragem. – disse-lhe Ricardo de uma só assentada, como se as palavras fossem fugir-lhe no instante seguinte. E prosseguiu. – Ela disse que te ama, que está arrependida e que veio aqui para te pedir que esperasses por ela até o bebé nascer. Disse que se envolveu com o outro por orgulho ferido, porque a tinhas mandado embora, e que quando se deu conta já estava irremediavelmente ligada a um homem que não amava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel ficou em silêncio e Ricardo olhou-o interrogativamente. Conhecia bem o amigo, mas quando o assunto era “Margarida” sabia que podia contar com qualquer tipo de reacção.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sabes, Ricardo. Eu amo a Margarida. Mas o nosso tempo passou. Eu mandei-a embora porque não estava feliz ao lado dela, e ela seguiu a vida dela. Fez as escolhas dela. Está grávida. Vai ter um filho de outro homem. Sabes o que é que ela me dizia quando estávamos juntos? Que se um dia fosse Mãe que não se importava, mas que não era uma coisa que desejasse muito. Mas, meses depois de termos acabado, além de um novo namorado, estava grávida. Eu desesperei. Achei que o meu mundo ia desmoronar-se e que a minha vida tinha acabado. Só que depois tive o acidente, e tudo mudou. Estou todo partido, mas agora, passados uns dias, consigo perceber que poderia ter sido bem mais grave do que umas fracturas e uns dias numa cama de Hospital. Este acidente mudou-me. Ainda não sei explicar bem como, mas o porquê é evidente. A vida está a dar-me a oportunidade de a viver de verdade, novamente. E não a vou desperdiçar. Sempre fui um tipo alegre e bem disposto, e desde que as coisas com a Margarida azedaram, a minha alegria foi-se. E ontem, pela primeira vez, senti a minha alegria de volta, quando percebi que estou vivo e que daqui a uns tempos este acidente já não será mais do que passado, tal como a Margarida já é. Tenho pena que ela tenha percebido que me ama tarde demais. Eu agora só quero ficar bem e retomar a minha vida. Talvez um dia seja capaz de voltar a amar outra mulher. Mas, para já, só quero paz e descanso. Tenho de pensar em mim. Acabou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Naquele momento Ricardo percebeu que qualquer coisa que dissesse seria inútil. Afinal ainda conhecia bem o amigo. Sabia que Miguel amava Margarida, e havia percebido que ela também o amava. Mas, também sabia que Miguel jamais seria capaz de voltar a viver aquele amor. As feridas eram profundas demais, e as mágoas eram imensas. Apesar de se amarem, aqueles dois jamais poderiam ser felizes juntos. Essa ideia entristeceu-o. E apenas um pensamento o animou: Miguel não havia dito que não queria voltar a amar. E isso era muito importante. Isso dava-lhe a certeza de que Miguel, um dia, voltaria a ser feliz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sabes Miguel, quando a Margarida saiu lá de casa, hoje de manhã, eu fiquei sem saber se haveria de contar-te acerca da nossa conversa, ou não. Mas percebi que tinha de te contar. E vejo que foi o melhor que fiz. Se realmente é essa a tua decisão, ao menos que seja tomada sabendo tu de toda a verdade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Obrigado, Ricardo. A minha decisão está tomada. Quero que a minha vida ande para a frente, e isso só vai acontecer longe da Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo assentiu com um ténue gesto com a cabeça. Sabia que, naquele momento, o silêncio era a melhor via. Estaria ali para tudo o que o amigo precisasse, como sempre havia estado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De repente, olhou para o relógio e percebeu que eram horas de ir embora. Despediu-se de Miguel e regressou à empresa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A conversa com Miguel continuou a passear-lhe na mente o resto da tarde. Sentia uma admiração enorme pelo amigo. Apesar de amar aquela mulher, Miguel sabia que com ela jamais poderia ser feliz de verdade e, por isso, havia preferido abdicar dela e do amor que ela dizia sentir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fechou os olhos e, nesse instante, recordou Tomás. Já sabia quem o fazia lembrar. Mas era impossível. Eles nem se conheciam. Relembrou o rosto de Carla, o seu sorriso, o toque da sua pele, o calor do seu abraço, o cheiro do seu cabelo, e, naquele momento, sentiu saudades dela. Mas tinha de esperar. Sexta jantariam, e teria de aguardar pacientemente pela sua chegada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1229397273619078026?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1229397273619078026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1229397273619078026' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1229397273619078026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1229397273619078026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxiv.html' title='24'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-6460351162306360691</id><published>2007-08-07T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:19:37.625Z</updated><title type='text'>23</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Depois da conversa com Margarida, Ricardo sentia-se vazio de tudo o que poderia, eventualmente, sentir. Já tinha passado a conversa em revista vezes sem conta. Não havia conseguido concentrar-se durante toda a manhã, por causa do que tinha ouvido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Antes das 8hs Margarida tocara à campainha de sua casa. Depois de a fazer entrar, sentaram-se os dois na sala, e ela começou a falar. Disse-lhe que estava arrependida e que a conversa que haviam tido a tinha feito perceber que amava Miguel. Contou-lhe, também, que havia sido esse o motivo da sua visita a Miguel no Hospital, mas que Miguel lhe havia fechado a porta da sua vida na cara, mandando-a embora, sem dó nem piedade. No fim as palavras haviam ficado embargadas e as lágrimas caiam rebeldemente pelo seu rosto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nunca imaginara que seria aquilo que Margarida teria para lhe dizer. Tinha percebido nas suas palavras, mais ainda nos seus silêncios, que Margarida amava Miguel de verdade. Mas, e se bem conhecia o amigo, se ele tinha colocado um ponto final naquela história pedindo-lhe que saísse da sua vida, já não havia retorno possível. Podia ser muito difícil para Miguel tomar decisões e desatar laços, mas sabia que quando o fazia era baseado em decisões sólidas e definitivas. Tinha ficado com pena de Margarida, porque havia percebido que ela amava Miguel. Queria poder ajudá-la. Mas sabia que tudo o que fizesse seria inútil. Quando Miguel tomava uma decisão, nada o fazia mudar de ideias. E duvidava que Margarida conseguisse.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“-Espera que ele saia do Hospital, que esteja completamente recuperado, e volta a tentar. É o único conselho que posso dar-te, Margarida!” – dissera-lhe Ricardo, numa tentativa vã de lhe dar alguma esperança. Esperança esta que sabia ser inútil e falsa. Mas era a única coisa que podia fazer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Precisava de ver Miguel. Só que teria de esperar até à hora da visita. Não queria contar ao amigo a conversa que havia tido com Margarida. Iria ouvi-lo e, mediante o que ele lhe dissesse, logo decidiria o que fazer com as revelações de Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Perdido nestes pensamento, Ricardo nem deu pelo toque inicial do telemóvel. Ao ver o nome de Carla a piscar no visor, sentir uma calma súbita.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá Carla! Ainda bem que ligou. Estava a precisar de um pouco de ânimo, e falar consigo é sempre uma coisa boa! – disse Ricardo, tentando ser galanteador.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá Ricardo! Estou a ligar-lhe para lhe agradecer! Ontem fiquei desorientada com a febre do Tomás. Se não fosse o seu primo, eu teria ficado ainda mais nervosa, porque hoje de manhã, quando telefonei para o Pediatra do Tomás descobri que ele está fora do país até ao final da semana.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não tem de agradecer. Voltaria a fazer tudo outra vez. Apesar de ter tomado o rumo que tomou, a nossa noite deixou-me com vontade de passar mais tempo consigo. Mas diga-me, como está o Tomás?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Está melhor, obrigada!... Ricardo, ontem, antes de se ir embora... Queria agradecer-lhe pelo que não aconteceu... Eu estava frágil demais... – disse-lhe Carla, num tom envergonhado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não agradeça... Só eu sei como tive de me controlar. Não vou mentir-lhe, a vontade de pousar os meus lábios nos seus era muito forte, mas jamais me aproveitaria das circunstâncias.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Obrigada de qualquer maneira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vá, se volta a agradecer zango-me consigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Queria retribuir-lhe a sua disponibilidade de ontem com um convite para jantar cá em casa. O Tomás perguntou-me quando é que eu convidava o Sr. da cara simpática para vir jantar connosco. Mas disse que tinha de ser no dia em que ele vai mais tarde para a cama, por isso o convite é para sexta ou sábado. Deixo-o escolher.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Por mim, pode ser na sexta. Mas... Isso quer dizer que só volto a vê-la na sexta??? – perguntou Ricardo, já num tom mais descontraído e brincalhão.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, voltamos a ver-nos na sexta. Vou dedicar o resto da semana a mimar o meu Menino, que ainda não está recuperado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- É justo! Então ficamos combinados para sexta. Às 20hs em sua casa?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, às 20hs em minha casa. Até lá!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Combinado, então. Lá estarei. E, Carla... Adorei aquele abraço...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Até sexta, Ricardo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de Carla desligar o telefone, Ricardo voltou a pensar em Tomás. Aquele menino parecia-lhe familiar, só não sabia nem como nem porquê. Mas haveria de descobrir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando se deu conta das horas, percebeu que eram horas de ir almoçar. Quando regressasse do almoço, ainda tinha umas chamadas aborrecidas para fazer e, depois, iria visitar Miguel ao Hospital. Sentiu um arrepio só de pensar na conversa com o amigo. E, pela primeira vez, Ricardo teve receio de não saber o que dizer a Miguel.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-6460351162306360691?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/6460351162306360691/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=6460351162306360691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6460351162306360691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6460351162306360691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxiii.html' title='23'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1884670632323087208</id><published>2007-08-02T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:17:53.023Z</updated><title type='text'>22</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ricardo olhou-a e percebeu que algo a incomodava. Era como se quisesse dizer alguma coisa, mas não soubesse como o fazer. No entanto, quando percebeu que Ricardo a olhava com ar interrogativo, Carla sorriu. Era um facto que queria saber de Miguel, mas, ao mesmo tempo, não queria estragar o momento a falar de alguém que iria, mais cedo ou mais tarde, provocar outra alteração significativa na sua vida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sabe, Ricardo, tenho pena do seu amigo e do que lhe aconteceu. Mas parece-me que quem não está bem é o Ricardo. Bastou-me olhar para si para o perceber. Não me pergunte porquê, mas percebi-o. E aquele telefonema de há pouco acabou consigo... Se quiser ir embora, eu percebo. – disse Carla, sem pensar bem no que estava a dizer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo estendeu a sua mão por cima da mesa e segurou a de Carla, dizendo-lhe em seguida:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não Carla, vamos ficar mais um pouco. É verdade que não estou a sentir-me muito bem. Foi o acidente do meu amigo, provocado pelo facto de a ex-namorada dele estar grávida de outro. São as discussões com a minha ex-namorada que, apesar de ter sido ela a acabar tudo, continua a tentar controlar a minha vida. É o trabalho e o peso de ter de assumir um negócio de família que se revelou de uma dimensão bem maior do que eu imaginava. E é a falta de tempo para mim, e para ter uma vida. – retorquiu Ricardo, de uma vez só.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla sentiu o calor da mão de Ricardo pousada sobre a sua e deixou-se ficar. A mão de Ricardo era suave e quente. Mas o contacto foi subitamente interrompido pelo som estridente de um telemóvel. Desta vez era o de Carla que tocava freneticamente dentro da mala. Quando viu que o número que piscava no visor era o de sua casa apressou-se a atender.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim? Elisa? Está tudo bem com o Tomás? – Perguntou Carla assim que atendeu a chamada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O menino Tomás está cheio de febre, e o medicamento que o médico receitou para estas febres do menino não fez efeito. Já é tarde e eu não sabia o que fazer. – respondeu-lhe Elisa com um tom claramente assustado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu vou já para casa, não se preocupe. – respondeu Carla, desligando o telemóvel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O que se passa, Carla? – perguntou-lhe Ricardo, num tom preocupado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O meu Filho está a arder em febre. Tenho de ir para casa. Desculpe, Ricardo. Combinamos qualquer coisa noutro dia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu vou consigo. E nem vale a pena dizer que não. Não vou deixá-la sozinha neste momento. Vamos no meu carro e eu depois arranjo alguém que venha buscar o seu. Não está em condições de conduzir. – disse Ricardo peremptoriamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sem reclamar, Carla aceitou a disponibilidade de Ricardo e depois deste pagar a conta, dirigiram-se ao seu carro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Num instante chegaram ao destino. Mas entraram em casa de Carla, esta dirigiu-se ao quarto do Filho, que ardia em febre. Ricardo seguiu-a, entrando depois dela no quarto de Tomás. Ao olhar o menino, Ricardo ficou com a sensação de já o ter visto nalgum lugar. Só não sabia de onde.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla, desesperada por não conseguir baixar a febre do Filho de forma alguma, resolvera chamar um médico, e Ricardo lembrara-se de telefonar ao seu Primo Lourenço, que era médico. Em menos de meia hora Lourenço estava a entrar em casa de Carla para observar Tomás. Depois de examinar o menino, Lourenço prescreveu alguns medicamentos que precisava de ser administrados o mais rapidamente possível.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo deixou a casa de Carla com Lourenço, para irem buscar o carro de Carla e para, no caminho, procurarem uma farmácia de serviço. Pouco depois já Tomás tinha tomado os medicamentos. Depois de esperarem a hora indicada pelo médico para que a febre começasse a baixar, o termómetro mostrou que a febre começava, efectivamente, a ceder.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com a descida da febre, Tomás acalmou e acabou por adormecer. Só depois de ter a certeza de que o Filho dormir é que Carla deixou o seu quarto, acompanhada por Ricardo. Dirigiram-se para a sala, e já aí, Carla não aguentou a pressão e libertou as lágrimas que há horas lhe queimavam os olhos. Ricardo envolveu-a nos seus braços com suavidade e acalmou-a até que as lágrimas cessassem.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No momento em que as lágrimas de Carla começaram a secar, olharam-se de uma forma muito intensa e terna. Por breves instantes Carla julgou que Ricardo se preparava para a beijar. Mas, e contra todas as expectativas, Ricardo apenas encostou os seus lábios na testa de Carla, e voltou a deixá-la descansar a cabeça no seu ombro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nem Carla nem Ricardo estavam à espera que qualquer uma daquelas coisas acontecesse. Quem diria que um simples café numa esplanada do Cubo se transformasse no que se transformou. Carla nunca imaginaria Ricardo a ter aquele trabalho todo por sua causa, muito menos por causa de Tomás. E Ricardo jamais se imaginara a dar-se a todo aquele trabalho por causa de uma mulher que ainda mal conhecia, e por causa do filho dela. No entanto, a verdade, é que ambos sentiam que tudo aquilo fazia muito sentido, mesmo que não soubessem nem como nem porquê.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Despediram-se passado algum tempo, e Ricardo prometeu ligar no dia seguinte para saber como estavam Mãe e Filho. Ao chegar ao carro voltou a pensar em Tomás. Aquele menino era-lhe demasiado familiar. Mas como??? Não percebia, mas sabia que iria acabar por descobrir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De repente lembrou-se do telefonema de Margarida. E, intrigado, pensou que no dia seguinte saberia o que ela tinha para lhe dizer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esquecendo tudo, por breves instantes, ligou o carro e foi para casa. Estava mesmo a precisar de descansar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1884670632323087208?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1884670632323087208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1884670632323087208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1884670632323087208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1884670632323087208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/08/xxii.html' title='22'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1227938629518444357</id><published>2007-07-31T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:16:08.315Z</updated><title type='text'>21</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Miguel estava em casa e tinha uma aliança no dedo. A televisão estava ligada e Miguel estava sentado no sofá em frente a ela, mas não estava a ver o que o pequeno ecrã reproduzia. A sua atenção estava voltada para um bebé que brincava ali perto. De repente, Miguel levantou-se e pegou no bebé, que começou a chorar. Sempre que lhe pegava, o bebé chorava, como se quisesse lembrar a Miguel que não era ele o seu pai. Miguel estava farto disso. Estava farto de olhar todos os dias para o bebé e ver na sua cara rosada a do pai, a do homem que engravidara Margarida. Estava farto de ter de lidar com o facto de que Margarida tivera outro homem e que Miguel fora a segunda opção. Todo o ódio que possuía dentro de si se concentrou nesse momento no pequeno bebé. Miguel levou-o até ao quarto de banho, depositou-o na banheira, fechou o ralo e abriu a água fria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel não sabia se estava acordado ou a dormir; passar o dia deitado numa cama de hospital fazia-o perder a noção do tempo e de si mesmo. Sabia que era noite pela escuridão que lhe entrava pela janela, mas não sabia que horas eram. Soergueu-se e procurou o relógio na gaveta da mesinha de cabeceira: eram quase dez e meia. Agora estava definitivamente acordado. Tinha sido sem dúvida um sonho, ou talvez fosse mais apropriado dizer um pesadelo. A última realidade que tinha por certa era a visita de Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida… Deixou-se ficar um pouco a rever o que se tinha passado naquele quarto de hospital e arrependeu-se. Quer dizer, não sabia, já não sabia nada de nada. Já não sabia se o que sentia por Margarida era amor ou ódio, ou ódio por não conseguir deixar de amá-la, ou raiva por ela estar bem nos braços doutro homem enquanto ele estava no hospital por causa dela, ou inveja dessoutro homem que lhe roubara o coração e lha roubara de si. Sentia que Margarida era sua, sempre fora e sempre havia de ser, mas já não sabia se a queria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;– Estou tão farto de fazer borradas na minha vida! – murmurou. – Se ao menos soubesse qual é o caminho certo…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas não podia saber. Só se pode saber se um caminho leva ao destino desejado depois de percorrê-lo e, na maioria dos casos, esses caminhos são de sentido único; mesmo que o não sejam, o tempo perdido a percorrê-lo e a voltar para trás é irrecuperável. Miguel sabia disso, e isso deixava-o ainda mais confuso. Mandara Margarida embora quando esta viera visitá-lo de tarde num acesso de impulsividade de que entretanto se arrependera, mas o sonho que agora tivera… Perguntou-se a si mesmo como poderia viver ao lado de Margarida olhando diariamente para um filho que não era seu. Como poderia cuidar duma criança que era a lembrança dos momentos mais horríveis da sua vida, em que mais havia sofrido? Mas, por outro lado, Margarida… Lembrou-se da festa de aniversário em que a conhecera, dos passeios de mão dada junto ao mar, do primeiro beijo, dos que se lhe seguiram, de todos os momentos que passaram juntos, dos planos que faziam para o futuro…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembrou-se então de Ricardo. Que falta lhe fazia uma conversa com o amigo naquele momento!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na esplanada, o telemóvel de Ricardo começou a tocar. Pedindo desculpa a Carla, Ricardo pegou nele e viu o número de Margarida a cintilar. “É engraçada a vida”, pensou, “nunca quis ter o número dela gravado no telemóvel, e, por causa disso, acabei por decorá-lo, mas não sei o número do Miguel.” Atendeu:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Diz, Margarida – a voz denotou-lhe o enfado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Preciso de falar contigo, pessoal e urgentemente – disse-lhe a voz do outro lado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Pois, mas agora não pode ser, que não estou em casa e estou ocupado. Eu depois ligo-te e combinamos qualquer coisa, pode ser?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Não, não pode. A que horas chegas a casa?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Não sei.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Então amanhã de manhã, antes de saíres para o trabalho, passo por lá.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo assentiu, suspirando, e despediu-se de Margarida, dirigindo-se em seguida a Carla, em jeito de desculpa:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Há alturas em que tudo parece acontecer em catadupa. Estas duas últimas semanas têm sido de doidos!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla aproveitou a deixa para tentar saber um pouco desse amigo hospitalizado – Miguel, porventura:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Pois, compreendo… Disse-me que tinha, inclusivamente, um amigo no hospital… Está melhor?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Sim, saiu da Observação e está agora internado na enfermaria, mas ainda lá vai ficar uns tempos, segundo me disseram os médicos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ É assim tão grave?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Ele saiu com o carro completamente da estrada e caiu por uma ribanceira. Teve muita sorte de não acabar parado em cima da linha de comboio que passava lá perto! Sabe-se lá onde estaria agora, se fosse o caso…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Pois… O Ricardo tem-lo visitado?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;‒ Ainda hoje estive com ele; fui lá vê-lo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla estava na dúvida sobre como prosseguir a conversa. Queria saber de Miguel, mas não queria parecer intrometida. Bebeu um gole da sua bebida para pensar no que dizer a seguir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1227938629518444357?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1227938629518444357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1227938629518444357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1227938629518444357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1227938629518444357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xxi.html' title='21'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-2338032339810278202</id><published>2007-07-26T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:15:33.089Z</updated><title type='text'>20</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A reunião com os clientes Franceses tinha corrido bem melhor do que estava à espera. Mas havia qualquer coisa a preocupá-lo. Sabia bem o que era, mas até ao dia seguinte não lhe seria possível saber o que queria. Teria de esperar até à hora da visita de Miguel para falar com o amigo e saber o que tinha acontecido com Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Só que, por mais que estivesse preocupado com o amigo, havia outra pessoa que ocupava o seu pensamento – Carla. Não conseguia parar de pensar nela. E, contra tudo o que era normal em si, resolvera telefonar-lhe. Precisava de ouvir a sua voz, para poder recordar o movimento dos seus lábios em cada palavra proferida. Precisava de ouvir a sua voz, para fechar os olhos e vê-la sorrir. Precisava de ouvir a sua voz, apenas porque sabia que o seu tom meigo e pausado iria ter o poder de o fazer sentir-se melhor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Procurou o número de Carla na lista telefónica no telemóvel e, ao encontrá-lo, hesitou. “O que é que se passa comigo?”, indagou-se, “Pareço um miúdo de 15 anos que não sabe falar com uma rapariga...”. Respirou fundo e carregou no botãozinho verde. Chamou, chamou, chamou, e quando estava mesmo a desistir, Carla atendeu o telemóvel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá Ricardo, como está? – perguntou Carla, num tom entre o surpreendido e o assustado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estou mais ou menos, confesso. Liguei-lhe porque precisava de ouvir a sua voz. Sei que é estranho e precipitado dizer estas coisas, mas a verdade é que não me sentia tão bem com alguém como senti consigo. Parece que a Carla é capaz de me entender, mesmo quando não digo muita coisa. E sinto que sente o mesmo que eu. Sei que só estivemos juntos uma vez, mas deixe-me convidá-la para jantar. Por favor... – disse Ricardo de uma só vez, como se fosse perder a coragem no momento imediatamente a seguir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla estranhou aquele impulso, mas alguma coisa na voz dele denotava sinceridade. A verdade era que também ela se sentia muito bem ao lado de Ricardo. Aquele homem, que tinha passado uma noite inteira a ouvi-la falar de Tomás, não olhava para ela de lado pelo facto de ter sido Mãe tão jovem. Não a julgava por ser Mãe solteira. Tão pouco havia tentado dar-lhe lições de moral pelo que quer que fosse. E há muito tempo que não encontrava ninguém assim. No entanto, sentia que tudo isso podia desvanecer-se como se de uma nuvem de fumo se tratasse. Ricardo havia sido, nos tempos de Colégio, o melhor amigo de Miguel. Não sabia que relação manteriam, ainda, mas a verdade é que quando Ricardo soubesse quem ela era as coisas mudariam, com toda a certeza. Mesmo assim, resolveu que iria arriscar um pouco.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Jantar não posso. Prometi ao Tomás que jantava com ele hoje. Mas às 21h30 são horas de o meu Menino ir dormir. Podemos encontrar-nos depois, para conversar um pouco. O que diz? – propôs-lhe Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Claro que sim. Encontramo-nos nalgum lugar, ou posso ir buscá-la a casa?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- É melhor encontrarmo-nos. Há um lugar na cidade que eu adoro, e onde ainda não voltei desde que regressei ao Porto. Se não se importar, gostava de ir até à Praça do Cubo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- No Cubo será, então. Às 22hs? E em que esplanada?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Às 22hs, sim. Na esplanada que tem o melhor chocolate quente. Tenho a certeza de que vai descobrir qual é! – respondeu Carla, já em jeito de despedida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então até logo! Um beijo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Até logo. Beijinhos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de desligar o telefone, Ricardo olhou para as horas. Eram quase 20hs. Já era mais do que tempo de ir para casa, tomar um duche e comer qualquer coisa, antes de ir encontrar Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando chegou a casa, Carla deu um beijo enorme no Filho. A melhor coisa do mundo era chegar a casa e ver Tomás, de pijama e roupão à espera dela com um sorriso rasgado no rosto. “É tão bonito o meu Menino!”, pensava sempre para consigo mesma. E no momento seguinte pensava em como ele era parecido com o Pai. O seu Filho era o que de mais importante tinha na vida, e não podia deixar que nada nem ninguém o magoasse.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vamos jantar, meu amor? A Mamã tem de sair depois de ires para a caminha. Vais portar-te bem e dormir logo, não vais?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, Mamã. Eu porto-me sempre bem!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla jantou, deitou o filho, deu-lhe um beijo de boa noite e dirigiu-se ao seu quarto. Sentiu um frio na barriga. Estava nervosa por ir encontrar-se com Ricardo. Passou uma escova nos seus longos e sedosos cabelos, e preparou-se para sair.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já no carro pensou para consigo mesma que aquilo era loucura. Mas já tinha dito que ia, e não queria deixá-lo pendurado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Num instante chegou à zona da Ribeira. Estacionou o carro no primeiro lugar que encontrou, e dirigiu-se ao Cubo. Há anos que não ia àquele lugar. Quando lá chegou viu Ricardo. Estava sentado na esplanada preferida dela. Tinha acertado. Respirou fundo e caminhou até ele. Ricardo, quando a viu, levantou-se de imediato e abriu-lhe um sorriso meigo e muito bonito. Estava com um ar cansado e abatido. Alguma coisa não estava em, e Carla havia percebido isso no momento em que o olhara.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-2338032339810278202?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/2338032339810278202/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=2338032339810278202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2338032339810278202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2338032339810278202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xx.html' title='20'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-4938745021634954858</id><published>2007-07-24T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:13:18.624Z</updated><title type='text'>19</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Margarida ainda hesitou em responder a Ricardo, mas percebeu que era inútil.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Preciso de o ver. Preciso de saber que ele esta bem. Entendes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, não entendo. A única coisa que queres é ficar em paz com a tua consciência, para depois poderes ir embora para o teu mundo perfeito à vontade, e sem ter de olhar para trás. Vai-te embora Margarida. Já fizeste mal demais ao meu amigo. – disse-lhe Ricardo tentando, a muito custo, controlar a sua ira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não sei porque é que me dou ao trabalho de te perguntar o que quer que seja. Quero ver o Miguel e vou vê-lo. E não serás tu quem irá impedir-me. – disse-lhe Margarida, voltando-lhe, de seguida, as costas e caminhando em direcção à enfermeira que se encontrava a sair de um dos quartos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Como é que o Miguel pode ter ficado naquele estado por causa desta mulher que não mostra o mínimo respeito por ele?”, questionou-se Ricardo. “O pior é que ela agora aparece ali, ele fica cheio de esperanças e depois ela volta a ir-se embora, outra vez.”, pensando ainda para consigo mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo sabia que Miguel sentia algo de muito forte por Margarida e, por isso mesmo, temia a reacção do amigo ao vê-la ali. Fechou os olhos, respirou fundo e dirigiu-se, novamente, ao caminho labiríntico que o levaria de volta ao seu carro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao chegar ao carro, Ricardo recostou-se no banco e deixou-se levar, por breves instantes, pela música que tocava no rádio. Na sua mente surgiu Carla e a vontade de lhe ligar foi mais do que muita. Sentia uma necessidade imensa em estar com aquela mulher que mal conhecia, mas com quem se sentia tão bem. Mas não podia. Não naquele momento. Tinha uma reunião com uns clientes Franceses e não podia, de todo, voltar a adiá-la. Já chegava tê-lo feito no dia do acidente com Carla, por causa da discussão com Beatriz, que o deixara completamente fora de si.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entretanto, ainda dentro do Hospital, Margarida dirigiu-se ao quarto onde estava Miguel. Este, ao vê-la, teve a reacção mais inesperada possível.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O que é que estás aqui a fazer, Margarida?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Precisava de te ver, de saber que estás bem. – respondeu-lhe Margarida, surpreendida com a frieza e com a secura de Miguel. Ainda há poucos dias aquele homem dizia que a amava, que seria capaz de tudo por ela, e agora tratava-a com a maior distância do mundo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vai-te embora. – disse-lhe Miguel, num tom áspero – Não quero voltar a ver-te. Sabes, Margarida, este acidente, não tanto pelas mazelas físicas com que me deixou, mas mais pelo impacto psicológico que teve em mim, fez-me perceber que há coisas bem mais importantes na vida do que sofrer por quem não me quer. Apanhei o susto da minha vida. Às vezes fecho os olhos e revejo o acidente. Foi horrível. Muita sorte tive eu. Tendo em conta as circunstâncias poderia ter sido bem pior. Serviu para me mostrar que não vale a pena perder tempo com coisas inúteis e sem sentido. Podia ter-me acontecido algo bem mais grave. Felizmente não aconteceu. E agora o que quero é recuperar e esquecer tudo o que aconteceu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Até a mim? – perguntou-lhe Margarida, expectante.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O que é isto, Margarida? Um jogo? Já visto no estado em que estou? Sim, quero esquecer-te. Esquecer que algum dia exististe na minha vida. Vai-te embora e quando saíres não penses, sequer, em tentar olhar para trás. Adeus, Margarida, adeus. – disse-lhe Miguel, voltando a cara para o outro lado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Margarida baixou a cabeça e saiu do quarto com as lágrimas nos olhos. Nunca imaginara ouvir palavras daquelas de Miguel. Sabia que havia sido precipitada em envolver-se com outra pessoa. Agora estava grávida de um homem que não amava e, consequentemente, presa a ele para o resto da vida. Tinha-o percebido no dia seguinte à conversa com Ricardo. Aquele passeio até Matosinhos, e aquela manhã passada sentada em frente ao “Lais de Guia”, haviam-na feito perceber que era Miguel quem ela amava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tinha decidido que iria falar com ele, que lhe ia pedir que esperasse por ela até o Bebé nascer. Mas agora estava tudo perdido. Miguel não a queria mais. E pelo tom de voz dele, ela tinha percebido que a realidade era mesmo aquela, e não outra. Sabia que no momento em que saíra daquele quarto havia perdido Miguel para sempre. Tinha noção, também, de que nunca nenhum homem a havia amado daquela maneira, plena e incondicional, como Miguel a amara, e que jamais alguém voltaria a amá-la assim. Percebia, naquele momento, que tinha sido um erro tremendo não ter-lhe atendido o telemóvel durante aqueles três dias que haviam antecedido o acidente. Mas queria ter tudo organizado na sua cabeça antes de falar com ele. Queria falar-lhe cara a cara. Nunca tinha sido apologista das coisas que se dizer pelo telefone, e sabia que aquela conversa seria a mais importante de todas. Só que a sua necessidade de fazer as coisas demasiado certinhas havia deitado tudo a perder. Havia perdido Miguel para sempre.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As palavras de Miguel não haviam sido de mágoa nem de ressentimento, tinham sido, antes, palavras de cansaço e desilusão. Ele nem imaginava como a desilusão vertida em cada uma das suas palavras a haviam magoado. Mas tinha consciência de que era a única culpada. Havia perdido Miguel para sempre e a culpa era exclusivamente sua. Era certo que havia sido ele a pedir-lhe que saísse da sua vida, que era melhor assim. Mas a sua necessidade de o magoar, mesmo que de forma inconsciente, havia sido maior do que tudo, e o resultado era aquele. E Miguel jamais voltaria a estar ali para ela.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Agora ia ter de aprender a viver sem ele de verdade. E sabia que jamais voltaria a sentir-se completa como havia sentido ao lado dele.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-4938745021634954858?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/4938745021634954858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=4938745021634954858' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4938745021634954858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4938745021634954858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xix.html' title='19'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3281999304110321260</id><published>2007-07-19T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:11:26.352Z</updated><title type='text'>18</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Entendo-te, meu amigo - disse Ricardo, mas não podia entender. Miguel sabia que ninguém podia entender como ele se sentia naquele momento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sabia que não fazia sentido, a sua razão dizia-lhe que fora ele quem acabara, fora ele quem lhe dissera que não tinha a certeza do que sentia, que precisava de espaço para si, espaço para pôr as suas ideias e os seus sentimentos em ordem; sobretudo, que precisava de tempo, tempo para sair de casa, tempo para ficar em casa, tempo para ouvir os pais, tempo para ouvir os amigos, tempo para ouvir o seu melhor amigo Ricardo e, acima de tudo, tempo para se ouvir a si mesmo, para ouvir o que o seu coração lhe dizia a cada batida que dava no fundo do seu peito, mas também tempo para não ouvir nada nem ninguém, tempo para buscar apenas o silêncio absoluto e, no fundo desse silêncio, encontrar uma resposta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fora ele quem lhe dissera que não era justo fazê-la esperar por si, que não tinha o direito sequer de lhe pedir que atrasasse a vida enquanto ele tentava pôr a sua própria em ordem, que era uma estrada que ele tinha de seguir sozinho e que não podia prometer que os caminhos de ambos voltassem a cruzar-se. Sabia também que estas palavras a tinham magoado, sabia muito bem, vira-o em cada lágrima que ela vertera enquanto ele falava, vira-a lavada em lágrimas à porta do apartamento antes de entrar no elevador e descer até ao rés-do-chão. Saiu do prédio e da vida de Margarida, assim transpôs a porta, sem sequer olhar para trás.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não olhara para trás talvez porque no fundo soubesse que voltaria a bater àquela porta, embora não esperasse encontrá-la fechada. Apesar de ter dito a Margarida que não queria que ela esperasse por si, no fundo do seu ser, secretamente, contava que ela o fizesse.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Contudo, apesar de saber disto tudo, apesar de ter consciência de que em nenhum momento Margarida fora desleal para consigo, o seu coração sentia-se atraiçoado. Doía-lhe de cada vez que lhe telefonava e ela não atendia o telefone e doera-lhe a dor mais aguda que alguma vez sentiu quando Ricardo lhe contara da gravidez.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, tu não entendes, Ricardo. Não podes entender o que é ver a mulher que tu amas grávida doutro homem. Eu não me despistei por acaso, Ricardo! Eu estive quatro noites sem dormir, atormentado pelas tuas palavras, tentando em vão falar com ela, ouvir da boca dela a terrível notícia! Ela não me atendeu uma só chamada, Ricardo! Sabes o que é saires de casa completamente transtornado com um único objectivo a ocupar-te por completo: falares com ela, ouvires da boca dela que não, que tudo não passou dum pesadelo, que ela não conheceu ninguém e que não está grávida e que ainda gosta de ti e ainda te quer e que ainda vão ser felizes juntos? E sabes o que é teres a confirmação da verdade da forma mais dura? Vere-la no carro com outro homem, um homem que, ainda por cima, tinha aspecto de quem tem idade para ser pai dela, e veres a forma como ela o olha enquanto ele conduz e sentires que aquele olhar te pertence e te foi roubado!?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ninguém te roubou nada, Miguel! Mete isso na tua cabeça! Nin-guém te rou-bou na-da! Tu deitaste fora e outro guardou!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tu não entendes... Não podes entender... Eu vi com os meus olhos, Ricardo! Vi com os meus olhos e não vi mais nada depois do que vi - Miguel fechou os olhos depois desta última frase. Como Ricardo não dissesse nada, acrescentou em tom neutro: - Tanto não vi mais nada que despenquei ribanceira abaixo...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel não disse mais nada e Ricardo também não falou; a cumplicidade entre os dois não exigia que falassem e há muito que Ricardo aprendera que o silêncio é também uma forma de comunicação, tão ou mais poderosa do que a palavra. Ao seu lado, o doente que arrulhava como uma rola parou finalmente de gemer. Embora Ricardo tivesse deixado de o ouvir, ou pelo menos de prestar atenção ao que ouvia, porque toda a sua atenção estava virada para Miguel, o silêncio que então se abateu sobre a enfermaria fê-lo olhar em volta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Havia duas camas e ambas estavam ocupadas. Miguel encontrava-se na da janela e o doente que parecia uma rola na junto à porta. As paredes eram brancas, sujas e riscadas até cerca de meio metro do chão, que era verde com rasgos cinzentos, e a porta, entreaberta, era de madeira. Pela janela viam-se várias faculdades da Universidade do Porto e um metro em tons de amarelo serpenteando por entre elas ao som de ferro a raspar em ferro em cada curva. O vidro da janela estava levemente sujo e a caixilharia tinha alguns sinais de ferrugem.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Miguel...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Diz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vou ter de ir. Ficas bem?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Dentro do possível... - Miguel tinha as duas pernas e um antebraço engessados e duas escoriações na face cobertas generosamente com tintura de iodo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo saiu da enfermaria pensativo. Pior do que o aspecto físico, preocupava-o o estado psíquico do amigo. Caminhava lentamente pelo corredor, envolto nestas cogitações, quando ouviu chamar o seu nome. Olhou e viu Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá, Ricardo... - Parecia hesitante.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo olhou para ela e não disse nada. Margarida prosseguiu:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vieste visitar o Miguel? Em que sala é que ele está?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Que queres dele? - perguntou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3281999304110321260?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3281999304110321260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3281999304110321260' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3281999304110321260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3281999304110321260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xviii.html' title='18'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-9141809229595593360</id><published>2007-07-17T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:09:51.708Z</updated><title type='text'>17</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;No dia seguinte, Ricardo entrou na Unidade de Cuidados Intermédios para encontrar uma senhora de cabelos brancos deitada na cama onde Miguel estivera. Dirigiu-se a uma enfermeira para perguntar o que era feito do seu amigo, que o informou de que o senhor Miguel Menezes tinha sido transferido ao final do dia anterior para a Medicina do piso três, por já se encontrar fora de perigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E onde fica isso?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O melhor é ir à linha azul perguntar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E onde fica a linha azul?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- No piso dois. Tem que sair lá fora e entrar pela entrada principal.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Munido desta parca informação, Ricardo saiu do edifício e voltou a entrar pela porta principal. Verificando que estava no piso um, subiu um andar e dirigiu-se à linha azul.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de saber do paradeiro do seu amigo, desceu novamente ao piso um, onde lhe disseram que ficava a entrada das visitas, e passou os torniquetes. "Estranho método," pensou, "parece que estamos no metro." Chamou o elevador e esperou uma eternidade até a porta se abrir. No interior, já se encontravam várias pessoas de bata branca: médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Marcou o botão três e o elevador começou a subir aos solavancos e fazendo ruídos como se algo estivesse prestes a desconjuntar-se. Parou no dois, entraram mais dois homens em fato-macaco azul e a porta fechou novamente, mas o elevador não arrancou logo. Passado um pouco, começou a subir, mas não parou no piso três, nem no quatro, nem sequer no cinco. Os ocupantes de bata começaram a rir e a comentar:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Lá avariou outra vez.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Calma, que ele vai ao zero-um tomar lanço e depois já funciona outra vez.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O importante é que não pare no cinco. Se pára no cinco é o diabo...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo não estava a perceber nada e já não estava a gostar da brincadeira. Decidiu sair do elevador o quanto antes, o que, no caso, significou o piso oito, pois o elevador só parou quando não podia subir mais, e descer as escadas. Diz-se que para baixo todos os santos ajudam, pelo que descer cinco pisos não custou muito. Chegado ao piso três, Ricardo não viu nada que se parecesse com uma enfermaria onde o seu amigo pudesse estar internado. Pelas escadas desciam três jovens de bata e pasta académica na mão, alunos de Medicina, provavelmente. Ricardo dirigiu-se-lhes:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Bom dia, desculpem, onde fica a Medicina do piso três?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Respondeu-lhe o rapaz de olhos azuis que seguia entre outras duas raparigas:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O senhor tem de descer até ao piso um e seguir pelo corredor até aos próximos elevadores. Aí, apanha o elevador quatro até ao piso três e a Medicina é aí. Esta é a parte da Faculdade, não tem enfermarias.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo agradeceu e, lamentando a sua sorte por se ter metido inutilmente no elevador surreal, fez o percurso que o estudante lhe tinha descrito, conseguindo, finalmente, chegar à enfermaria para onde Miguel fora transferido. Ao entrar no corredor, sentiu que fizera uma longa viagem até ao Afeganistão. As paredes cinzentas, com a tinta a descascar e os rodapés lascados dos choques com macas, as camas no meio do corredor ocupadas por doentes de quem ninguém parecia querer ocupar-se, as cadeiras e as mesas de ferro esmaltado enferrujadas, meia dúzia de fios e um tubo a correrem junto ao tecto e o chão aqui e ali a levantar davam um ar decrépito e muito pouco hospitalar ao Hospital. Felizmente, na linha azul tinham-lhe dito em que cama encontraria Miguel, pelo que não lhe foi difícil encontrar a sala onde o amigo se encontrava, lado a lado com um doente que arrulhava como uma rola.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá, grande Miguel! Pá, não imaginas a aventura que foi conseguir chegar aqui para te visitar hoje! Ia ficando preso num elevador e tudo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A sério? Conta!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Já te conto. Primeiro, tu é que tens de me explicar como foi que adormeceste ao volante para vires parar aqui neste estado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu não adormeci.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo ficou uma fracção de segundo suspenso, enquanto milhares de pensamentos corriam pelo seu cérebro. Não conseguindo agarrar nenhum, disse a única frase que foi capaz de articular.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não? Acho que tens ainda mais para me contar do que eu imaginei, meu caro... Vou ajudar-te: diz-me que não tem a ver com a Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Se o fizesse, estaria a mentir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pois, já calculava... Vamos lá por partes, então.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel contou então a Ricardo como saíra de sua casa na semana anterior com a cabeça a rodopiar depois de saber que Margarida estava grávida e como passara três dias tentando contactá-la, sem que ela nunca lhe atendesse o telefone.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E que lhe ias tu dizer?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não sei, só sei que precisava de falar com ela. Precisava de vê-la, sei lá! Tu não imaginas como me senti e ainda me sinto!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, não imagino, compreendo que não te sintas nada bem, mas não acho bem que quisesses falar com ela, pois só irias magoar-te.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Impossível sofrer mais do que já estou a sofrer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Nada do que eu te diga vai ajudar a aliviar a tua dor, meu amigo; é algo que terás de superar por ti. Continua a contar-me o que se passou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Na Sexta-feira decidi ir a casa dela saber por que não atendia nem telefone nem telemóvel. Tu sabes onde ela mora, não sabes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo assentiu com a cabeça e não lhe foi difícil imaginar a cena quando Miguel lhe explicou que, quando estava quase a chegar, vira Margarida...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- ...Com o novo namorado, ou amante, ou lá o que ele é, os dois num carrão; já estou a ver como é que ele a engatou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Miguel, não digas isso, que sabes muito bem que estás a ser injusto para com a Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas Miguel não queria saber. Naquele momento, não conseguia sentir nada para além de ódio por Margarida. E fora esse ódio que o fizera distrair-se da condução e galgar o passeio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sabes aquela pontezinha por cima da linha do comboio? Foi mesmo antes que me despistei. Por sorte, não fui parar à linha do comboio, mas o impacto ainda foi suficiente para me deixar neste estado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-9141809229595593360?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/9141809229595593360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=9141809229595593360' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/9141809229595593360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/9141809229595593360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xvii.html' title='17'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-4768921731790247243</id><published>2007-07-12T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:07:48.451Z</updated><title type='text'>16</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Carla? Sente-se bem? – perguntou Ricardo num misto de preocupação e surpresa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De um momento para o outro o olhar daquela mulher tinha-se ensombrado, como se uma nuvem escura pairasse sobre si.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Desculpe, Ricardo. Mas, de repente, lembrei-me de uma sensação estranha que tive hoje pela tarde e que me levou, impulsivamente, ao Colégio do meu Filho, só para o abraçar. – respondeu-lhe Carla, tentando desviar o rumo da conversa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Um Filho?”, questionou-se Ricardo a si mesmo. Depois lembrou-se da cadeira de transporte de crianças que tinha visto no carro de Carla, e tudo fez mais sentido. E logo um sem número de interrogações assaltaram a sua mente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A Carla tem um Filho? Que surpresa! Não pensei que fosse casada. É que como não usa aliança, julguei que fosse solteira. – disse Ricardo, na tentativa de perceber melhor alguns dos mistérios daquela mulher que o prendia por algum motivo que desconhecia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, tenho um Filho de 6 anos. Chama-se Tomás. É o homem da minha vida. E não, não sou casada. Aliás, nunca fui. Sou Mãe solteira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“6 anos?”, interrogou-se, novamente, Ricardo. “Mau”, pensou, “há aqui qualquer coisa que está a escapar-me. Quer-me parecer que a história desta mulher de linear e banal não tem nada.”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas, e vai desculpar-me o facto de ser tão directo, isso quer dizer que foi Mãe com 17 anos. Um namoro que não resultou? – tentou, mais uma vez, Ricardo puzar o fio do novelo de mistérios e segredos que cada vez mais lhe parecia envolver Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não foi um namoro falhado. Foi mais um amor não correspondido, que acabou por me dar o que de melhor tenho na vida – o meu Filho!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Naquele momento percebeu que Carla amava o Filho mais do que tudo na vida, que era por ele que vivia e que por ele seria capaz de tudo. Sentiu-se tocado com a imensidão do amor de Carla por Tomás. Mal conhecia aquela mulher, mas cada vez mais sentia necessidade de aprofundar o conhecimento superficial que naquele momento tinha com aquela mulher.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Hummm, estou a ver. Um idiota, por tanto. Sim, porque só um idiota não corresponderia ao amor de uma mulher tão bonita e interessante como a Carla. Perdoe-me a franqueza, mas contra factos não há argumentos, e é assim que a vejo. E mal a conheço... – disse Ricardo, deixando Carla quase sem resposta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não se deixe iludir pelo que vê, Ricardo. Nem sempre fui uma mulher bonita e interessante, como acabou de me descrever. Os anos e a vida fizeram de mim aquilo que sou hoje, mas já fui o “patinho feio”. – respondeu Carla num misto de tristeza e mágoa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Só falta dizer-me que era gozada no Colégio!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Agora já não preciso de dizer. O Ricardo acabou de o fazer...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Parece que meti o dedo nalguma ferida. Peço desculpa. Não era minha intenção. Mas fale-me do homem da sua vida. – pediu Ricardo tentando redimir-se.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla começou a falar do Filho e o seu semblante mudou. Os seus olhos iluminaram-se e o tempo voou. Falou do nascimento de Tomás, e da experiência de ser Mãe com 17 anos. Falou dos primeiros passos do Filho, das primeiras palavras, do primeiro dia de escola, do primeiro dente que lhe caiu. Quando se deram conta já eram horas de ir embora.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como um bom cavalheiro, Ricardo pagou o jantar, puxou-lhe a cadeira e segurou a porta para que ela saísse. Já do lado de fora, deram o braço e caminharam lentamente até ao carro. Era estranho, mas sentiam-se bem um com o outro. Parecia que estarem ali, naquela noite amena de Primavera, de braço dado, era a coisa mais natural do mundo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nisto, Carla recordou-se que o homem com quem estava a sentir-se tão bem era, nada mais nada menos do que, o melhor amigo de Miguel, e um dos rapazes que nos tempos de Colégio lhe chamava “Freira”. Um arrepio percorreu-lhe o corpo e Ricardo sentiu-a tremer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Está com frio? Deixe-me tirar o casaco. – disse-lhe Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não é necessário. Leve-me à empresa para eu ir buscar o meu carro, por favor. Já está tarde e amanhã é dia de acordar cedo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sem reclamar, Ricardo encaminhou-a para o carro para a levar ao seu destino. Quando estacionou à porta da empresa, Ricardo segurou no braço de Carla e pediu-lhe:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Prometa-me que vamos voltar a sair juntos. Esta noite foi, simplesmente, fabulosa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não sei se será boa ideia, Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Prometa-me, Carla. – insistiu Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Prometo. Agora deixe-me ir, por favor Ricardo, é o melhor. – e dizendo isto saiu do carro de Ricardo e entrou na garagem da empresa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já no seu carro, Carla encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. Aquilo era uma loucura. Mas depois daquele jantar tinha ficado cheia de vontade de conhecer melhor Ricardo. Aquele não parecia nada o melhor amigo de Miguel, de quem se lembrava dos tempos de Colégio. Percebia, naquele momento, que o melhor havia sido mesmo não revelar-se. Pelo menos por enquanto. Mas a verdade logo viria à tona. E cada vez mais sentia que esse dia estava perto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Era hora de ir para casa. Aquele dia tinha sido longo demais. E ainda tinha de pensar como iria livrar-se da festa do Colégio.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-4768921731790247243?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/4768921731790247243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=4768921731790247243' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4768921731790247243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4768921731790247243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xvi.html' title='16'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-2785498480098927180</id><published>2007-07-10T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T18:05:28.704Z</updated><title type='text'>15</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Estou? Carla?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá, Ricardo. Só estou a ligar-lhe para lhe pedir para passar por aqui um pouco mais tarde, que ainda tenho umas coisas para fazer aqui no escritório.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Está bem. Combinamos para daqui a meia hora?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pode ser. Obrigada e até logo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Até logo, Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo suspirou de alívio. Quando vira o número de Carla no ecrã do telemóvel, pensara que a chamada se destinara a cancelar o jantar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Mais meia hora de espera", pensou. Aproveitou esse tempo para telefonar aos pais de Miguel a saber novidades. Tinha sido Ricardo quem os avisara, mas só depois de saber que o amigo estava livre de perigo, para não os preocupar em demasia. Entretanto, as coisas tinham-se complicado com o tromboembolismo pulmonar, mas o tratamento tinha sido iniciado a tempo e os pais de Miguel confirmaram que a situação clínica do filho estava a evoluir favoravelmente e que, segundo os médicos, o período crítico já tinha passado e em breve sairia da Unidade de Cuidados Intermédios. As más notícias eram que se seguiriam dois meses de convalescença em regime de internamento e mais uns quantos de fisioterapia, em função da evolução.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo tinha visitado o amigo nesse dia de manhã, mas ainda não tinha tido coragem de lhe perguntar os motivos do acidente. Miguel ainda estava todo engessado, ligado a fios e tubos, numa sala cheia de aparelhos cinzentos e de monitores com o fundo preto e linhas verdes que iam serpenteando, umas com ângulos mais agudos, outras com curvas sinusóides. Ricardo saíra do Hospital pensando como é triste estar num hospital.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Findo o telefonema, olhou novamente para o relógio. Ainda lhe restavam vinte e cinco minutos. "É incrível, pareço uma criança, ou pior, um adolescente antes do seu primeiro encontro. Acho que da primeira vez que saí com a Beatriz não estava tão ansioso!". Recriminou-se pelo facto e olhou à sua volta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O seu escritório ficava num sétimo andar; da janela via-se o Rio Douro e o lado de lá da margem. O melhor que Gaia tem é a vista para o Porto, ouvira dizer muitas vezes, e, ao olhar pela janela, não podia deixar de concordar que aquela paisagem devia estar entre as mais belas do Mundo. "Por algum motivo o Porto é Património da Humanidade", disse para consigo, e deixou-se estar mais um pouco a ver o entardecer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O Sol entrava pela janela, que se estendia a todo o comprimento da parede, e iluminava a sala, dando à mobília reflexos dourados. Era um gabinete moderno, simples e funcional: três sofás pretos num dos cantos com uma pequena mesa de vidro ao centro, sobre um tapete onde sobressaía o azul claro e uma mesa comprida, em forma de ele, terminando um dos braços num círculo que servia como mesa de reuniões. O tampo era castanho e os pés pretos, tal como pretos eram os armários e as duas cadeiras onde, dum lado, se sentavam os clientes, e do outro Ricardo os atendia, esta última uma cadeira com rodinhas. Como ele gostava das cadeiras com rodinhas! Já em criança se divertia no escritório do pai, sentado numa cadeira também com rodinhas e empurrando-a dum lado para o outro. Depois, na faculdade, os amigos riam-se dele, porque, onde quer que houvesse uma cadeira com rodinhas, era aí que Ricardo se sentava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A que tem rodinhas é minha; ninguém se sente! - costumava exclamar mal entrava numa sala.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As rodinhas da cadeira, tal como os pés da mesa, assentavam numa carpete também em tons de azul claro, sobre a qual se encontrava também um vaso com uma planta. Ricardo fazia questão de ser ele mesmo a regá-la, todos os dias. Nas paredes, alguns quadros, a maioria oferecidos por um amigo que se dizia pintor e, na verdade, até tinha jeito e já tinha feito meia dúzia de exposições, embora fosse advogado de profissão.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Meia hora passou e Ricardo saiu finalmente para ir buscar Carla. Tinha decidido não a levar ao mesmo restaurante onde a deixara à espera na Sexta-feira, mas sim a um na Ribeira, que também era bastante famoso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entraram e Ricardo soube que fizera a escolha certa ao ver o ar impressionado de Carla. O ambiente era distinto, os empregados andavam de libré branco com botões dourados e a meia-luz dava um ar ao mesmo tempo acolhedor e intimista. Ricardo escolheu uma mesa debaixo duma arcada, com vista para o Rio, e puxou a cadeira para que Carla se sentasse.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Um cavalheiro", pensou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo sentou-se do outro lado da mesa, em frente a Carla, e prepararam-se para escolher: bife três pimentas para ele; arroz de gambas para ela.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Assim que o empregado se afastou com os pedidos, Ricardo disse:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sabe, Carla, vou contar-lhe uma história que se passou comigo há uns anos, quando entrei para a faculdade. Logo nos primeiros dias, encontrei uma rapariga, também do primeiro ano, e disse-lhe, com o maior descaramento, que a conhecia, mas não sabia donde. Ela olhou para mim com cara de poucos amigos e seguiu caminho sem me dirigir a palavra. Eu fiquei sem entender nada; achei que ela era simplesmente mal-educada e não me preocupei muito com o assunto. Dois meses depois, por aí, voltei a encontrá-la numa festa de aniversário duma outra colega. Aí, sim, falámos, e vim a descobrir que, de facto, nos conhecíamos, pois tínhamos participado os dois no mesmo torneio de ténis, há uns anos atrás, quando eu ainda sabia jogar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Aposto que ainda sabe jogar, e bem! - exclamou Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Oh, longe disso! Se a Carla me visse jogar agora, iria rir-se da minha pobre figura! Mas pronto, só lhe contei este episódio para que a Carla não pense que, quando eu digo que tenho a sensação de que a conheço dalgum sítio, não julgue que é apenas uma frase feita ou uma forma de quebrar o gelo; é a mais pura verdade. Não sei se a Carla tem a mesma sensação, mas eu tenho a certeza de que já me cruzei consigo nalgum lugar antes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- É curioso que eu tenho a mesma sensação, mas não sei donde possa ser. O Ricardo tem que idade, se é que posso perguntar-lhe?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Claro que sim! Tenho vinte e quatro anos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- É mais velho do que eu, o que invalida que tenhamos andado juntos na escola, e não andou nunca em Biologia, pois não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Nem por isso, nem por isso... Mas olhe que talvez nos tenhamos cruzado na escola. Mesmo sendo de anos diferentes, podíamos conhecer-nos de vista, não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pois, pode ter razão. Em que escola andou?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não andei numa escola; andei num colégio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla soube donde conhecia Ricardo mesmo antes deste dizer o nome do Colégio. O homem que se encontrava à sua frente era, nos tempos de escola, o melhor amigo de Miguel. Sê-lo-ia ainda? Carla não sabia o que pensar nem o que dizer. De repente, lembrou-se do telefonema da manhã. O melhor amigo de Ricardo estava no hospital. Seria Miguel quem estava no hospital? Carla queria confirmar as suas suspeitas, queria saber notícias de Miguel, mas não sabia se devia revelar já a sua identidade.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-2785498480098927180?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/2785498480098927180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=2785498480098927180' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2785498480098927180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2785498480098927180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/estou-carla-ol-ricardo.html' title='15'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1589344618936367132</id><published>2007-07-05T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T17:57:48.026Z</updated><title type='text'>14</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nem queria acreditar quando Amélia lhe passou a chamada, logo às 9h30. Mais uma segunda-feira a começar com a presença de Ricardo. Depois da conversa, que havia sido bem mais serena e esclarecedora do que imaginara, Carla respirou fundo. A vida, realmente, era tramada. Ela revoltada, a pensar que ele a tinha deixado pendurada no “Cafeína”, e ele num Hospital a tentar saber notícias do melhor amigo que tinha sofrido um grave acidente de carro. Tremeu só de pensar no amigo de Ricardo. Um acidente de carro às 18hs, por ter adormecido ao volante, sem qualquer explicação, pelo menos conhecida. Sentiu algum remorso por ter pensado tão mal de Ricardo. Mas pronto, nessa noite jantariam e tudo ficaria resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã voou e quando se deu conta já era hora de almoço. Recordou, mais uma vez a conversa com Ricardo e o novo convite para jantar, ainda nessa noite. Sentiu um arrepio percorrer-lhe todo o Corpo. Aquele homem tinha qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som estridente do seu telemóvel transportou-a de volta à realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá Francisca! Há quanto tempo! Está tudo bem contigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá Carla! É verdade, já lá vão uns meses, mas sabes que a nova vida de casada ocupa-me muito tempo! Mas não foi para falar disso que te liguei. Vai realizar-se uma festa no nosso antigo Colégio para os ex-alunos, e eu faço parte da organização. Gostava muito de poder contar com a tua presença. A nossa turma do décimo primeiro ano já confirmou quase toda, és das poucas pessoas que faltam confirmar! Posso contar contigo? – disse Francisca de seguida, como se as palavras fossem fugir-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não posso responder-te já, mas até ao fim da semana digo-te alguma coisa. Pode ser? – respondeu-lhe Carla, tentando ganhar algum tempo para poder pensar bem no que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está bem! Mas de sexta-feira não pode passar, porque depois fica muito apertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Combinado. No máximo, até sexta-feira, terás notícias minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ficarei à espera, então! Beijinhos para ti e para o Tomás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada! Beijinhos para ti também. Dá um beijinho nosso ao António.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisca era uma das suas melhores e mais antigas amigas. É certo que a ida de Carla para Lisboa havia alterado os contornos daquela amizade, e que o facto de se ter recusado a contar-lhe quem era o Pai de Tomás também não havia ajudado muito. Mas, na verdade, continuavam muito boas amigas. E Carla não sabia como livrar-se daquela reunião. Miguel também lá estaria, e não lhe apetecia, de todo, vê-lo. Alguma desculpa arranjaria para se furtar ao encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente sentiu que o chão lhe fugia, e ficou inquieta. Pensou no filho e sentiu uma necessidade enorme de estar com ele, de ter a certeza de que ele estava bem. Num ápice entrou no elevador e desceu até à garagem. Já ao volante, dirigiu-se para o Colégio de Tomás e estacionou ali perto. Já lá dentro, o coração de Carla acalmou-se quando o filho, assim que a viu, lhe abriu o seu sorriso mais bonito e correu para a abraçar. Apertar o filho nos braços era, sem dúvida alguma, a melhor sensação do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou para casa agora, Mamã? – perguntou-lhe Tomás, lembrando-se que tinha acabado de almoçar e que ainda não devia ser hora de ir para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, meu querido. A Mamã é que teve muitas saudades tuas e resolveu vir dar-te um beijo enorme e um abraço bem apertado, daqueles que só tu sabes dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mamã, não digas essas coisas... – disse Tomás, ficando um pouco atrapalhado, - A minha namorada fica com ciúmes e depois já não quer ser minha namorada outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A tua namorada? Mas tu tens uma namorada e não contavas à Mamã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estas coisas de meninos não se falam com as Mamãs, só com os Papás. Mas eu não tenho Papá... – respondeu-lhe Tomás, cujo olhar se tornou triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a tristeza logo se dissipou, quando ouviu outro menino chamá-lo para ir brincar mais um pouco, antes das aulas da tarde. Deu um beio rápido na Mãe e lá foi ele, saltitante e contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, Carla sentiu o coração apertado. Tomás precisava de um Pai. E, mais cedo ou mais tarde, teria de contar a verdade a ambos. Mas sabia que a chegada desse dia iria trazer-lhe alguns dissabores e muitas complicações. Só que a tristeza que via na expressão do Filho fazia-a compreender que o dia da verdade teria de chegar bem rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressou ao escritório pronta para enfrentar mais uma tarde de trabalho, que acabou por passar mais depressa do que estava à espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu gabinete, a alguns quilómetros dali, Ricardo pensava em Miguel e nas razões daquele estúpido acidente. Razões que ainda desconhecia, mas que no dia seguinte ele iria ter de dar-lhe. Nada daquilo fazia sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou em Carla, e sorriu de si para consigo. Tinha ficado de ir buscá-la à empresa, e estava quase na hora. Aquela mulher agradava-lhe. E não era só fisicamente. Havia qualquer coisa nela que o fazia ter vontade de se perder. E os mistérios que a rodeavam, tornavam-na ainda mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparava-se para sair quando o seu telemóvel tocou e viu o número de Carla a piscar no visor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1589344618936367132?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1589344618936367132/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1589344618936367132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1589344618936367132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1589344618936367132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xiv.html' title='14'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-6498129912242726870</id><published>2007-07-03T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T17:56:46.611Z</updated><title type='text'>13</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Em Lisboa, o Sol já se tinha posto há algumas horas quando Eduardo deixou a noiva em sua casa, depois da viagem de regresso do Porto. Antes de sair do carro, disse Leonor:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Portanto, tu não és pai de facto deo Tomás, mas apenas pai de direito, não é?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, docinho, é isso mesmo. A Carla explicou-te tudo como se passou, melhor do que eu seria capaz. Um dia ela telefonou-me, alterada, e pediu-me para nos encontrarmos. Contou-me que um colega da escola perdido de bêbado se tinha servido dela a seu bel-prazer, que ela nem sabia o que lhe tinha dado, mas que o mal já estava feito e que, o que era pior, ela tinha engravidado por causa disso e ele dizia não se lembrar de nada. Cá para mim, se queres saber, ele sabe muito bem o que fez, porque um homem não esquece uma coisa dessas...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Nem bêbado?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Se estivesse suficientemente bêbado para se esquecer, também estava demasiado bêbado para conseguir consumar o acto, é o que eu acho, não que fale por experiência própria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, meu príncipe, já sei que és muito bem comportadinho, e é assim que eu gosto de ti...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas pronto, dizia eu que ela se viu com um bebé para nascer e um pai que não se lembrava de nada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E por que foi que ela não fez testes de ADN para determinar a paternidade?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pois, foi o que eu também lhe sugeri, mas os pais dela quiseram abafar a coisa o mais possível, e, para fazer os testes, era preciso meter processos em tribunal e eles tiveram medo de que a notícia se espalhasse. Sabes como é, uma família conhecida e influente do Norte, que como tu sabes é muito mais conservador do que Lisboa, não podia dar-se ao luxo de ter uma adolescente grávida na sua pura árvore genealógica... - Eduardo pronunciou as últimas palavras da sua frase com um tom particularmente amargo. Continuou: - Aliás, acho que ela disse aos pais que nem sabia quem era o pai do filho; não sei como eles engoliram essa. O choque de verem a filha grávida aos dezasseis anos deve ter sido tal que nem reflectiram na estranheza de ela não saber quem era o pai. Afinal, a Carla nunca tinha sido do género de andar com muitos rapazes (para dizer a verdade, nunca lhe conheci nenhum namorado, mas pode ser que não me tenha contado dessas aventuras), muito menos de poder estar confusa quanto a quem seria o pai da criança. Mas pronto, ela acabou por me falar para eu assumir a paternidade, visto que a Lei Portuguesa não permite que uma criança seja registada sem pai. Na altura, eu era mais novo e inconsciente do que sou hoje e disse que sim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E assim ganhaste um filho sem teres feito nada por isso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ora nem mais! - exclamou Eduardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Está certo. Mas explica-me uma coisa: do ponto de vista legal, tu és o pai dele, não é?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, sou eu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E se se vier a saber que o pai biológico é outro? O Tomás passa a ter dois pais?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, trâmites legais à parte, o resultado prático é que eu deixo de ser pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estou a ver...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Despediram-se com um beijo rápido e Leonor entrou em casa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No Porto, a enfermeira da Unidade de Cuidados Intermédios notou no seu monitor o aumento da frequência respiratória de Miguel. Levantou-se e foi até à cama onde este se encontrava deitado a dormir e notou uma certa dificuldade na respiração. A enfermeira saiu do quarto e foi chamar o médico do serviço. Quando este voltou, Miguel tinha acordado e queixava-se de dores nas costas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ele foi operado ontem pela Ortopedia, não foi? - perguntou o médico à enfermeira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, senhor doutor. Tinha várias fracturas nos dois fémures e num dos antebraços.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pois... Acho melhor pedir umas análises e uma TAC. Vou fazer a requisição; pode ir preparando o material para colher o sangue.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Dito isto, quer o médico, quer a enfermeira se afastaram da cama de Miguel, que os chamou de volta e perguntou:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas, senhor doutor, o que é que eu tenho agora?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ainda não sabemos, por isso é que vamos fazer as análises que lhe vou pedir e vai fazer a TAC.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas deve ter alguma suspeita, não é? Eu gostava de ser informado sobre o meu problema e de saber o que me fazem enquanto aqui estou, se não for pedir muito - Miguel arrependeu-se imediatamente das últimas palavras, com medo de ser mal interpretado pelo médico, mas já estava dito, era tarde demais.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O médico franziu o sobrolho, olhou para a enfermeira e retorquiu agastado:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Senhor Miguel, eu não lhe posso dizer o que o senhor tem, porque não sei o que é. Suspeito de que possa ser um tromboembolismo pulmonar, mas só depois dos exames é que vou ter a certeza.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Um quê?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Uma embolia pulmonar, já ouviu falar? O senhor foi operado, está deitado numa cama, imobilizado, tudo isso aumenta o risco de que se formem pequenos coágulos nas suas veias, principalmente nas pernas, que depois podem ir pelo sangue e encravar nos pulmões. É isso que vamos conferir com os exames que lhe vou pedir. Tem mais alguma dúvida?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Já ouvi falar de muita gente que morreu disso...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não se preocupe, que nós vamos tratá-lo bem. Até já.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel não falou mais e concentrou-se na sua dor. O médico e a enfermeira afastaram-se conferenciando entre si:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Senhora enfermeira, a TAC só é feita amanhã de manhã, não é?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, senhor doutor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então olhe, vou pedir também para começar já o tratamento com heparina, que é melhor não facilitar. Operado ontem, ainda por cima por Ortopedia, com este quadro... Tenho quase a certeza de que a TAC me vai dar razão. Bem, vou passar as requisições. Até já.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A dez quilómetros dali, Carla não conseguia adormecer; pensava e pensava na conversa que tiveram horas antes com a noiva de Eduardo, em que lhe explicara toda a história a respeito do nascimento de Tomás e como o primo se tornara o Tio Dado. Estava à espera duma reacção diferente da parte de Leonor. Na verdade, até lhe estava a parecer fácil demais; contara com alguma incredulidade, raiva, talvez incompreensão, mas, afinal, Leonor mostrara-se pouco surpreendida e aceitara com naturalidade a situação e, o que é mais, o desejo de Carla de manter o segredo apenas entre os três. Pensava também na pergunta de Tomás, “Mamã, porque é que os outros meninos têm um Papá e eu não”, e em como lhe responder. Não gostava de ter de mentir ao filho, mas havia mais em jogo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-6498129912242726870?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/6498129912242726870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=6498129912242726870' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6498129912242726870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6498129912242726870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/07/xiii.html' title='13'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-5827199013097013983</id><published>2007-06-28T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T17:54:11.886Z</updated><title type='text'>12</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ainda não conseguia acreditar no que havia acontecido. “Não consigo acreditar que aquele artolas me deixou pendurada, não consigo mesmo”, pensava Carla insistentemente. Mas tinha de libertar a mente daqueles pensamentos. Eduardo telefonara-lhe logo cedo para avisar que chegaria com Leonor por volta da hora do almoço. E era nisso que tinha de concentrar-se. De repente, um outro pensamento tomou de assalto a sua mente – a pergunta que Tomás lhe havia feito na noite anterior – “Mamã, porque é que os outros meninos têm um Papá e eu não?”. Tremia só de pensar que um dia teria de revelar ao filho a identidade do Pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por volta das 13hs, Eduardo chegou com Leonor a casa de Carla. Quando abraçou o Primo, Carla sentiu-se mais protegida. Tinha urgência em contar-lhe o que havia acontecido na última semana – o acidente de carro, as perguntas de Tomás, a tampa de Ricardo e o reencontro com Miguel. Sabia, exactamente, o que é que Eduardo lhe diria em seguida, mas sentia que ainda não era altura de revelar toda a verdade. Sentia que, no momento em que o fizesse, a sua vida iria mudar para sempre. A sua e a de Tomás. E ainda não podia fazê-lo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A conversa correu sem muitos problemas. Eduardo e Carla explicaram a Leonor tudo o que havia acontecido há sete anos atrás. No início foi complicado para Leonor compreender os porquês que haviam levado Carla e Eduardo a manter aquela mentira durante tantos anos. Mas depois percebeu que a dita “mentira” não havia passado do papel. Tomás não sabia que Eduardo o havia registado em seu nome e que para o menino aquele era apenas o seu Tio Dado. No final da conversa acordaram, os três, que a situação se manteria até que Carla considerasse que havia chegado o momento certo para revelar a verdade. No entanto, Carla havia ficado com a certeza de que a verdade viria à tona mais cedo do que esperava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Enquanto Carla conversava com Eduardo e Leonor, Ricardo recebia notícias de Miguel. Afinal não tinha acontecido nada de mais ao amigo. Mas a verdade é que Ricardo não ganhara para o susto. Para além de ter deixado Carla pendurada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No dia anterior, Ricardo preparava-se para sair da empresa quando o seu telemóvel tocou. Do outro lado, uma funcionária do Hospital de São João perguntava-lhe se conhecia o Sr. Miguel Lopes Menezes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, conheço. Sou o melhor amigo dele. Mas passa-se alguma coisa? – questionara Ricardo, num tom preocupado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O Sr. Miguel Menezes sofreu um acidente. Parece que adormeceu ao volante, por volta das 18hs. – respondera-lhe a funcionária, meio atrapalhada com a situação caricata que se encontrava a relatar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas ele magoou-se muito?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, bastante. Tem algumas fracturas. E vai ter de ficar internado, pelo menos, uns dias. Só precisava que nos trouxesse os documentos do Sr. Miguel Lopes Menezes, porque as únicas coisas que encontramos foram um cartão de visita seu e o cartão da empresa onde o Sr. Miguel trabalha. E precisamos dos documentos dele.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Com certeza. Vou ver o que consigo fazer e depois passo aí.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de desligar aquela chamada, Ricardo pegara novamente no telefone e ligara para a empresa de Miguel para saber se ele, por mero acaso, não teria deixado a carteira esquecida por lá. Confirmado o esquecimento, e passados 20 minutos, Ricardo entrava no gabinete de Miguel para ir buscar a carteira. “Aquele cabeça no ar!”, pensara Ricardo. De seguida dirigira-se para o Hospital, e acabara por esquecer-se, completamente, do jantar com Carla. Quando se lembrou é que se deu conta de que o único contacto dela que tinha era o telefone da empresa. Nunca antes se havia esquecido de pedir o número de telemóvel a uma mulher bonita, e da primeira vez que se havia esquecido tinha de acontecer-lhe aquilo. Bolas! Quase podia apostar que ela não iria acreditar nos seus motivos. Mas segunda-feira logo falaria com ela e tentaria explicar-lhe a situação. Acabara por sair tardíssimo do Hospital. Não avisara os Pais de Miguel, de imediato, para não os preocupar. Mas uma coisa era certa, o amigo teria de explicar-lhe como é que havia adormecido ao volante às 18hs da tarde!!!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As informações que a enfermeira tinha acabado de lhe dar eram boas. Miguel estava a reagir bem ao tratamento, apenas se queixava de imensas dores. Depois de receber as boas novas, e de informar oas Pais de Miguel do ocorrido, Ricardo deu consigo a pensar em Carla outra vez. Só tinha visto aquela mulher uma vez, e parecia que havia ficado fascinado. Desde que Beatriz havia terminado com ele, Ricardo tornara-se um verdadeiro Don Juan, fazendo jus à fama que adquirira na Faculdade, antes de conhecer a ex-namorada. Desde então que quase nenhuma mulher bonita conseguia resistir-lhe. Mas sentia que Carla era diferente. Talvez fosse pelo mistério que a envolvia, talvez fosse pelo facto de ela não se ter rendido à primeira troca de olhares, ou, então, talvez fosse apenas pelo facto de nunca ter encontrado uma mulher que lhe parecesse tão forte e tão frágil ao mesmo tempo. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que sentia uma necessidade imensa de se justificar e de que ela acreditasse em si. Segunda feira logo veria como correria a conversa que imperava ter. Mas naquele momento tinha outra preocupação – descobrir o que havia acontecido com Miguel e as verdadeiras razões daquele acidente.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-5827199013097013983?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/5827199013097013983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=5827199013097013983' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/5827199013097013983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/5827199013097013983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/xii.html' title='12'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-7050935476881617034</id><published>2007-06-26T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T17:52:34.006Z</updated><title type='text'>11</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Em menos de nada chegou ao restaurante onde combinara com Ricardo, quinze minutos atrasada, como manda a etiqueta, que não é bonito a convidada ter de esperar pelo anfitrião. Mesmo assim prevenida, Carla não viu Ricardo no restaurante quando entrou. A gerente, que ainda se lembrava da filha do doutor Fernando Noronha Lima, dirigiu-se-lhe imediatamente, perguntando se queria mesa para jantar ou iria aguardar, ao que Carla respondeu pela segunda hipótese.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, senhora; prefere aguardar aqui no bar ou ali nos sofás?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla escolheu os sofás pretos do lado esquerdo, pois o bar mesmo à entrada pareceu-lhe um pouco desprotegido: a porta em frente, o balcão atrás e mesas de jantar de cada lado; não havia ponto que lhe resguardasse as costas. O ser humano tende a sentir-se desconfortável em espaços abertos onde possa ser observado por trás, e Carla não era excepção. Sentou-se de costas para um biombo e admirou a estante: livros antigos, de lombadas com letras douradas, a maioria deles em francês. "Curioso," pensou, "alguém lerá estes livros?". Ao centro, jornais sobre uma mesa e, a completar, uma meia-luz intimista, paredes verdes, uma sala sossegada e confortável.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"O Ricardo afinal não é tão perfeito como parecia ao telefone; está atrasado... Bem, enquanto espero, vou lendo qualquer coisa, sempre não perco o meu tempo inutilmente." Pegou num jornal, abriu-o e encostou-se para trás no sofá.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eram nove e meia quando Carla olhou para o relógio, pousou o jornal e se levantou: "Não veio, não disse nada, também não vou telefonar-lhe, era o que me faltava! Vou mas é embora!" Depois pensou no que iriam pensar a gerente e o resto dos empregados do restaurante. Não podia esquecer-se de que o seu pai era cliente habitual do restaurante e não ficava bem ser deixada plantada. "E daí, o Papá é que vai salvar-me..." Pegou no telemóvel, carregou na tecla um (era a tecla de marcação rápida atribuída ao pai) e no botão de chamar, mas não chegou a deixar tocar. Desligou, engoliu o orgulho e procurou o cartão com o número de Ricardo na carteira, mas não o encontrou, e então lembrou-se de que o tinha pousado em cima da mesa do escritório, na empresa. Ainda ponderou ir buscá-lo, afinal era curta a distância, mas depois reflectiu melhor e chegou à conclusão de que um homem que a deixava plantada num restaurante não merecia tanto trabalho. Voltou então a ligar para o pai e convidou-o para jantar consigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pouco depois, o doutor Fernando Noronha Lima entrava no "Cafeína" e cumprimentava a filha com um beijinho na testa enquanto pedia à gerente uma mesa para dois. Depois de se sentarem, perguntou à filha:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Desculpa ser tão directo, mas não era hoje que tinhas um jantar aqui com o tal senhor que te bateu no carro?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Era, Papá, mas parece que ele achou divertido deixar-me pendurada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A sério, filha? Não te ligou nem nada?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Nada. Mas eu também não lhe digo mais nada, e hei-de tratar para que a seguradora lhe suba o prémio tanto quanto possível por conta da pancada que me deu na Segunda passada!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Quanto ao prémio, acho que não terás grande influência nas decisões da seguradora, e quanto a não telefonares, não estarás a fazer um juízo precipitado?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Precipitada, eu? Como assim?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Minha filha, por que não lhe dás o benefício da dúvida? Não sabes o que de facto se passou; pode haver uma boa razão por detrás desta aparente desconsideração dele.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Papá, mas afinal tu ainda o defendes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Minha querida, eu não defendo ninguém. Só não quero que te precipites. Afinal, o moço foi gentil, convidou-te para jantar com ele, não vejo por que faria isso para depois te deixar aqui à espera e não aparecer... Liga-lhe e vais ver que tudo tem um motivo...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, isso está fora de questão. Eu também tenho o meu amor-próprio. Ele falhou para comigo, mesmo que tenha tido um bom motivo para tal, deve ser ele a telefonar-me e a desculpar-se.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Faz como entenderes, mas já sabes a minha opinião. Dá-lhe, pelo menos, o benefício da dúvida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, Papá, fá-lo-ei. Se ele me telefonar, eu ouvi-lo-ei, mas não contes comigo para dar o braço a torcer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Melhor do que nada! - suspirou o pai de Carla. - E agora comamos. O que vais pedir?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla pediu um robalo com cogumelos e o pai um tornedó. O ambiente foi desanuviando aos poucos e, embora o início do jantar tenha sido apenas interrompido pelo som dos talheres a rasparem no prato e algumas tentativas por parte do pai para encetar uma conversa, no final já se abriu um pequeno sorriso nos lábios de Carla quando aquele lhe disse brincando que ficara satisfeito de saber que ainda era capaz de cativar uma dama para jantar consigo, embora preferisse ter sido a primeira opção.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já passava das onze quando Carla e o pai saíram do restaurante. Passava também das onze quando, na Unidade de Cuidados Intermédios, Ricardo se lembrou subitamente de Carla e do jantar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Grande bronca!", pensou com os seus botões. "A esta hora ela deve estar piursa... Ligo-lhe? Bem, só me faltava esta."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Decidiu telefonar-lhe. Pegou no telemóvel e ouviu um tossicar. Olhou para o local donde o som proviera e viu uma enfermeira vestida de branco um pouco atrás de si a apontar para um papel colado à parede, onde se lia "desligue o seu telemóvel" por entre as manchas da impressão em jacto de tinta que desbotara, provavelmente por causa dum frasco de soro fisiológico aí derramado acidentalmente (deve ser o líquido mais frequente numa qualquer unidade hospitalar, quiçá até mais do que a água), e por baixo duma circunferência vermelha com uma linha diagonal no seu interior cortando o desenho do dito aparelho. Ricardo percebeu a mensagem, levantou-se e saiu da Unidade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já cá fora, pegou de novo no telemóvel e marcou o número de Carla. Ninguém atendeu. Repentinamente, deu-se conta de que estava a ligar para o escritório da empresa: "Claro! A esta hora havia de lá estar alguém? E ainda por cima é Sexta-feira; agora só na próxima Segunda. Ela vai querer bater-me quando lhe telefonar... Devia ter-lhe pedido o número de telemóvel; como foi que não me lembrei disso?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na verdade, Ricardo não tinha pedido nenhum contacto a Carla, nem esta lho oferecera; toda a comunicação entre ambos se fizera sempre através do telefone da empresa, que era o único contacto constante do cartão que Carla lhe dera na altura do acidente. Só agora Ricardo se estava a dar conta de que fora um erro não ter obtido um meio mais expedito de contactar Carla. Mas também, quem poderia imaginar que iria encontrar-se naquela situação?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-7050935476881617034?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/7050935476881617034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=7050935476881617034' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7050935476881617034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7050935476881617034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/xi.html' title='11'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-1062589044040447535</id><published>2007-06-21T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T17:50:55.530Z</updated><title type='text'>10</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A semana passou a voar, e Carla só de deu conta disso por volta da hora de almoço, daquela bela sexta-feira de Primavera, quando o telefone tocou e do outro lado a secretária perguntou se podia passar uma chamada do Dr. Ricardo Oliveira Cardoso. Como se tivesse sido obrigada a descer à realidade, Carla assentiu em receber a chamada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olá Carla! Como está?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Bem, obrigada. E o Ricardo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Também! Sabe, estou a ligar-lhe para confirmar o jantar de logo à noite e para perguntar se quer que a vá buscar a algum lugar. – disse Ricardo com um à vontade de que Carla não estava à espera.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, o jantar confirma-se. Mas não será necessário ir buscar-me onde quer que seja. Encontramo-nos lá. – rematou Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Como queira! Não posso dizer que não tentei.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estamos combinados, então, às 21h30 no “Cafeína”. Até logo, Ricardo. – tentou Carla despachar a conversa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Combinado, então. Um beijinho e até logo! – “esta é dura na queda”, pensou Ricardo, desligando em seguida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de desligar o telefone, Carla, que se preparava para ir almoçar, pensou no almoço que havia tido com o Pai, dias antes, naquele mesmo lugar. Pensou ainda no bilhete de Miguel que havia deitado ao lixo. E, pela primeira vez, e depois do telefonema de Eduardo, questionou-se se havia feito, realmente, bem em agir daquela forma.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Receber aquela chamada de Eduardo, na noite anterior, fê-la repensar algumas questões.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na altura em que Tomás nasceu aquela havia sido a solução mais simples, e mais prática. Afinal eram primos em 4º grau, e a situação não traria problemas de maior. Tomás precisava de ter nome de Pai, e Eduardo, que sempre havia sido o melhor amigo de Carla, fizera questão de registar o Primo com o seu nome.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Três anos mais velho do que Carla, Eduardo era, na altura do nascimento de Tomás, um dos melhores alunos do terceiro ano de Direito da Faculdade de Direito de Lisboa. Já naquela altura brilhava no Direito Fiscal. E poucos anos mais tarde esse seu talento viria a confirmar-se ao integrar uma das Sociedades de Advogados mais importantes nessa área do Direito, em Lisboa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eduardo sempre adorara Tomás, e sempre fizera questão de ser seu “Pai”, mas Carla nunca o permitira. Havia aceite que o primo desse o seu nome ao filho, mas sempre deixara bem claro que não queria que Eduardo condicionasse a sua vida por causa de um papel que não era seu. A amizade sincera e pura entre os dois permitiu que o Primo percebesse e respeitasse a decisão de Carla. E assim Eduardo tornou-se no Tio Dado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas agora a situação tinha-se alterado. Eduardo ia casar-se e queria contar a verdade à noiva. E não era fácil para ele explicar-lhe que tinha um filho, mesmo não sendo o Pai biológico.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vou ao Porto no fim-de-semana, e levo a Leonor. Temos de ser os dois a conversar com ela e a explicar-lhe a situação. E começo a acreditar que talvez esteja na hora de o Tomás conhecer o Pai. Não achas? – dissera-lhe Eduardo no seu tom de voz determinado e peremptório.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla concordara em conversar com Leonor, juntamente com Eduardo. Percebia perfeitamente o Primo, e ajudá-lo-ia no que fosse necessário. Afinal havia sido com ele, e só com ele, que ela partilhara o seu segredo, a sua história e a verdadeira identidade do Pai de Tomás. Agora era a sua vez de ajudar Eduardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas quanto ao facto de revelar, de uma vez por todas, que era o Pai de Tomás, isso ainda teria de pensar muito bem. Não podia expor o filho daquela forma. Fizera tudo para o proteger, e não seria agora que iria colocar o seu bem-estar em risco. Alguma solução encontraria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Saiu para almoçar e tentou não pensar mais no assunto. Eduardo chegaria no dia seguinte, mas antes, nessa noite, ainda teria o tal jantar com um Don Juan de seu nome Ricardo. “Aquela cara é-me familiar... Mas de onde???”, questionara-se, novamente, Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A tarde passou sem que se desse conta, e num instante chegou a noite. Estava quase pronta para sair de casa quando Tomás entrou no seu quarto e lhe fez a pergunta mais inesperada:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mamã, porque é que os outros meninos têm um Papá e eu não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla gelou, e sem saber muito bem o que responder ao filho, disse-lhe que eram quase horas de ir para a cama, mas que como era sexta-feira iria permitir que Elisa o deitasse um pouco mais tarde.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sem reclamações, quero-te na cama às 22h30. Combinado?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Combinado, Mamã!!! – respondeu Tomás que feliz saiu do quarto da Mãe a saltitar e a chamar por Elisa para lhe dar a boa nova.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Antes de sair de casa, Carla dera a Elisa as instruções necessárias e dissera-lhe a hora a que deveria deitar Tomás. A empregada assentiu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de dar um grande beijo ao filho, Carla saiu de casa e entrou no carro. Colocou a chave na ignição e rodou-a de modo a que o motor começasse a trabalhar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“O que é que eu faço agora?”, questionou-se a si mesma. E sem aguardar “resposta” meteu a primeira e arrancou...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-1062589044040447535?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/1062589044040447535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=1062589044040447535' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1062589044040447535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/1062589044040447535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/x.html' title='10'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3074319180745907010</id><published>2007-06-19T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-15T17:35:09.047Z</updated><title type='text'>9</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Parecia que aquele dia interminável não teria fim. O acidente de manhã, a reunião do Conselho de Administração e a reunião de Pais no Colégio de Tomás tinham-na deixado exausta. As únicas coisas boas daquela longa segunda-feira haviam sido os miminhos de Tomás logo de manhã, antes de ficar no colégio, e o almoço com o Pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fechou os olhos e recordou o restaurante onde tinha ido almoçar. Era obrigada a admitir que o tal Ricardo tinha bom gosto. O “Cafeína” era, de facto, um restaurante elegante e requintado, com um ambiente sóbrio e um atendimento impecável. Além de ter muita lábia, o tipo era refinado. Algo lhe dizia que deveria ter cuidado com ele.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eram quase horas de ir buscar Tomás ao colégio quando o seu telemóvel tocou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Minha querida filha, e se eu fosse buscar o meu neto ao colégio e o levasse a jantar. Assim num jantar só de homens? Depois do nosso almoço fiquei com a nítida sensação de que estás muito cansada. Aproveita estas horinhas para fazeres alguma coisa por ti. Que me dizes? – perguntou-lhe o Pai assim que atendeu o telemóvel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Excelente ideia, Papá! Fico-te muito grata! O Tomás vai adorar ir jantar contigo. E eu vou aproveitar para tomar um banho revitalizante. O dia de hoje parecia não ter fim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Às 21hs deixo-o em casa. Pode ser?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Com certeza. Ele costuma deitar-se às 21h30, por isso era hora é perfeita. Até logo Papá, e obrigada! – despediu-se Carla do Pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Iam saber-lhe bem aqueles momentos só para si.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entretanto, e enquanto Carla se preparava para sair da empresa em direcção a casa, Miguel, inquieto, interrogava-se relativamente ao assunto sobre o qual Ricardo queria falar-lhe.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo telefonara-lhe ao início da tarde, dizendo que tinha a máxima urgência em falar consigo, mas aquele cliente chato tinha-o impedido de atender o chamado do amigo. Acabaram por combinar jantar. Mas a verdade é que Miguel se sentira curioso e incomodado o resto da tarde. Haviam sido raras as vezes em que Ricardo lhe dissera ter muita urgência em conversar com ele. Estranhara aquela urgência repentina e sem motivo aparente do amigo. E estranhara ainda mais o pedido expresso de Ricardo para conversarem em sua casa. Ainda tinha de despachar algumas coisas no cliente, mas iria conseguir estar às 20h30 em casa de Ricardo. Qualquer coisa lhe dizia que daquela conversa não viria boa coisa. Mas não valia a pena especular. Já faltava pouco para saber.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Concentrou-se de tal forma que quando deu por si eram já 19hs. Ainda precisava de ir a casa tomar um duche e trocar de roupa. Voou até casa e às 20hs estava pronto para sair. E assim o fez. Sem nunca imaginar, sequer, o teor da conversa que o aguardava daí a poucos minutos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao chegar a casa de Ricardo percebeu no amigo uma agitação fora do normal.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O que é que se passa, meu? Fiquei preocupado contigo a tarde inteira, por causa desta tua urgência! – disse Miguel assim que chegou a casa de Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Senta-te. Preciso de te contar uma coisa e é melhor que estejas sentado. Tem a ver com a Margarida...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Com a Margarida? Mas que raios tens tu para me contar da Margarida? Ai, já não estou a gostar da brincadeira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Deixa-me falar. Não me interrompas e já vais perceber. A Margarida apareceu-me aqui em casa hoje, à hora do almoço. Tinha eu vindo tomar um duche e trocar de fato para a reunião com os Franceses quando me tocam à campainha. Qual não foi o meu espanto quando vi que era a Margarida. Apesar de estranhar, abri-lhe a porta e começámos a conversar. Ela veio cá para me pedir que te dissesse que a deixasses viver a vida dela. Conheceu um homem há três meses e está grávida de um mês e meio. E quer que a deixes em paz de vez. Pronto, já disse. Agora podes falar. – disse Ricardo, de uma só vez, como se tivesse receio que, entretanto, a coragem lhe falhasse.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estás a gozar comigo, não estás? Isto só pode ser uma piada de mau gosto. A Margarida? Grávida? De outro gajo? Só podes mesmo estar a gozar-me...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Acredita que preferia mil vezes estar a pregar-te uma partida daquelas nossas do que estar a contar-te esta verdade cruel. Mas a Margarida achou preferível que soubesses por mim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Por ti? Mas vocês nunca gostaram um do outro. Não acredito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tens razão quando dizes que nunca gostamos um do outro. Mas sempre gostamos muito de ti. Só que a vossa relação terminou, por culpa tua, e agora ela refez a vida dela. Ninguém a pode condenar. Sinto muito ser eu o mensageiro de tão dolorosa missiva. Mas não havia outra forma de o dizer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Preciso de pensar. Isto não pode estar a acontecer. A Margarida não pode estar grávida de outro. Não pode. – respondeu Miguel, num tom de voz sumido e triste.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo sabia que havia acabado de partir o coração do amigo em mil pedaços, mas nada havia podido fazer para o evitar. Afinal a verdade era só uma – Margarida tinha reconstruído a sua vida e ia ser Mãe. E dessa verdade ninguém poderia fugir.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em sua casa, Carla olhava para o relógio. Eram quase 21hs, e o seu menino deveria estar quase a chegar. Valia a pena ter sofrido tudo aquilo só para poder ter o prazer e a felicidade de apertar o seu filho nos braços e de o ouvir dizer que a amava muito.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3074319180745907010?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3074319180745907010/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3074319180745907010' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3074319180745907010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3074319180745907010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/ix.html' title='9'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-8008407169316761249</id><published>2007-06-14T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T12:01:55.092Z</updated><title type='text'>8</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Preciso de falar com o Miguel o quanto antes! - Ricardo não costumava falar sozinho, mas o choque fora tal que os pensamentos, como se tivessem vontade própria, teimavam em fazer-lhe vibrar as cordas vocais e mover-lhe os lábios até conseguirem sair, como se ouvir o produto do trabalho furioso que se desenrolava no interior do seu cérebro tornasse mais fácil decidir o que fazer. - Não, o melhor é não lhe dizer nada. Mas ele tem de saber. Por que é que a Margarida me meteu a mim no meio desta história? Ora, porque sou o melhor amigo do Miguel, e ela não sabia como abordá-lo. Pois, e agora deixa-me a mim com a batata quente nas mãos...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois de percorrer a casa várias vezes como se fosse um animal enjaulado, mas sem ver por onde andava, tal era o turbilhão de pensamentos que não deixava espaço para que o cérebro processasse as informações que lhe chegavam a partir dos olhos, de tal forma que várias vezes tropeçou nos móveis e uma vez até esbarrou contra o umbral da porta do quarto, acabou por decidir que o melhor a fazer seria tomar o seu banho, um banho que lhe lavasse a alma depois do que acabara de ouvir, conforme, aliás, já estava a precisar antes da visita de Margarida, e sair, procurar um pouco de ar da tarde, uma brisa que lhe refrescasse as ideias e o aconselhasse sobre a melhor forma de agir para resolver o assunto a contento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Despiu-se e entrou no chuveiro. A água a escaldar teve um efeito calmante. Deixou-se ficar ali, em silêncio, mas, ainda assim, as ideias fluíam mais torrencialmente do que a água que lhe caía sobre o corpo. Quando saiu do banho meia hora depois, vestiu uma camisa aos quadrados, umas calças de ganga e um blusão azul e saiu. Não pegou no carro; foi de mota. Atravessou a Ponte da Arrábida e foi até ao Palácio de Cristal, que de palácio tem pouco e de cristal muito menos. Na verdade, do dito palácio só ficou mesmo o nome, porque no seu lugar ergue-se hoje o Palácio dos Desportos - o Pavilhão Rosa Mota. Contudo, Ricardo sempre encontrou nos jardins que o circundam paz e inspiração para resolver os problemas com que se confrontava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao entrar, as recordações de Beatriz e da última vez que aí tinha estado com ela assolaram-no inevitavelmente. Enquanto esperavam por Miguel ("aquele rapaz anda sempre atrasado!", queixara-se Beatriz na altura, e com razão, pois Miguel chegara, como, de resto, era seu costume, com meia hora de atraso), Ricardo tinha feito uma sessão fotográfica nos jardins com a namorada como modelo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Bons tempos", pensou, voltando rapidamente ao presente: "E agora o que faço com o Miguel?"&lt;br /&gt;Relembrou a visita de Margarida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então não me convidas para entrar?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Desculpa, entra, entra. É que não esperava a tua visita, diria mesmo que eras a última pessoa no mundo que esperava ver à porta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Acredita que reflecti muito antes de cá vir, mas acabei por chegar à conclusão de que tu és a pessoa indicada para me ajudar.~&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo estremecera nessa altura: "Eu sou a pessoa indicada para ajudar a Margarida? Mas que é que ela me quer?" Margarida prosseguira:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Como está o Miguel?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Deves saber que não está bem. Ele tem-me contado que te tem procurado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pois tem, e é sobre isso que quero falar contigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não vou estar aqui com rodeios, que não vale a pena: tu és o melhor amigo dele, e por isso tens de lhe dizer que se afaste de mim de vez.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E achas que não lhe tenho dito? - exclamara, enquanto pensava para si: "Por mim, ele nunca se tinha era envolvido contigo, que tu não és nem nunca foste mulher para ele, mas ele lá sabe da vida dele."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pois, mas tens de ser mais veemente. Ele não me dá espaço, e isso faz-lhe mal e faz-me mal a mim também. E depois há outra coisa... - Margarida interrompera-se; parecia estar à procura das palavras certas, e Ricardo achara por bem esperar que as encontrasse. - Eu conheci outro homem há três meses e estou grávida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As palavras caíram sobre Ricardo como se lhe tivessem dado uma martelada no crânio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- G-grávida!? - lembrou-se de ter tartamudeado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, grávida de mês e meio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se não fosse o desnorte em que ainda se encontrava quanto ao que fazer, Ricardo não poderia deixar de sorrir ao recordar os momentos que se seguiram: ele a tentar compor uma frase com princípio, meio e fim e Margarida a levantar-se muito rapidamente e a dizer que não queria que Miguel soubesse de nada; que, se lhe tinha contado a ele, Ricardo, era porque queria que ele percebesse a importância de a ajudar a afastar Miguel, porque ela já não era a namorada dele nem nunca mais voltaria a ser, e só ele parecia não compreender isso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo sentou-se num banco: só a memória das palavras de Margarida tinha conseguido abaná-lo de novo. De repente, deu-se conta de que ainda não tinha almoçado e já eram quase três e meia. Dirigiu-se ao Restaurante do Palácio, entrou e pediu o prato do dia. Quando se sentou à mesa com o tabuleiro, apercebeu-se de que não tinha fome.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De repente, pensou de novo em Beatriz. Nunca mais tinha sabido nada dela desde a sua saída da casa onde ambos moravam. Onde andaria? Teria também conhecido alguém? Teria conhecido alguém quando ainda estavam juntos? Teria sido esse alguém o motivo da sua saída intempestiva? "É melhor não pensar nisso agora; deixa-me ver o que faço com o Miguel. Conto-lhe ou não lhe conto? É melhor contar; afinal, eu já estou farto de lhe dizer para esquecer a Margarida e não resulta. Talvez agora, perante os factos, ele acorde e perceba que acabou definitivamente. Se a Margarida veio falar comigo, devia saber que a minha lealdade é para com o Miguel, e isso implica que não lhe esconda nada que lhe diga respeito directa ou indirectamente. Mas eu nem quero imaginar como o Miguel se sentirá quando souber que a Margarida está grávida doutro homem! Ele não aguenta uma notícia destas... Também tenho de pensar nisso."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Levantou-se e saiu do restaurante, deixando a refeição intacta em cima da mesa. Caminhou mais um pouco à sombra, parou em frente à fonte que havia junto à entrada e saiu do jardim ao mesmo tempo que um autocarro passava. Levantou a cabeça, olhou para um lado, depois para o outro, e desceu em direcção ao local onde deixara a sua mota. A sua decisão quanto ao que fazer estava tomada. Antes de mais, era preciso ligar para a empresa e desmarcar a reunião da tarde; não estava em condições de enfrentar clientes. Depois, era preciso falar com Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Começou por ligar para a empresa. A secretária atendeu ao fim de dois toques.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Cristina, por favor desmarcas-me a reunião que eu tinha para a tarde?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, claro. Que devo dizer ao cliente?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olha, diz-lhe o que quiseres, que eu nem para inventar desculpas estou bom.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pode ter comido qualquer coisa que lhe fez mal...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, serve, obrigado. Até amanhã.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Agora vou ligar para o Miguel, mas ligo de casa." Assim pensando, Ricardo montou na mota e partiu de novo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-8008407169316761249?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/8008407169316761249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=8008407169316761249' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8008407169316761249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/8008407169316761249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/viii.html' title='8'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3442162231068003674</id><published>2007-06-12T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T11:54:32.374Z</updated><title type='text'>7</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ao mesmo tempo que Ricardo se surpreendia com a visita inesperada de Margarida, também Carla recebia no escritório uma visita sem aviso, mas mais agradável: a secretária acabava de anunciar a chegada do anterior Presidente do Conselho de Administração, o pai de Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vim cá buscar o carro para levar à oficina e aproveito para te levar a almoçar comigo. Queres?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Papá! Não quero eu outra coisa! - Carla esqueceu por momentos o acidente, o telefonema de Ricardo, a insegurança da primeira reunião (que até não correra tão mal como Carla temera), enfim, a manhã desastrosa no meio de balanços e balancetes de que não percebia patavina. A presença do pai sempre lhe dera segurança, desde criança. - Onde vamos?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vou levar-te a um restaurante aqui perto, o Cafeína. Tenho a certeza de que vais gostar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O Cafeína? Curioso... Esse restaurante deve estar a fazer sucesso aqui no Porto, pelo que vejo. Só hoje é o segundo convite que recebo para ir lá comer!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ai sim? Então e de quem é o outro convite? Já estou a ficar com ciúmes... - brincou o pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla relembrou então o telefonema do misterioso Ricardo e arrependeu-se de ter aceite. Mas agora tinha dito que sim e não gostava de voltar com a palavra atrás.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Ele também não morde, espera-se!" Animada com este pensamento, vestiu o casaco e saiu do escritório acompanhada pelo pai, dizendo:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O outro convite é do homem que me bateu no carro. Diz que quer discutir pessoalmente assuntos relacionados com o acidente, enquanto as seguradoras não se entendem. Vocês, homens, têm de começar a melhorar as desculpas para convidar uma mulher para sair...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O pai não respondeu. Em compensação, e como o restaurante ficava perto dos escritórios da empresa e o tempo começava a mostrar-se primaveril, propôs que caminhassem um pouco à sombra das árvores que cotejavam o passeio, em vez de ir de carro, o que foi prontamente aceite por Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Chegados à entrada, Carla subiu primeiro os degraus de pedra e empurrou a porta de vidro, onde sobressaía colado junto ao rodapé, mas ao nível dos olhos de quem passasse ao fundo das escadas, o autocolante vermelho "Recomendado pelo Guia Michelin", aliás o único elemento fora da sobriedade duma entrada em vidro opaco e madeira castanho escuro. No interior, à direita e à esquerda, homens de fato (a maioria dos quais azuis com botões dourados, como se ser executivo pressupusesse vestir de azul e ter botões dourados; uma espécie de uniforme que permita à classe reconhecer-se entre si) conversavam entre si em voz baixa ao som de jazz ambiente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A gerente aproximou-se de Carla e perguntou se ainda ia esperar por alguém; ao ver o pai de Carla transpor o umbral abriu-se num sorriso e perguntou-lhe se queria a mesa habitual.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pode ser; hoje venho só com a minha filha, que assumiu as minhas funções na empresa. - E depois, virando-se para Carla: - Neste restaurante fechei muitos negócios. Quando quiseres impressionar os teus clientes ou fornecedores, trá-los aqui.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Obrigada, Papá, mas acho que não vou precisar dessas dicas por muito tempo; não tarda nada estarás de volta à empresa, não é verdade?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não sei, minha querida, não sei. O futuro no-lo dirá...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sentaram-se e espreitaram a ementa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não tenho muita fome, acho que vou escolher este tagliatelle. Adoro espargos, e o tamboril deve combinar bem com a massa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Fazes bem, querida, fazes bem. Eu vou para o bacalhau com broa, que costuma ser muito bom.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E para beber? - perguntou a empregada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Um sumo de laranja natural, por favor - pediu Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E para o senhor doutor?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pode ser água, por favor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Nestas pequenas coisas se vê que o Papá ainda não superou a perda da Mamã", pensou Carla. Um bom vinho a acompanhar as refeições era um dos pequenos prazeres da vida a que o doutor Fernando Noronha Lima não resistia, mas, desde que perdera a mulher, era raro vê-lo bebendo outra coisa que não água. Este pensamento fez Carla lembrar a sua mãe. A ida para Lisboa há sete anos afastara-a dos pais, e a perda da mãe não a afectara tanto por causa disso. Além da distância dos pais, o drama da gravidez inesperada, a falta de apoio do pai da criança, a abdicação do seu sonho de cursar Medicina, tudo contribuíra para dar a Carla uma resistência ao sofrimento que apenas viria a descobrir com a morte da mãe e dos avós, quando o pai deixou tudo sobre os seus ombros. Todavia, ao olhar à sua frente o aspecto cansado do pai naquele momento, Carla sentiu-se pela primeira vez sozinha, desde que voltara ao Porto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembrou-se do bilhete de Miguel. Pediu licença ao pai, dirigiu-se ao quarto-de-banho, parou em frente ao espelho e remexeu na bolsa à procura da carteira. Pegou nela, abriu-a e releu o bilhete: “Liga-me para tomarmos um café. Quero saber mais de ti! Um beijo, Miguel”.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, desta vez, não! - rasgou o bilhete e deitou-o no cesto dos papéis. Lavou as mãos com o mesmo afinco como se tivesse acabado de tocar um doente contagioso e saiu. Regressou à mesa ao mesmo tempo que o seu tagliatelle com tamboril e espargos chegava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Bom apetite - disse-lhe o pai, que tinha também já à frente o prato.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Obrigado, igualmente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No final do almoço, levantaram-se e dirigiram-se para a saída. O pai abriu-lhe a porta, que embarrou no chão de madeira escura e quase o fez desequilibrar-se.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Raio de porta! - resmungou, enquanto lutava para fechá-la; a porta resistia, presa numa lomba do piso do restaurante.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Calma, Papá! Olha, vamos ver o mar um bocadinho?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Desceram a rua até à marginal e caminharam um pouco. Estava um dia bom, daqueles dias em que não chove mas também não está demasiado calor. O Sol brilhava entre nuvens brancas que pareciam carneiros e corria uma leve brisa que amenizava a temperatura sem ser aquele vento forte e desagradável que levanta areia e torna absolutamente impossíveis estes passeios à beira-mar. Carla e o pai sentaram-se nos bancos cinzentos que salpicam a Avenida do Brasil, junto ao Homem do Leme, à sombra duma das árvores que quase foram destruídas pelas obras que aí se fizeram há poucos anos, e Carla inspirou fundo o sabor da maresia. O mar sempre a fizera sentir bem, desde criança. Recordou os fins-de-semana em que era mais nova e os pais a levavam consigo para a casa de férias, em Vila do Conde. Sentiu saudades desses tempos passados com os pais numa esplanada em frente à praia (a mãe não gostava da areia, dizia que os grãos se metiam em todo o lado, e Carla herdou esse conceito de praia sem areia).&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quis dizer alguma coisa ao pai, mas as palavras não lhe saíram, pelo que se deixou ficar ali com ele, em silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Passados alguns minutos, o pai quebrou o silêncio para dizer que já eram horas de ir para o escritório, e que ele levaria o carro dali para a oficina. Carla assentiu, levantaram-se e regressaram ao escritório, onde se despediram à porta do gabinete que fora do avô e do pai e agora era de Carla.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3442162231068003674?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3442162231068003674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3442162231068003674' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3442162231068003674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3442162231068003674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/vii.html' title='7'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-2767742201593686497</id><published>2007-06-07T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T11:51:53.255Z</updated><title type='text'>6</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Era estranho chegar a casa e percebê-la maior. Um mês depois ainda lhe custava entrar naquela que era a sua casa e sentir que jamais seria igual viver ali.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Comprara-a há um ano e meio, na altura em que resolvera pedir Beatriz em casamento. Apesar da sua fama de Don Juan, Ricardo sempre havia sido completamente apaixonado por ela, e desde que tinham começado a namorar jamais lhe fora infiel. O choque inicial que sofreu quando Beatriz recusou casar com ele foi mitigado pela contra-proposta que ela lhe fez “Ainda somos muito novos. Podíamos experimentar viver juntos. Se resultar logo pensamos em casar. O que dizes?”. A custo aceitara a proposta. Mas amava aquela mulher e não queria perdê-la. Se a vontade dela era viverem juntos, então que se cumprisse.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Conheceu Beatriz no segundo ano de faculdade, e apaixonou-se à primeira vista. Conquistá-la havia sido uma árdua tarefa. Afinal a sua fama de quebra-corações não abonava muito em seu favor. Só ao fim de seis meses é que conseguiu que ela aceitasse sair consigo. Passados mais seis já eram namorados.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os amigos que nunca acreditaram muito que Ricardo estivesse mesmo apaixonado acabaram por ter de render-se às evidências quando ele lhes comunicou que ia viver com Beatriz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Há um mês atrás, e de um momento para o outro, Beatriz tinha terminado tudo com ele, saindo de casa em seguida. “Já não te amo”, dissera-lhe ela com uma naturalidade confrangedora, como se fosse possível deixar de amar alguém de um dia para o outro. Não tentou demovê-la. Sempre havia acreditado que amar alguém passava por dar ao outro o que ele precisasse para ser feliz, mesmo que essa felicidade não fosse junto de si. E havia sido com base nesta premissa que não tinha pedido a Beatriz que reconsiderasse. E agora, um mês depois, a ausência dela na casa que ambos haviam partilhado durante mais de um ano ainda doía. Mas, naquela manhã, e depois daquela discussão telefónica que tinha tido com Beatriz logo cedo e que tinha estado na origem da sua distracção e, consequentemente, do seu acidente, algo havia mudado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aquela mulher bonita não lhe saía da cabeça. A sua voz doce e meiga ainda ecoava na sua mente. Tinha reparado que no banco de trás havia uma cadeira de transporte de crianças. Mil e uma questões passearam na sua cabeça ao longo de todo o dia. Será que era casada? Será que a cadeira era de um filho? Será que era de um irmão mais novo? Ou será que era de um sobrinho? Não conhecia aquela mulher, mas ela tinha tido o condão de alegrar o seu dia. No entanto, sabia que a sua cara não lhe era estranha. Mas de onde seria? Estava decidido a desvendar o mistério no jantar de sexta-feira.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De repente lembrou-se da conversa com Miguel. Estava preocupado com o amigo. Aquela história com Margarida estava longe do fim, e Ricardo sabia-o muito bem. Só tinha visto Miguel assim uma vez. Nessa altura havia tido razões para isso – afinal fora trocado por um tipo execrável e arrogante. Mas desta vez, com Margarida, as coisas tinham sido bem diferentes. Terminara a relação que tinham porque não tinha certeza de gostar dela, e agora que ela resolvera seguir em frente é que ele havia percebido que, afinal, gostava mesmo dela. Achava curiosa esta forma de sentir do ser humano. Porque seria que as pessoas só descobriam o verdadeiro valor que as outras tinham na sua vida quando as perdiam?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tentou libertar a mente de todos aqueles pensamentos e dirigiu-se ao quarto. A nova decoração havia ficado perfeita. Aos poucos estava a mudar a decoração da casa. Já tinha alterado o escritório e o quarto. Só faltava a sala, a cozinha e a casa de banho. Queria mudar tudo. Não deixaria qualquer vestígio da passagem de Beatriz na sua casa. Apesar de isso lhe custar muito, ainda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Estava a precisar de um banho de água bem quente, a escaldar. Como se a temperatura da água conseguisse acelerar o processo de catarse em que se encontrava e tirar Beatriz de vez de si.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Todavia o banho quente teve de ser adiado por causa do toque da campainha.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Do outro lado da porta encontrava-se a última pessoa que imaginava poder procurá-lo – Margarida!!!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-2767742201593686497?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/2767742201593686497/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=2767742201593686497' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2767742201593686497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/2767742201593686497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/vi.html' title='6'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-6400656093708987611</id><published>2007-06-05T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T11:49:48.139Z</updated><title type='text'>5</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Miguel atendeu o telefone, esperançado. Ao ouvir a voz de Ricardo, não pôde deixar de sentir um certo desalento, que transpareceu na sua reacção:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ah! És tu...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estavas à espera da rainha de Inglaterra? Ou, pior, deixa cá ver... Estavas à espera da Margarida! Adivinhei? - sem esperar pela resposta, Ricardo prosseguiu: - Quando é que percebes que o passado já acabou e não volta? Tens é de concentrar-te no futuro. Olha, a Freira respondeu-te ao meu convite?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu não sei se te desligue o telefone na cara ou se te diga o que penso sobre a tua atitude. Oh Ricardo, tu dizes-te o meu melhor amigo e fazes-me uma coisa destas? Agora a Freira deve estar a pensar, e muito bem, que eu sou um descaradão, e a culpa é toda tua!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ai, que estamos tão preocupados com o que a Freira pensa ou deixa de pensar. Oh homem, anda lá, ela tem um corpinho jeitoso e tu és um homem livre e descomprometido. Vai sair com ela e logo vês no que dá. Até podes descobrir o amor da tua vida; ou pelo menos duma noite...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Quantas vezes tenho de te dizer que o amor da minha vida já está descoberto?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, outra vez a história da Margarida. Quando é que percebes que ela não volta?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu sei que hei-de reconquistá-la. Ela não deixou de me amar; está apenas adormecida e cabe-me a mim voltar a acordá-la.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Acorda mas é tu para a vida, rapaz, que assim não vais a lado nenhum. Olha para mim, ainda hoje converti um desastre numa boa hipótese de engate.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Hã?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Hoje de manhã tive um acidente de carro. Nada grave, não te preocupes. O que é certo é que, à custa disso, fiquei com o número duma miúda com um corpinho tão perfeitinho como o da tua Freira. Já lhe telefonei e vamos jantar na próxima Sexta. Queres melhor?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ricardo, Ricardo, ganha juízo, rapaz, ganha juízo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tu é que tens de ganhar juízo e esquecer a Margarida de vez!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olha que não, olha que não. Já te contei os avanços?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Avanços, avanços... Só se for avanços de marcha-atrás; este tipo nunca mais sai da cepa torta. Quando é que ele percebe que a Margarida já o esqueceu e está muito bem assim?", pensou Ricardo. A sua boca, porém, calou estes pensamentos e optou por algo mais inóquo:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, alguma coisa de importante?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ontem telefonei-lhe, mas ela não atendeu.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Grandes avanços! É o que eu digo..."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Uma pergunta: ama-la?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Como é que sabes se amas uma pessoa? - respondeu Miguel.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Isso tens de ser tu a perguntar a ti mesmo e a descobrir a resposta. É diferente de pessoa para pessoa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu achava que havia muita coisa mal na nossa relação. Agora, olhando para trás, chego à conclusão de que as coisas que estavam mal estavam em mim, não na relação em si. Acabo por chegar à conclusão de que tinha ali alguém que me amava e já tinha dado provas disso, e eu preocupava-me com coisas insignificantes e deixava essas coisas insignificantes ofuscarem algo muito maior. Vou contar-te uma coisa: este fim-de-semana passei à porta de casa dela. Fiquei mesmo mal, só com as recordações que aquele prédio me traz...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Isso tudo é amor, meu caro. O problema é que ela já deixou bem claro que não quer que voltes a aproximar-te dela. Não te iludas, Miguel, porque o que te interessa verdadeiramente é que ela te abra as portas, e ela tem-nas todas fechadas desde que vocês se afastaram. Eu sei perfeitamente que este meu discurso é desanimador, sei que já to disse um montão de vezes, mas não creio que estaria a ser teu amigo se concordasse contigo forçosamente em nome de uma luta que não vale a pena, a meu ver. Já sabes que eu sou da opinião que, quando a bola está do nosso lado, e quando o assunto é amor, uma boa luta vale sempre a pena, só que, neste caso, não me parece que tenhas muitas hipóteses de vencer; ela não me parece disposta a sequer deixar-se ser disputada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu já decidi que vou lutar até ao fim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo suspirou:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vamos ver é se saberás perceber quando é o fim...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Bem, eu vou lutar. Se não o fizer, estarei a abdicar à partida daquilo que quero. Por muito difícil que seja, mesmo impossível, pelo menos terei a consciência de que lutei. Doutra forma, viverei eternamente a pensar que não fiz o mínimo esforço por aquilo que queria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Como te disse, eu sou sempre por uma boa luta quando o assunto é amor, mas dado o meu entendimento sobre a questão, não sei se valerá muito a pena. Mas, claro, isso é algo que te compete a ti pesar, e não a mim. Já sabes a minha opinião, e sabes também que podes sempre contar com a minha amizade, mesmo que metas os pés pelas mãos, como estás a fazer agora. Só quero que me prometas uma coisa...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel sorriu. Sabia bem até onde ia a amizade de Ricardo, e sabia que "contar com ele" não eram palavras desprovidas de sentido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Diz lá o que queres que te prometa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Que, se a Freira te telefonar, combinas qualquer coisa com ela. Tu precisas de afastar os pensamentos da Margarida, dê lá por onde der!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Prometo que vou pensar nisso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Miguel!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, Ricardo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não te faças de desentendido!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ricardo, como podes pedir-me uma coisa dessas, se o meu coração pertence à Margarida?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não te peço que te cases com a Freira! Apenas que vás sair com ela. Como sais comigo e com o pessoal. Faz-te bem estar com pessoas; enquanto estás, não pensas na Margarida e não deprimes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu não estou deprimido!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sim, já sei que não estás deprimido - o tom de voz de Ricardo era agora condescendente, como se Miguel fosse uma criança que fazia birra quando era contrariada. - Mas sempre podias estar mais animado, sabes? Bem, tenho de desligar, que há trabalho para fazer. Depois conto-te como correu o jantar de Sexta. Prometes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Prometo que, se ela telefonar, combino com ela qualquer coisa se tu também fores.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Melhor do que nada. Eu levo um castiçal, sim? E agora tenho mesmo de desligar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Vá, um abraço, se bem que tu não mereças. Ainda estou zangado contigo por causa do que me fizeste no Sábado!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Um dia hás-de agradecer-me. Até logo! - Ricardo desligou o auscultador e pensou de repente na mulher com quem tivera o acidente. "Eu conheço aquela cara dalgum lado...", pensou. "Logo lhe pergunto da vidinha na Sexta e já fico a saber onde nos cruzámos antes de hoje."&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-6400656093708987611?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/6400656093708987611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=6400656093708987611' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6400656093708987611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6400656093708987611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/06/v.html' title='5'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-3387771462220076488</id><published>2007-05-31T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T11:48:57.689Z</updated><title type='text'>4</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Bom dia Menina Carla! Como está? – perguntou a secretária meio atrapalhada quando viu Carla sair disparada do elevador em direcção à porta do seu gabinete.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Bom dia. – respondeu Carla entre dentes entrando de seguida na sua sala, batendo a porta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Que bela maneira de começar o dia. Já não bastava ter de ir para uma empresa da qual não percebia nada e ter de aprender a geri-la o mais rapidamente possível. Tinha de acontecer-lhe aquilo. Carla sentia-se furiosa e esgotada, e ainda eram só 10hs da manhã.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tinha acabado de deixar Tomás no Colégio e dirigia-se já para a empresa, quando um carro chocou contra o seu. Nem se apercebeu da presença do outro carro até ao momento que este lhe bateu. Seria suposto o outro condutor ter parado no semáforo encarnado, mas assim não foi. E o acidente tinha acontecido. Ficara com a porta traseira do lado direito toda metida dentro. O seu primeiro pensamento foi para Tomás. Ainda bem que o acidente se deu quando o menino já estava no Colégio, se não nem queria imaginar o que poderia ter acontecido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Apesar da irresponsabilidade de não ter parado num semáforo encarnado, o outro condutor havia sido impecável. Fizeram logo ali a declaração amigável e ele deu-lhe todos os seus dados, incluindo os números do Bilhete de Identidade e da Carta de Condução, bem como os números de telemóvel e do escritório (que confirmou no cartão que ele lhe deu). Mesmo assim, e não obstante toda a simpatia daquele condutor irresponsável, não tinha ainda conseguido recompor-se do susto e pensar com o discernimento devido. A única coisa que tinha conseguido fazer havia sido telefonar ao Pai e pedir-lhe que fosse buscar-lhe o carro para levar à oficina de um seu amigo para reparar. Entretanto teria de tratar do aluguer de um carro. Sabia perfeitamente bem que se estivesse à espera de que as Companhias de Seguros se entendessem (por mais que o outro condutor se tivesse logo dado como culpado), levaria imenso tempo a ter o carro devidamente reparado. Isto já para não falar do carro de substituição que ainda demoraria a ser-lhe disponibilizado. Mandar o carro para uma oficina e alugar outro enquanto o seu não estava pronto seria, sem dúvida alguma, a melhor solução.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Todavia o seu problema maior era a empresa. Tinha de a gerir e não fazia ideia como. Sabia que mais tarde ou mais cedo o Pai iria ajudá-la, assumindo de novo o seu cargo como Presidente do Conselho de Administração, e dando-lhe tempo para se preparar para, no futuro, assumir, então, tal posição. A morte da Mãe e dos Avós fê-la perceber que tinha ainda mais responsabilidades do que aquelas que já eram suas. Escolher o curso de Biologia tinha sido um erro, e agora percebia-o perfeitamente. Deveria ter escolhido Gestão, como o Pai sempre sugeriu. Mas o seu sonho era ser Médica, e quando Tomás nasceu teve de redefinir prioridades e objectivos. Queria ser uma Mãe presente e ser Médica iria coarctar-lhe, em muitas coisas, essa possibilidade. Era uma profissão demasiado exigente para uma Mãe tão nova. No entanto, naquele momento, percebia que a sua segunda opção deveria ter sido Gestão. Mas como não podia voltar atrás, iria terminar o curso de Biologia e iria aprender a gerir a empresa in loco. Não havia outra solução.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Respirou fundo, pediu um café e uma água à secretária e preparou-se para a sua primeira reunião como Presidente do Conselho de Administração. Pelo menos até o Pai voltar seria “forçada” a ocupar esse cargo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A manhã passou a correr, e perto da hora de almoço recebeu uma chamada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Menina Carla, tenho em linha o Dr. Ricardo Oliveira Cardoso. O assunto é o acidente. Posso passar? – perguntou a secretária, já mais descontraída depois de Carla lhe ter pedido desculpa pela forma rude como havia batido com a porta do gabinete mesmo nos seus ouvidos, logo de manhã.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pode passar, sim. Obrigada, Amélia. – disse Carla num tom educado e cordial. Ainda não sabia muito bem como lidar com o pessoal da empresa. Afinal Amélia começara a sua carreira como secretária do Presidente do Conselho de Administração quando o seu Avô ainda ocupava o cargo, passando a ser secretária do seu Pai há cerca de 6 anos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Diga-me que já está recuperada do susto de hoje cedo. Não me perdoaria se ainda não se tivesse recomposto. Um rosto bonito como o seu merece ostentar sempre um sorriso! – disse Ricardo assim que Carla atendeu a chamada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Mau”, pensou Carla, “querem ver que além de desastrado e distraído a conduzir, este também tem a mania que é engatatão? Vamos lá ver como isto corre. Era só o que me faltava!”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Fique descansado que o susto já passou, sim. Mas deixe-me que lhe diga que é muito distraído a conduzir, porque não reparar que a luz do sinal está encarnada é distracção a mais. – disse Carla, pensando simultaneamente que “ou estão é mesmo daltónico e ainda não percebeu”.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tem toda a razão. Vinha mesmo distraído e já um pouco arreliado. Mas valeu-me, ao menos, ter tido um acidente com uma mulher bonita. – retorquiu Ricardo, não querendo deixar de lançar, mais uma vez, o seu charme natural a Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Estou a ver que gosta de galantear as mulheres. Uma coisa é certa, e fiquei completamente convencida disso depois do nosso acidente: conduzir no Porto é muito pior do que em Lisboa. Foi o meu primeiro acidente em 5 anos de carta, durante os quais conduzi sempre na cidade de Lisboa, e a larga maioria das vezes em horas de ponta. – o tom de voz de Carla era agora um misto de irritado com jocoso. “Este tipo tem mesmo a mania que é um Don Juan”, pensou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não queria, de modo algum, ofendê-la com os meus galanteios. Mas a verdade é que de facto acho que é uma mulher muito bonita e queria convidá-la para jantar e, discutirmos, obviamente, os custos que terá até que as nossas Companhias de Seguro resolvam a questão. O que me diz hoje às 21hs no Cafeína? Eu trato das reservas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Desta é que é que ela não estava à espera”, pensou Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Se reformular o convite para sexta-feira, pode ser que eu aceite. Antes disso será completamente impossível.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Que seja sexta-feira, então. Por mim está tudo bem. Então ficamos combinados para as 21hs no Cafeína?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Combinado. Tenho o seu número. Se houver qualquer alteração ligo e aviso-o. Tenha uma boa semana, Dr...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ricardo, por favor. Esses formalismos não são necessários, não acha Carla?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Até sexta! – disse Carla desligando o telefone.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aquele tipo tinha uma lábia descomunal. Mas a verdade é que aqueles elogios tinham feito muito bem ao ego de Carla. Desde que Tomás nascera que fazia jus ao epíteto que lhe havia sido atribuído nos tempos do secundário e que se comportava como uma autêntica “Freira”. No entanto deu consigo a pensar que aquele nome não lhe era completamente desconhecido. “Ricardo Oliveira Cardoso... Podia jurar que já ouvi este nome antes”, pensou Carla, mas como não conseguia recordar-se de onde reconhecia o nome, simplesmente, atirou-o para um qualquer canto esquecido da sua memória. Sexta-feira voltaria a pensar nele. Ainda era só segunda-feira, e parecia que a semana estava quase a chegar ao fim, tal era o cansaço que Carla sentia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-3387771462220076488?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/3387771462220076488/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=3387771462220076488' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3387771462220076488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/3387771462220076488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/05/iv.html' title='4'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-4864455387377979980</id><published>2007-05-29T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T11:46:21.881Z</updated><title type='text'>3</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Enquanto Carla mergulhava nestes pensamentos, Miguel saía do bar em passo rápido e de ar carrancudo. Nunca esperara aquilo do seu melhor amigo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ricardo, confidente de Miguel desde que ambos se conheceram no Colégio, há dez anos atrás, fora logo o primeiro a falar, mal Carla se afastara:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas vamos lá a saber quem é aquela deusa que estava aqui a falar contigo antes de nós chegarmos? Ficas sempre com o bom material para ti e não apresentas aos amigos! - lamentou-se no meio da galhofa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se soubesse como as coisas iam correr a seguir, Miguel teria evitado o assunto, mas, como não sabia, limitara-se a rir e a afagar a sua cabeleira loira antes de responder, bem-disposto:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- É uma história do arco da velha; nem sei se vos diga, se vos conte.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Oh pá, já sabes que nós adoramos uma boa história, e quanto mais picante melhor! - retorquira Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Então lá vai. Esta rapariga andou comigo uns dois ou três anos no Colégio, para aí entre o nono e o décimo primeiro. Tu de certeza que te lembras dela, apesar de não seres da nossa turma - acrescentara, virando-se para Ricardo. - O pessoal chamava-lhe "a Freira", lembras-te?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O quê!? Esta era a Freira!? Eu não a vi bem, porque ela levantou-se logo e nem deu cavaco, mas é impossível que esta fosse a Freira. Basta ver-se que a Freira nunca poria os pés neste antro de perdição! - Ricardo revelara-se mais incrédulo do que Miguel, se tal era possível.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Perante o ar confuso dalguns dos presentes, que não tinham andado no Colégio e não estavam a perceber nada da conversa que se ia desenrolando entre Ricardo e Miguel, este achara por bem esclarecer:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O pessoal chamava-lhe "a Freira" porque ela, além de ser feia como a noite, tinha mesmo pinta disso. Era a forma como se vestia, como caminhava, eu sei lá! Era uma personagem daquelas que uma pessoa pensa que só há nos livros... Depois saiu e ninguém soube mais dela (nem procurou saber, a bem dizer). Hoje estava eu aqui à vossa espera e vem ela falar comigo. Eu nem a reconheci. E, por falar nisso, deixaram-me para aqui plantado, não foi?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Desculpa, meu caro. Eu ainda tentei avisar-te, mas não atendeste o telemóvel. O pessoal resolveu encontrar-se no café do Mauro antes de vir para aqui, para vermos o jogo. Lá ganhámos... Mas conta mais coisas. Então ela viu-te aqui e não só ainda se lembrava de ti como veio meter conversa? Cheira-me que estamos perante um caso de amor, e já não é de hoje. Que é que vocês acham, rapazes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Risadas de assentimento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Amor!? Ela odiava-me porque eu era melhor aluno do que ela e porque fui eu quem lhe pôs a alcunha! A miúda simplesmente não podia ver-me à frente! É agora amor...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Confirma-se! O amor não correspondido degenera frequentemente em ódio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Oh Ricardo, pára lá de brincar com coisas sérias, está bem? A miúda foi minha colega de turma no Colégio durante um par de anos, hoje viu-me aqui sozinho, reconheceu-me e veio ter comigo, falou um bocadinho, foi embora e pronto. Se te tivesse visto a ti e se lembrasse de que eras da outra turma, também tinha vindo falar contigo. É sempre bom reencontrar conhecidos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu é que digo oh Miguel! Não me digas que nem ficaste com o número dela!?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Para quê?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Para quê!? Esqueceste a regra fundamental!? Sempre ficar com o número duma brasa; nunca sabes quando vais precisar dele! Vá lá, ela ainda está ali a pagar para sair. Chama-a outra vez e pede-lhe o número!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pedir-lhe o número para quê? Já me chega a Margarida, não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A Margarida... Quando é que metes na tua cabeça que essa história acabou? Mas olha, se não queres para ti, pede para nós! Aquilo não é material de se deixar passar assim sem tomar uma atitude!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Oh Ricardo, mas tu estás-te a passar!? Eu nunca falei com a miúda enquanto andámos juntos no Colégio, vou lá agora dar uma de garanhão para cima dela! E tu também devias ter vergonha. Na altura era a Freira e rias-te dela nas costas; agora, só porque ganhou um corpinho jeitoso já estás para aí a babar!?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas de nada valera a sua indignação. Com um "se não pedes tu, peço eu", Ricardo rabiscara um guardanapo, chamara o empregado e segredara-lhe qualquer coisa. Depois de este se afastar o suficiente, Ricardo virara-se para Miguel e dissera-lhe:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Parabéns, acabaste de convidar a tua amiga boazona para um café. A ver vamos se ela não te telefona.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel ficara boquiaberto com a atitude de Ricardo; nunca esperara isso do seu melhor amigo. Quando tentara chamar o empregado de volta, tudo o que vira fora ele a entregar o bilhete a Carla, já à porta do bar. Tarde demais.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Mas ouve lá, tu estás mesmo a passar-te, não? Agora o que é que eu faço?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Esperas o telefonema dela e vais sair com ela. Se não quiseres, vou eu no teu lugar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Oh Ricardo, deixa de ser infantil, sim? As coisas não funcionam assim! Olha, eu vou-me mas é embora, que já me estragaste a noite!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Miguel, espera!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De nada valera. Depois de pagar, Miguel saiu do bar em passo rápido e de ar carrancudo. Nunca esperara aquilo do seu melhor amigo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"E agora o que é que eu faço da minha vida?", pensava enquanto caminhava para o carro." Pode ser que ela não telefone. Sim, ela odeia-me; não vai telefonar, de certeza. Deve é estar indignadíssima com a minha lata, e eu sem culpa nenhuma. Mas o Ricardo paga-mas, ai paga, paga!"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Deitou uma mirada rápida ao espelho retrovisor, afagou o cabelo e arrancou, derrapando na gravilha do parque de estacionamento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tomás suspirou mais profundamente debaixo dos lençóis.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-4864455387377979980?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/4864455387377979980/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=4864455387377979980' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4864455387377979980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/4864455387377979980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/05/v-l-pede-lhe-o-nmero.html' title='3'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-6139059566310987579</id><published>2007-05-24T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T11:45:21.038Z</updated><title type='text'>2</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ainda não conseguia acreditar na coragem que havia tido. Passados sete anos tinha reencontrado Miguel, o rapaz convencido e irritante que, durante o secundário, lhe havia dado a alcunha de “a Freira”; a pessoa que havia mudado a sua vida para sempre. Carla tinha plena consciência de que na altura do secundário era um verdadeiro patinho feio. Mas o tempo tinha passado, e Carla era agora uma mulher deslumbrante e desejável. No entanto, e mesmo com toda a sua auto-estima fortalecida, Carla nunca imaginara ter coragem de abordar Miguel daquela forma. Ainda para mais no meio de um bar com tanta gente a olhar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fora salva pela chegada dos amigos de Miguel, e agora, no caminho de casa, recordava o último momento daquela noite, no bar. Parecia uma cena saída de um filme. Receber aquele bilhete das mãos do Barman tinha tido nela o efeito de um choque eléctrico. Um número de telemóvel, um nome, e um “Liga-me para tomarmos um café. Quero saber mais de ti! Um beijo, Miguel”. Estava tentada, mas não sabia se devia. Adorava um bom flirt, e a maneira como Miguel havia olhado para ela deixava transparecer um interesse que ia além da simples curiosidade sobre o passado. Mas não poderia flirtar com Miguel. Havia algo muito mais importante em jogo. E jamais poderia esquecer-se disso. Guardou o bilhete num compartimento da carteira, disposta a não pensar nele durante uns dias. Depois logo se resolveria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Chegou a casa e abriu a porta devagarinho, para não fazer barulho nem acordar Tomás. Pensou nele e dirigiu-se ao quarto para ver se já dormia. Parecia um anjinho. O cabelo loiro e encaracolado, a pele branca, os olhos verdes, o mesmo sorriso, a mesma lábia e o mesmo jeito com as mulheres que o Pai. Já tinha 6 anos, e estava tão bonito. Tinha de ter muito cuidado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Recordou, mais uma vez, o encontro com Miguel. Recuou no tempo e voltou ao décimo primeiro ano, àquela festa de Carnaval que mudara a sua vida para sempre. Apenas uma noite chegou para destruir o sonho da sua vida e dar-lhe o maior tesouro de todos. Aquela era a primeira festa do Colégio que seria organizada fora das suas “muralhas”, como gostavam de dizer. O Director tinha acedido ao pedido de fazer a festa numa discoteca da moda, na altura, e entre os alunos a expectativa era grande. A última coisa que se lembra, daquela noite, foi de ouvi-lo chamá-la – “Carla”. Era a primeira vez que ele o pronunciava. Sempre havia alimentado um amor platónico por ele, mas nunca imaginara que um dia ele olharia para ela daquela forma. Foi ter com ele e saíram do meio da confusão. Os momentos que se seguiram foram mágicos, e jamais os esqueceria. Mas o dia seguinte havia sido terrível. Ele não se lembrava de nada do que tinha acontecido, e Carla sentiu-se sozinha e desamparada. No entanto, o pior, viria a acontecer um mês e meio depois. Estava grávida, e não podia contar-lhe porque ele não iria acreditar. Teve o apoio inesperado e surpreendente dos Pais. Saiu imediatamente do Colégio, a meio do ano lectivo, e foi viver para casa de uma Tia em Lisboa. Tinha de sair dali o mais rapidamente possível. Dissera aos Pais que não se lembrava do que havia acontecido, e que não sabia quem era o Pai do bebé. Nunca lhe havia custado tanto mentir aos Pais, mas era a única solução que tinha. Apesar de tudo apoiaram-na ao máximo e quando Tomás nasceu transformou-se no menino dos olhos dos Avós. Com a gravidez e o nascimento do filho tinha abandonado o colégio a meio do décimo primeiro ano, e durante um ano e meio ficara longe dos estudos. Quando voltou a estudar já não se sentia com força para dar o tudo por tudo para entrar em Medicina. Acabara por optar por Biologia, e, naquele momento, estava a pouco mais de um ano de terminar o curso. No entanto, a morte repentina dos Avós Maternos e da Mãe, há três meses, num acidente de viação haviam feito com que Carla tivesse necessidade de deixar para trás a vida em Lisboa, a faculdade, os amigos, e regressar ao Porto para assumir os negócios da Família. A sua Mãe era filha única, assim como Carla, e o seu Pai não se sentia capaz de gerir o património depois da perda brutal e violenta da mulher que amara a vida inteira. Sabia que aquela era uma situação transitória e que, dentro de pouco tempo, se tudo corresse pelo melhor, o Pai iria reassumir as suas funções. Todavia, e naquele momento, cabia-lhe a ela a árdua tarefa de gerir o património da Família. Estava a tentar conseguir transferência da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Foi trazida de novo à realidade quando Tomás se remexeu na cama e ficou destapado. Tapou-o e deu-lhe um beijo doce e meigo na testa. Aquele sim era o único e verdadeiro amor da sua vida. Tinha tido alguns namoricos, mas nada de relevante. Nunca tinha apresentado o filho a nenhum namorado. Não queria expô-lo a uma eventual perda. Mas o encontro com Miguel tinha provocado em si um turbilhão de sentimentos contraditórios. E a forma como ele a olhara fizera lembrar aquela noite.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não queria, nem ia permitir, que Miguel voltasse a virar o seu mundo do avesso. Desta vez não!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-6139059566310987579?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/6139059566310987579/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=6139059566310987579' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6139059566310987579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/6139059566310987579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/05/ainda-no-conseguia-acreditar-na-coragem.html' title='2'/><author><name>Maria</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_aK9Ljofrg0g/SlZozsZo-EI/AAAAAAAAAOo/FqQheCK7dJ4/S220/Img018.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6970482372653017590.post-7319740634491709086</id><published>2007-05-22T09:35:00.000+01:00</published><updated>2007-11-12T11:43:50.908Z</updated><title type='text'>1</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;- Não te lembras de mim, pois não?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel remexeu, em vão, as suas memórias em busca dalguma recordação que lhe dissesse quem era a rapariga que agora se encontrava diante de si. Resolveu arriscar um pouco de charme...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu nunca esqueço uma menina bonita, mesmo quando fico uns tempos sem vê-la. Conta-me! Por onde tens andado?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A sério que sabes quem sou? – a rapariga não parecia totalmente convencida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel manteve a estratégia evasiva, esperando com isso obter informação que lhe permitisse identificar aquela morena que agora lhe falava no bar como se fossem velhos amigos desencontrados:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Já te disse que sei perfeitamente quem és. Só não sei é o que tens feito desde a última vez que nos vimos. Já vão uns anitos, mas continuas igual…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Definitivamente, não te lembras de mim, senão não dizias isso! – o tom de voz da rapariga tornou-se um pouco mais ríspido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel apercebeu-se da mudança de atitude e reagiu em conformidade:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Oh querida! Sim, claro que estás diferente em muitas coisas, estás mais mulher, mais elegante, mas dá para perceber quem és. Doutra forma, não me lembraria de ti…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ai sim? Então como me chamo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Xeque-mate!”, pensou Miguel. “Agora como me safo desta?” Optou por esticar a corda mais um pouco e arriscar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não acredito que estás a duvidar de mim! Se eu digo que me lembro perfeitamente de ti no Colégio! Eras da minha turma e tudo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A rapariga pareceu acalmar. Um leve sorriso dançou nos seus lábios.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Acertei! Ela era do Colégio! Mas quem seria? A Joana? Não! A Diana? Também não. A Helena? Definitivamente não! Não faço mesmo ideia…” Miguel continuou ao ataque:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Agora que já acreditas quando te digo que me lembro perfeitamente de ti, vais contar-me o que tens feito desde a última vez que te pus a vista em cima? Já vai há uns anitos…&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sete, precisamente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Sete!? Espera aí; eu só acabei o décimo segundo há cinco anos, quase seis… Se ela andou no Colégio e já não me vê há sete anos… Quem foi que saiu de lá antes do final? Não pode ser!” Miguel estava boquiaberto: “Esta é a Freira!? Ninguém muda assim tanto!”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Pois, sete. Tu saíste do Colégio a meio do décimo primeiro, não foi… Carla?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Desta vez, a rapariga abriu-se num sorriso:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Ainda te lembras mesmo de mim!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Impossível esquecer uma personagem como tu”, pensou Miguel. “Não imaginava era que pudesses mudar tanto.”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla e Miguel eram nesses tempos do secundário os melhores alunos da turma, embora tivessem estilos totalmente diferentes. A Carla era a típica aluna aplicada, solitária, que lia a matéria antes de ir para a aula e ficava no seu canto bebendo as palavras do professor e tirando notas no caderno impecavelmente forrado com papel autocolante, nessa sua letra certinha de menina bem comportada. Era conhecida no Colégio inteiro como “a Freira”. Miguel era o oposto: irreverente, brincalhão, capaz de provocar a algazarra na turma com os seus comentários jocosos a propósito da matéria. Estudava de véspera, depois de jogar uma futebolada com os amigos, mas safava-se sempre, frequentemente melhor do que a estudiosa Carla. Ela nunca lhe perdoara isso, o que sempre azedara as relações entre ambos. De resto, fora Miguel quem inventara o epíteto "a Freira" para apelidar Carla, numa tarde em que esta passava junto ao campo de futebol.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Miguel estava sentado na bancada, cercado de raparigas, como aliás era costume, à espera da vez da sua equipa para jogar e Carla dirigia-se para a entrada da biblioteca do Colégio com os livros das aulas do dia junto ao peito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Olha para o ar dela; parece que vai para a missa. Aquela rapariga ainda vai virar freira, oiçam o que eu vos digo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A gargalhada fora geral e, desde esse dia, o nome pegara. No dia seguinte, já toda a escola se referia a Carla pela alcunha e nunca mais ninguém a chamou pelo nome, excepto nas raras ocasiões em que falavam com ela directamente. Mas Carla sabia da forma como a tratavam nas suas costas e sabia quem fora o autor da brincadeira. Mais um motivo para nunca o perdoar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas agora, naquele bar, Carla parecia tudo menos uma freira. Alta, morena, com longos cabelos negros como o mais negro que se possa imaginar revolteando rebeldes até aos ombros, olhos cor de mel e um porte soberano no seu vestido de cetim vermelho, destacava-se das demais raparigas que tomavam café, conversavam, riam ou dançavam.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Claro que me lembro! Como podia esquecer a inesquecível Carla? Mas senta-te um pouco e conta-me como tens passado!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Carla aceitou o convite.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Sento, mas só um bocadinho, que tenho ali uns amigos à espera. Só cá vim cumprimentar-te e perguntar-te se queres juntar-te a nós.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Obrigado pelo convite, mas combinei encontrar-me aqui com uns amigos. Eu, que costumo andar sempre atrasado, hoje fui o primeiro a chegar e agora estou para aqui à espera. Mas fala-me de ti! Estás a acabar Medicina, suponho?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não, estou no último ano de Biologia - uma sombra imperceptível passou no seu olhar. - Não consegui entrar em Medicina.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não!? Isso é que foi uma pena; tenho a certeza de que se perdeu uma grande médica. - Miguel sempre soubera que um dos sonhos de Carla fora entrar em Medicina. Aliás, no Colégio correra o boato de que ela tinha saído a meio do décimo primeiro para ir tentar melhorar a média num Externato que, nessa altura, operava verdadeiros milagres nas médias dos seus alunos que queriam ir para Medicina. Ou o boato era falso, ou nem os milagres do Externato salvaram Carla.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- E tu que fazes, actualmente?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Eu acabei Engenharia Informática no final do ano passado e estou agora a trabalhar numa empresa de componentes informáticos para a indústria aerospacial. Mas quero ver se me lanço por conta própria um dia destes. Tenho aqui umas ideias para um sistema operativo que vai revolucionar o mundo!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O SOM - Sistema Operativo do Miguel -, como ele lhe chamava, à falta de melhor nome, era a menina dos seus olhos desde o terceiro ano da faculdade. Tudo nascera dum projecto opcional da Faculdade para a cadeira de Sistemas Operativos, em que os alunos tinham de idealizar um sistema operativo rudimentar. Miguel inscrevera-se no projecto por curiosidade, mas adorara-o desde o início dos trabalhos, tendo recebido a nota máxima pelo seu trabalho. A partir daí, Miguel decidira continuar a trabalhar para aperfeiçoar o seu projecto, apesar das opiniões desfavoráveis de professores e colegas, que diziam que construir um sistema operativo do nada era uma tarefa impossível de ser realizada por uma só pessoa. Apesar disso, Miguel resolvera dedicar-se a fundo ao seu SOM e os amigos perceberam que não iam conseguir demovê-lo da ideia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Como deves imaginar, tenho trabalhado muito: o meu emprego é muito exigente e os tempos livres são passados a programar por conta própria...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Parece interessantíssimo; e da maneira como falas, vê-se que adoras o que fazes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Não trocava por nada deste mundo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Neste momento, a conversa foi interrompida pela chegada dos amigos de Miguel. Carla levantou-se imediatamente, despediu-se com um aceno e afastou-se.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6970482372653017590-7319740634491709086?l=historiainacabada.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiainacabada.blogspot.com/feeds/7319740634491709086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6970482372653017590&amp;postID=7319740634491709086' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7319740634491709086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6970482372653017590/posts/default/7319740634491709086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiainacabada.blogspot.com/2007/05/no-te-lembras-de-mim-pois-no.html' title='1'/><author><name>GMSMC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05855972071904567346</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
